29 de novembro de 2016

Estudo não aumenta eficiência do trabalho no Brasil, diz pesquisa



O avanço da escolaridade no país nas últimas décadas não foi acompanhado do aumento esperado de eficiência do trabalhador brasileiro.
A experiência internacional mostra que, à medida que acumulam mais anos de estudo, os profissionais de uma nação, normalmente, se tornam mais produtivos, contribuindo, com isso, para o crescimento da economia.
Dados preliminares de uma pesquisa feita por Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, revelam que isso não parece estar ocorrendo no Brasil.
Entre 1980 e 2010, cada ano a mais de estudo no país foi seguido de um aumento extra de produção de apenas US$ 200 por trabalhador.
O número é irrisório se comparado ao que ocorreu em outros países. Cada ano a mais de escolaridade foi acompanhado de uma expansão de US$ 3.000 de produção por trabalhador no Chile e de US$ 6.800 na Coreia do Sul.
De acordo com Paes de Barros, é possível que a qualidade e o conteúdo do ensino nas escolas brasileiras expliquem por que o país tem sido um ponto fora da curva.
"Pode ser que esse aumento de educação não tenha significado econômico, por isso tenha muito pouco impacto sobre a produtividade", diz.
MENORES GANHOS
A piora na qualidade da educação no Brasil também pode ser uma das causas da rápida queda do ganho extra de renda que os trabalhadores conseguem ao aumentar sua escolaridade. Em 2004, cada ano a mais de estudo resultava em um salário 9,6% maior no país. Em 2014, esse retorno caiu para 7,2%.
Outro fator que contribuiu para essa redução, segundo Paes de Barros, foi o aumento do salário mínimo, que elevou a renda do trabalhador pouco escolarizado.
Uma terceira explicação para a queda do prêmio salarial foi a expansão da demanda da nova classe média por serviços menos qualificados, nos últimos anos.
"Nós nos tornamos uma economia intensiva em mão de obra pouco qualificada. Isso tem a ver com o tipo de estrutura de demanda que a economia brasileira gerou."
Embora esse movimento tenha contribuído para a redução da desigualdade de renda, ele também pode estar afastando o jovem brasileiro da escola: "Isso não ajuda a incentivar as pessoas a estudar mais".
EVASÃO ESCOLAR
Um dos principais focos da pesquisa conduzida pelo economista —que tem apoio do Instituto Ayrton Senna, do Insper, da Fundação Brava e do Instituto Unibanco— é entender as causas da elevada evasão escolar no Brasil.
O estudo mostra que, a cada ano, mais de um quarto dos jovens brasileiros de 15 a 17 anos tem um dos seguintes destinos: nem se matriculam na escola (15%); abandonam os estudos (7%) ou são reprovados por falta (4%).
A meta oficial do governo de universalizar o acesso dessa faixa etária à escola até 2016 não foi cumprida.
Segundo dados divulgados na semana passada pelo IBGE, a parcela de jovens de 15 a 17 anos na escola chegou a 85% em 2015. Esse percentual tem aumentado em ritmo lento nos últimos anos. E os prognósticos de evolução não são positivos.
Pelas contas de Paes de Barros e sua equipe, o Brasil precisaria avançar a um ritmo 23 vezes maior que o atual para universalizar o acesso de jovens de 15 a 17 anos à escola em uma década.
Segundo o economista, o objetivo da pesquisa é ajudar os gestores educacionais a entender as causas do baixo engajamento do jovem com a escola e, com isso, adotar as medidas cabíveis.
No estudo, Paes de Barros e seus coautores explicam que há três grandes causas para o afastamento entre o jovem brasileiro e a escola.
O primeiro grupo de fatores está ligado a problemas como pobreza extrema, distância grande entre o domicílio do jovem e a escola e gravidez precoce.
O segundo motivo é o que eles chamam de "falta de interesse informada" do jovem pela educação formal. "Isso tem muito a ver, por exemplo, com a falta de flexibilidade do currículo do ensino médio", afirma o economista.
Por último, há o caso de jovens que têm pouco interesse pela escola por falta de informação adequada. 

Educação: A qualidade da inclusão


EDITORIAL


Estudos recentes têm mostrado que o efeito das ações afirmativas em universidades públicas sobre o desempenho dos alunos beneficiados não é o desastre esperado pelos críticos dessas políticas.
Pelo contrário, as pesquisas indicam que os jovens favorecidos por cotas e bônus conseguem suas vagas com notas de conclusão no ensino médio similares às dos demais aprovados.
Economistas construíram dois cenários hipotéticos —com e sem cotas— para cinco universidades federais com base no Enem de 2008. Em uma simulação na qual 50% das vagas são reservadas para cotistas por critérios sociais ou raciais, as notas médias de entrada caíam, no máximo, 1% em relação a uma situação em que a política não existisse.
Analisando o caso da Unicamp, comparou-se o desempenho dos alunos que entraram em 2005 pelo sistema de bônus e o dos que perderam a vaga em consequência dessa política.
Descobriram-se notas médias muito próximas, sinal de que o mérito acadêmico dos dois grupos não divergia de modo significativo.
Estudos também têm revelado que as ações afirmativas vêm cumprindo seu papel de garantir acesso de jovens de classes sociais de menor renda ao ensino superior.
Os resultados são animadores porque indicam que é possível promover a inclusão sem comprometer a qualidade do ensino.
No entanto, outras análises são necessárias. O fato de os beneficiados terem bons resultados no segundo grau não garante que isso vá se repetir no ensino superior.
De toda maneira, a grande expansão desses programas nos últimos anos já acarretou alterações no quadro universitário do país.
Como consequência da ampliação do sistema de bônus da Unicamp, entre os matriculados em medicina e engenharia elétrica neste ano, 65,5% e 87,5% vieram de escolas públicas, respectivamente.
Dado o curto período de vigência de tais políticas, é prematura qualquer avaliação conclusiva. Com maior restrição de renda, cotistas e bonificados tendem a ser mais carentes de referências culturais, o que pode limitar seu desenvolvimento no meio universitário.
Medidas de apoio aos estudantes que encontram dificuldades são necessárias. Do contrário, corre-se o risco de os ganhos na inclusão revelarem-se pouco efetivos.

28 de novembro de 2016

Dados de 2015 do IBGE mostram que distância salarial entre professores e demais profissionais com nível superior diminui em ritmo lento, Anrtonio Gois


POR ANTÔNIO GOIS
Em 2015, um professor que dava aula na educação básica recebia por mês, em média, R$ 2.776 para uma jornada de 40 horas semanais de trabalho. Este valor representava somente 61% dos R$ 4.538 registrados para os demais profissionais com nível superior, de acordo com cálculos feitos pela coluna nos microdados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada pelo IBGE na sexta-feira passada. De 2014 para 2015, a distância salarial de professores para os demais grupos até se reduziu um pouco, mas por um motivo nada animador. Todos registraram perda salarial quando considerada a inflação. Os docentes apenas tiveram uma queda menor em relação aos demais.
No entanto, pela Pnad ser uma pesquisa amostral (sujeita portanto a alguma margem de erro), o melhor a fazer é analisar a série histórica. Ela mostra que, em 2002, a distância era muito maior: os professores da educação básica que tinham diploma de nível superior recebiam, em média, 47% do registrado para os demais profissionais. É uma boa notícia, mas, nesse ritmo, não chegaremos nem perto da meta de equiparar os rendimentos dos professores com os demais trabalhadores de nível superior até 2024, conforme prevê o PNE (Plano Nacional de Educação).
Uma questão a considerar nos salários dos docentes é que há muita variação, a depender do nível de ensino. O salário médio de um professor da educação infantil com nível superior em 2015 era de R$ 2.183, ou 48% do registrado para os demais profissionais em outras ocupações universitárias. Se o professor dá aula no ensino médio, onde os rendimentos médios são de R$ 3.355, a distância é menor, pois este valor representa 74% do verificado para os demais profissionais.
Também é possível identificar na Pnad outra característica que torna a carreira docente menos atrativa: o salto salarial entre gerações é menor. Professores da educação básica entre 45 e 54 anos recebem, em média, um salário 31% maior do que aqueles que estão na mesma profissão, e têm entre 25 e 34 anos. Na média das demais ocupações de nível superior, esse aumento entre gerações é de 46%, o que indica que, ao longo da carreira, professores vão ficando ainda mais para trás em comparação com profissionais de outras carreiras universitárias.
Salários baixos afetam o perfil dos jovens que se interessam pela carreira docente. Isso pode ser comprovado por dados tabulados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) no Censo da Educação Superior de 2015. Nos dez cursos de graduação de maior matrícula no país, as maiores médias no Enem dos ingressantes estão nas áreas de engenharia de produção ou civil (552 pontos no exame), direito (540) e psicologia (529). Já as menores são registradas nos cursos de pedagogia (499 pontos), Serviço Social (497) e gestão de recursos humanos (496).
Mesmo sendo uma meta que demandará muitos recursos e poucos resultados imediatos, equiparar os salários de professores aos dos demais profissionais com nível superior no Brasil é dos objetivos mais importantes a serem perseguidos no PNE. Sem isso, continuaremos tendo dificuldades para atrair ou reter mais talentos no magistério. 

Escola do século 19 precisa se adaptar a alunos do século 21

SABINE RIGHETTICOLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Se fosse possível voltar ao século 19, encontraríamos uma sociedade muito diferente da atual, com transporte animal, urbanização limitada e poucos recursos médicos. Algo, no entanto, estaria praticamente igual aos dias de hoje: a escola. As instituições de ensino que conhecemos -com sala de aula, lousa, alunos enfileirados, professor e livro didático– surgiram no século 19.
“Naquela época, a ideia da nova disposição de alunos e do uso de recursos como a lousa era viabilizar o ensino simultâneo de um grupo de alunos”, diz Daniel Chiozzini, da PUC-SP, especialista em história da educação.
Até então, a educação era restrita a certos grupos e baseada na memorização.
Hoje, as escolas que inovam são aquelas que fazem algo diferente desse modelo, seja do ponto de vista pedagógico, didático ou mesmo arquitetônico -por exemplo, em uma nova disposição dos alunos na sala.
De acordo com Paulo Blikstein, especialista em educação e inovação da Universidade de Stanford, nos EUA, uma das fronteiras da inovação da atualidade é o aprendizado por projetos -e não por disciplinas.
Os alunos são convidados a responder uma pergunta, por exemplo de sua comunidade, e têm de desenvolver uma solução em grupo -o que, de quebra, trabalha os chamados “aspectos não cognitivos” do aprendizado (como a capacidade de se expressar, de resolver conflitos no grupo e de ser resiliente).

antesdepois
LOUSA EM GIZ
Modelo de aula expositiva com giz surgiu no século 19
ALUNOS EM FILEIRAS
Assistem aula de maneira passiva em modelo que lembra uma igreja: professor fala, alunos ouvem em silêncio
CONTEÚDO SEGREGADO Trabalhar conteúdo por meio de aulas expositivas oferecidas de maneira segregada (como física, química e biologia)

No Brasil, escolas inovam trabalhando com os alunos em grupos e sem provas.
Há casos até em que as salas de aula foram extintas, como na escola municipal Campos Salles, em Heliópolis (zona Sul da cidade). Lá, o aprendizado acontece em grupos, em um único espaço de estudos, com conteúdo escolhido pelos alunos. Não há provas.
Quem também trabalha sem avaliações -e até sem séries– é o projeto Âncora, na Grande São Paulo.
Já o tradicional colégio paulistano Bandeirantes oferecerá em 2017 aulas de laboratório de física, química, biologia e artes de maneira conjunta em uma mesma disciplina -com vários docentes.
Se der certo, a proposta será considerada inovadora.
Isso porque, para ser uma “inovação” de fato, dizem os especialistas em educação ouvidos pela Folha, as mudanças nas escolas têm de impactar o comportamento dos gestores, dos professores e dos alunos em termos de aprendizado, ou seja, elas têm de ser eficientes.
“Inovação na escola pode ser medida por mais motivação dos alunos para o estudo e melhores desempenhos”, diz Fernando Abrucio, especialista em políticas públicas de educação da Fundação Getulio Vargas de São Paulo.
Trocando em miúdos: uma escola que altera sua lógica e consegue engajar alunos e melhorar resultados em exames pode ser considerada uma instituição inovadora.
“Trata-se de criar e implementar, com sucesso, novas ferramentas, metodologias ou modelos”, diz Rafael Parente, fundador do Labi (Laboratório de Inovação Educacional), ONG que desenvolve estudos na área.
Para Chiozzini, da PUC-SP, é importante não restringir a inovação na educação apenas a aspectos tecnológicos -caso, por exemplo, de instalação de lousa digital.
Inovação tecnológica sozinha não melhora os resultados na educação.
“Se usarmos a tecnologia apenas para fazer o que sempre fizemos, será decepcionante”, diz Richard Culatta, especialista dos EUA em inovação na educação do governo Barack Obama.

Cómo la tecnología permite repensar el futuro educativo de América latina

El Banco Interamericano de Desarrollo recopiló las 50 innovaciones de gran impacto para la educación en América latina; incluye varios proyectos nacionales; además identificó 5 tendencias que articulan tecnología y recursos pedagógicos
PARA LA NACION
LUNES 28 DE NOVIEMBRE DE 2016 • 
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Es muy difícil pensar cómo se combinan la tecnología y la educación en América latina, donde 4 de cada 10 alumnos no termina la escuela secundaria; donde el 80% de los estudiantes con mayores recursos económicos se gradúa, y sólo el 30% de los jóvenes con escasos recursos lo logra.
En este escenario, y según se desprende de un informe elaborado por el BID y su organización Graduate XXI, es justamente aquí donde la tecnología juega un rol democratizador para acceder a los recursos que en otros momentos estaban muy distanciados por las limitaciones económicas de cada estudiante. Esta iniciativa, que reúne a especialistas de América latina en materia educativa, se funda en la urgencia generada por los altos niveles de deserción escolar y en generar un nuevo espacio de discusión sobre la educación.
En la investigación se concluye que el paradigma educativo tradicional está siendo desafiado y la necesidad de cambios se acentúa por el doble efecto de la falta de resultados, incluyendo bajos aprendizajes, y las oportunidades que ofrecen las nuevas tecnologías. La aplicación de diversas innovaciones hará posible, dice el BID, la redefinición del significado de aprendizaje y de permanencia en la escuela.
Uno de los aportes que más destaca el informe que hace el BID tiene relación con las 5 grandes tendencias de las innovaciones en materia educativa:
1) Gamificación de los recursos: es la tendencia a fusionar el aprendizaje con la lógica de los videojuegos. Muchas innovaciones están beneficiándose del potencial adictivo de los juegos para traducirlo al mundo educativo. Es una manera de aprovechar la fuerza incontenible del nuevo consumo cultural de cualquier edad, pero especialmente de los jóvenes.
2) Aprendizaje en la nube: basado en plataformas digitales que no necesitan de aplicaciones en la computadora. Dentro de esta visión algunos especialistas en innovación han sugerido que el aprendizaje digital reemplazará a las escuelas convencionales en un futuro cercano.
3) Escuelas y modelos de aprendizaje híbridos: espacios donde se combinan el aula virtual con la presencial. Esta es la tendencia más promisoria para el futuro de la educación y que cambiará notablemente la fisonomía de las escuelas, porque ya no serán los docentes expertos los que impartan conocimientos a unos alumnos que no saben nada.
4) Proyectos complementarios: asistencia global a las escuelas con múltiples soluciones complementarias y articuladas. Se basa en un sistema brasileño; ante la limitada oferta educativa estatal para preparar a los alumnos surgieron empresas educativas que prestan asistencia a las escuelas.
5) Plataformas de aprendizaje adaptativo: basadas en tecnología de inteligencia artificial para personalizar la enseñanza. La interacción de un alumno con el conocimiento produce una inmensa cantidad de datos que sirven para realizar predicciones sobre su futuro y crear secuencias personalizadas de aprendizaje.
A partir de estas tendencias Graduate XXI construyó el Mapa de Innovaciones Educativas en América Latina que selecciona iniciativas educativas originales, novedosas, que de alguna manera cambian el esquema de la oferta educativa tradicional. Ya sea por medio de nuevas concepciones y prácticas pedagógicas como por la introducción original de nuevas tecnologías. Son emprendimientos con potencial de ser escalables, desarrollados en su mayoría por instituciones privadas y en algunos casos con alianzas estatales.

Algunas de las iniciativas más destacadas

Proyecto: Kokori (Chile) es un videojuego como los que se encuentran en las salas de maquinitas diseñado para que los participantes incursionen en el mundo de la biología celular en forma didáctica y simple.
Proyecto: Mate Marote (Argentina) es un programa informático de estimulación cognitiva basado en principios de la neurociencia, cuyo objetivo es potenciar las habilidades de los niños pequeños a través de juegos digitales. Un equipo de investigadores científicos lo desarrolló para potenciar y medir la mejora en la atención y la flexibilidad de la cognición, entre otras habilidades esenciales.
Proyecto: Duolingo (varios países) es la plataforma de aprendizaje de idiomas más grande del mundo. Allí se combina la enseñanza de idiomas con sistemas de aprendizaje colaborativo, inteligencia artificial y estrategias de gamificación. A medida que avanzan en su aprendizaje, más de 100 millones de usuarios pueden aprender más de 22 idiomas y colaboran con la traducción de cientos de documentos.
Proyecto: Eduk (Brasil) es una plataforma de cursos es un híbrido entre la televisión e internet. Permite que las personas accedan a cursos en video que se transmiten vía streaming en vivo y sin costo a través de la web.
Proyecto: Cuestionarix (Ecuador) es un espacio virtual con ejercicios interactivos, simuladores y preguntas orientadas para que los estudiantes se preparen para el ingreso a la universidad en ese país.
Proyecto: Aleks (México y otros países) es un sistema de evaluación y aprendizaje online que, a través de la analítica, permite estimar los niveles de aprendizaje de los alumnos. Para hacerlo se toman en cuenta las respuestas de los estudiantes a distintos ejercicios y se adaptan las actividades de manera personalizada.
Proyecto: Blended (Argentina) es una plataforma escolar que integra docentes, directivos, preceptores, padres y alumnos en un entorno colaborativo virtual. Permite compartir tareas, documentos, fotos y videos y trabajar en equipo en tiempo real desde cualquier dispositivo.
Proyecto: Eduteka (Colombia) es uno de los portales educativos más grandes y originales de América Latina, y además cuenta con reconocimiento internacional. El portal ofrece a los docentes contenidos educativos digitales que se actualizan mensualmente y numerosos enlaces a otros sitios para el uso de materiales digitales online. Eduteka contiene más de 820 artículos, 9.272 proyectos de clase y 929 recursos, todo ello distribuido en 10 módulos temáticos y ocho áreas académicas.

20% dos futuros professores no Brasil têm 'nota vermelha'




Danilo Verpa - 19.fev.2009/Folhapress
Escola estadual em São Paulo
Escola estadual em São Paulo
Com baixos índices de qualidade da educação, o Brasil está recrutando futuros professores entre os piores alunos do ensino médio.
O resultado pode ser observado em levantamento feito pelo Inep, instituto ligado ao Ministério da Educação, sobre as notas obtidas no Enem por calouros de diferentes cursos universitários.
Os dados revelam que 19,1% dos candidatos do Enem 2014 que ingressaram em uma graduação de pedagogia no ano seguinte não conseguiriam sequer um certificado de ensino médio com a nota do exame. Tiraram até 450 pontos, considerando-se a média aritmética das quatro provas objetivas e da redação.
Para obter um certificado de ensino médio —possibilidade aberta a pessoas com mais de 18 anos e fora da escola—, é preciso tirar 450 pontos em cada prova e 500 na redação. Mais, portanto, do que esse grupo de quase 1 em 5 futuros professores.
O parâmetro de 450 pontos foi adotado pelo Inep em 2014 após o instituto constatar que essa já é, em regra, a "nota de corte" praticada pelas escolas de ensino médio para passar os alunos de ano.

Mas é uma pontuação "muito baixa", ressalta José Francisco Soares, presidente do Inep à época dessa definição e professor aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais. Segundo ele, 450 pontos equivale ao acerto de 6 a 8 questões por prova no Enem, de um total de 45. "É preocupante que futuros professores terminem a escola com formação tão frágil."
Os cursos de pedagogia formam, principalmente, profissionais que atuam até a quarta série e educadores em cargos de chefia, como coordenadores e supervisores.
A proporção de calouros com desempenho ruim nessa graduação é bem maior do que a média. Entre os universitários em geral, 9,9% tiraram até 450 pontos. Entre os ingressantes nas áreas de matemática e ciências, é de 5,6%. E, entre os aspirantes a médicos, a faixa é tão insignificante que não entrou na conta.
O grupo dos alunos com pior desempenho vai até 550 pontos. Do total de candidatos, 98,4% estão acima desse patamar —em pedagogia, apenas 16,9%.
MOTIVOS
O Enem é usado como forma de seleção por universidades federais e particulares. É requisito para o acesso ao Fies (programa de financiamento estudantil) ou ao Prouni.
Em outros processos seletivos, como o da USP, cursos de pedagogia também têm mais alunos com notas abaixo da média geral, o que vai na contramão do que ocorre nos locais com ensino de ponta. Na Finlândia e na Coreia do Sul, alunos de cursos de formação de professores são selecionados entre os melhores.
Para especialistas, há duas explicações para a situação. A primeira é a baixa concorrência dos cursos. A graduação em pedagogia é terceira com mais vagas no país.
A segunda explicação é a falta de atratividade da carreira. "Como parte significativa dos alunos vocacionados com boa formação não busca o curso, aumenta o número de vagas para alunos com pior formação que gostariam de fazer qualquer um", diz o professor José Carlos Rothen, da Universidade Federal de São Carlos.
O salário é um fator chave —um professor ganha 39% a menos que outros profissionais com nível superior.
Fabio Braga/Folhapress
Ana Paula Neris, aluna de pedagogia e funcionária da cozinha de uma escola municipal
Ana Paula Neris, aluna de pedagogia e funcionária da cozinha de uma escola municipal
Estudo do economista Geraldo Andrade da Silva Filho, do Inep, mostrou que, em locais onde o piso salarial da categoria implantado em 2009 fez diferença, cursos de pedagogia conseguiram atrair mais alunos com melhores notas.
Mas a remuneração não é o único fator, diz Priscila Cruz, presidente da ONG Todos pela Educação. Pesam as condições de trabalho e o desprestígio da carreira. "Os governos precisam agir, mas a sociedade também cobra pouco."
FACILIDADE
Mercado de trabalho amplo e facilidade de entrar atraem alunos para cursos de pedagogia, que têm o terceiro maior número de universitários do país, atrás apenas de direito e administração.
São 656 mil alunos, a maioria em cursos a distância, e uma concorrência de menos de dois candidatos por vaga.
Aos 37, Cibele Rodrigues escolheu pedagogia por causa das oportunidades de trabalho e por considerar a formação versátil. "Mesmo se não conseguir emprego na área, vai ser bom, porque o mercado exige. Hoje, ter nível superior é igual ao que antes era ter ensino médio", diz ela, no primeiro semestre de uma faculdade particular em Itaquera, na zona leste de SP.
Aluna de outra instituição privada na periferia, Ana Paula Neris, 30, conta que optou por pedagogia porque era o curso mais barato, mas depois se apaixonou. "Tem um sentido de transformação com que me identifico muito."
Filha de mãe faxineira e pai pedreiro, é a primeira da família a cursar o ensino superior. Para se manter, trabalha na cozinha de uma escola municipal e, depois de formada, pretende continuar trabalhando na periferia, dando aulas.
Para alcançar seu sonho, Ana Paula sabe que tem que fazer mais do que o curso oferece. Juntou-se com um grupo de mulheres que estudam juntas. "Na faculdade, são só quatro horas, e tem muita teoria e pouca prática", diz.
Tatiane Cavalcanti, 24, teve a mesma percepção. Abandonou o curso no quarto semestre depois de trabalhar em uma escola na região metropolitana de São Paulo. "Pedagogia é uma coisa muito bonita dentro da faculdade. Fora é muito diferente", diz ela, que hoje cursa direito.
TEORIA E PRÁTICA
A distância entre teoria e prática em cursos de formação de professores é citada em diversas pesquisas sobre o tema. Elas mostram que faltam nas universidades conteúdos sobre como atuar na sala e como alfabetizar, por exemplo.
A qualidade dos cursos também é bastante heterogênea e depende do perfil dos alunos que entram. Nas que recebem os de pior desempenho, com média abaixo de 450 pontos no Enem, alunos têm dificuldade pensamento lógico, de leitura e de texto, afirma Carlos Monteiro, consultor de ensino superior.
Boas faculdades, no entanto, têm conseguido suprir lacunas de formação, diz Clarilza Prado, pesquisadora da área e professora da PUC-SP.
"São os alunos de escolas públicas, ou de menor desempenho, que veem na pedagogia uma das únicas possibilidade de ingressar no ensino superior. Mas os que entram em universidades de melhor nível acabam por modificar sua trajetória de menor qualificação", diz.
Hoje, o mercado de trabalho tem vagas tanto para professores com boa formação como para os que têm deficiências, diz César Callegari, integrante do Conselho Nacional de Educação e ex-secretário municipal da área em SP.
Diante dessa realidade, ele defende uma reformulação dos cursos de formação para profissionais que já estão na sala de aula, com um reforço maior da parte prática.
"Hoje, os cursos satisfazem mais a necessidade de obter títulos para progredir na carreira do que a as demandas efetivas dos alunos e professores", diz. Ele também defende um exame nacional de admissão para atuar na área.
Priscila Cruz, do Todos pela Educação, defende começar a formação de professores já no ensino médio, colocando a educação como uma possível área de especialização. Para ela, a ampliação do período integral, prevista pela proposta de reforma no ensino médio, deve começar por esses alunos. 

27 de novembro de 2016

The AltSchool: Progressivism Redux (Part 2) by larrycuban

[Progressive schools] as compared with traditional schools [display] a common emphasis upon respect for individuality and for increased freedom; a common disposition to build upon the nature and experience of the boys and girls common to them, instead of imposing from without external subject-matter and standards. They all display a certain atmosphere of informality, because experience has proved that formalization is hostile to genuine mental activity and to sincere emotional expression and growth. Emphasis upon activity as distinct from passivity is one of the common factors....[There is] unusual attention to ...normal human relations, to communication ...which is like in kind to that which is found in the great world beyond the school doors.
John Dewey, 1928
Were John Dewey alive in 2016 and had he joined me in a brief visit to the AltSchool on October 20, 2016, he would, I believe, nodded in agreement with what he saw on that fall day and affirmed  what he said when he became honorary president of the Progressive Education Association in 1928.
The AltSchool embodies many of the principles of progressive education from nearly a century ago--as do other schools in the U.S.  Just as Dewey's Lab School at the University of Chicago (1896-1904) became a hothouse experiment as a private school, so has the AltSchool and its network of "micro-schools" in the Bay area and New York City over the past five years (see hereherehere, and here). Progressive schools, then and now, varied greatly yet champions of such schools from Dewey to Francis Parker to Jesse Newlon to Alt/School's Max Ventilla believed they were already or about to become "good" schools.
One major difference, however, between progressives then and now were the current technologies. Unknown to Dewey and his followers in the early 20th century, new technologies have become married to these progressive principles in ways that reflect both wings of the earlier reform movement (see here).
In this post, I want to describe what I saw that morning in classrooms--sadly without the company of Dewey--and what I heard from the founder of the AltSchool network, Max Ventilla.
Alt/Schools
There are five "micro-schools" in San Francisco. I visited Yerba Buena, a K-8 school  of over 30 students whose daily schedule gives a hint of what it is about. I went unescorted into three classes --upper-elementary and middle school social studies and math lessons (primary classes were on a field trip to a museum)--which gave me a taste of the teaching, the content, student participation, and the level of technology integration. I spoke briefly with two of the three teachers whose lessons I observed and got a flavor of their enthusiasm for their students and the school.
For readers who want a larger slice of what this private school seeks to do (tuition runs around $26,000 for 2015-2016) can see video clips and read text about the philosophy, program, teaching staff, and the close linkages between technology in this and sister "micro-schools" (see Alt/school materials here)
Since I parachuted in for a few hours--I plan to see another "micro-school" soon--I cannot describe full lessons, the entire program, teaching staff or even offer an informed opinion of Yerba Buena. For those readers who want such descriptions (and judgments), there are journalistic accounts (see above) and the AltSchool's own descriptions for parents (see above).
Yet what was clear to me even in the morning's glimpse of a "micro-school" was that theoretical principles of Deweyan thought and practice in his Lab School over a century ago and the evolving network of both private and public progressive schools in subsequent decades across the nation was apparent in what I saw in a few classrooms at Yerba Buena. One doesn't need a weather vane to see which way the wind is blowing.
But there was a modern twist and a new element in the progressive portfolio of practices: the ubiquitous use of technology by teachers and students as teaching and learning tools. Unlike most places that have adopted laptops and tablets wholesale, what I saw for a few hours was that the use of new technologies was in the background, not the foreground, of a lesson. Much like pencil and paper have been taken-for-granted tools in both teaching and learning over the past century, so now digital ones.
What I also found useful in looking at a progressive vision of private schooling in practice was my 45-minute talk with the founder of these experimental "micro schools."
Max Ventilla
The founder of AltSchool has been profiled many times and has given extensive interviews (see here  and here). In many of these, the "creation story" of how he and his wife searched for a private school that would meet their five year-old's needs and potential and then, coming up empty in their search. "We weren't seeing," he said, "the kind of experiences that we thought would really prepare her for a lifetime of change." He decided to build a school that would be customized for individual students, like their daughter, where children could further their intellectual passions while nourishing all that makes a kid, a kid.
In listening to Ventilla, that story was repeated but far more important I got a clearer sense of what he has in mind for Altschool in the upcoming years. Some venture capitalists have invested in the for-profit AltSchool not for a couple of years but for a decade. He sees beyond that horizon, however, for his networks to scale up, becoming more efficient, less costly, and attractive to more and more parents as a progressive brand that will, at some future point, reshape how private and public schools operate. And turn a profit for investors. Ventilla wants to do well by doing good.
His conceptual framework for the network and its eventual growth is a mix of what he learned personally from starting and selling software companies and working at Google in personalizing users' search results to increase consumer purchases (see here). Ventilla sees the half-dozen or more "micro-schools" in different cities as part of a long-term research-and-development strategy that would build networks of small schools as AltSchool designers, software engineers, and teachers learn from their mistakes. As they slowly get larger, key features of AltSchool--building personalized learning platforms, for example--will be licensed to private (see here) and eventually public schools.
Ventilla mixes the language of whole child development, individual differences, the importance of collaboration among children and between children and adults with business ideas and  vocabulary of "soft vs. hard technology,"  "crossing the threshold of efficacy," "effects per costs," and scaling up networks to eventually become profitable.
Progressivism--both wings (see Part 1) are present in AltSchool's collecting huge amounts of data about students and  engineers (on site) with teachers using that data to create customized playlists for each of their K-8 students across all subject areas . Efficiency and effectiveness are married to progressive principles in practice.
That is the dream that I heard from Max Ventilla one October morning.