7 de março de 2017

Com mais estudo, menos jovens viram domésticas

Em 20 anos, caiu de 51,5% para 16% a proporção de empregadas com até 29 anos; de 1995 para 2015, renda das domésticas cresceu 64%

RIO - O trabalho doméstico atrai cada vez menos mulheres jovens no País. A proporção de empregadas domésticas com até 29 anos caiu 35,5 pontos porcentuais em 20 anos: de 51,5% em 1995 para 16% em 2015. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 6, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Foto: Fábio Motta/Estadão
Empregada doméstica
Renda das domésticas saltou 64% desde 1995
O fenômeno foi atribuído ao aumento na escolaridade da população jovem e à ampliação das oportunidades em outras áreas, como serviços prestados a empresas e às famílias. “Ninguém nasce com o sonho de ser empregada doméstica. Essas meninas tiveram acesso aos estudos. Houve um movimento no Brasil em que houve oportunidade de se colocarem em postos de trabalho como o de serviços prestados a empresas. Isso acabou evitando que entrassem no serviço doméstico, foi a melhora da educação e a oportunidade de se empregar em outro setor”, explica Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.
O pesquisador Tiago Barreira, do Centro de Pesquisa Econômica Aplicada Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), lembra que o acesso ao ensino médio avançou justamente nas últimas duas décadas.
“Foi uma época em que a população foi aos poucos se instruindo ao longo dos anos. O ensino médio começou a caminhar para uma universalização, o acesso ao ensino superior também avançou nas camadas mais pobres, devido a políticas de estímulo, como o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil, do governo federal). Os jovens acabaram procurando outros empregos”, avalia Barreira. “Com a crise e o desemprego, elas estão voltando ao trabalho doméstico”, completa Azeredo.
ctv-epj-domesticas
Infográficos/Estadão
A renda das domésticas saltou 64% nesses 20 anos, atingindo valor médio de R$ 739 em 2015. Ainda assim, o rendimento médio ficou abaixo do salário mínimo da época, de R$ 788.
“Tem um movimento que acompanha a valorização do salário mínimo, o aumento da renda da população ocupada como um todo. Isso aconteceu também para as trabalhadoras domésticas. Só que ainda assim no último ano da série, em 2015, a média do Brasil não alcança nem o salário mínimo”, observa Natália Fontoura, técnica de planejamento e pesquisa do Ipea.
O número de trabalhadoras formais também cresceu. Em 1995, 17,8% das empregadas domésticas tinham carteira assinada. Em 2015, chegou a 30,4%. 
A análise dos dados sinaliza ainda uma tendência de aumento na quantidade de diaristas no País. Em 1995, empregadas que trabalhavam por diária eram 18,3% da categoria. Em 2015 eram 31,7%. 
“Quando elas se tornaram mão de obra escassa, o salário disparou. Em tempos de crise, nem todo mundo pode ter empregada todo dia, então negocia com a doméstica para que trabalhe duas vezes na semana. Isso é uma forma de negociar salário e evitar o vínculo empregatício previsto na lei”, diz Azeredo.
Renda. O emprego doméstico era a ocupação de 18% das mulheres negras e de 10% das mulheres brancas em 2015. Em 20 anos, a renda média das mulheres negras cresceu oito vezes mais que o ganho médio dos homens brancos, mas foi insuficiente para cobrir o abismo que há entre as duas realidades financeiras. Em 2015, na média, um homem branco ganhava R$ 2.509,70, mais que o dobro do rendimento médio de uma mulher negra, de R$ 1.027,50. 
“A desvantagem das mulheres negras é muito pior em muitos indicadores, no mercado de trabalho em especial, mas também na chefia de famílias, na pobreza. É quando as desigualdades de gênero e desigualdades raciais se sobrepõem no nosso País”, diz Natália.
As distâncias entre os quatro principais grupos populacionais considerando cor e gênero não se alteraram muito. A ordem da desigualdade de renda também se mantém. Homens brancos ganham mais, seguidos de mulheres brancas, homens negros e mulheres negras.
Daniela Amorim e Vinicius Neder ,
O Estado de S.Paulo
06 Março 2017 | 12h44

Study details tool to help professors measure how much active learning is happening in their classrooms.

By 
 
March 7, 2017, Inisde Higher Education
 
Want to be a more effective teacher? There’s an app for that. Or, at least, there soon may be.
Classroom Sound Can Be Used to Classify Teaching Practices in College Science Courses,” published this week in Proceedings of the National Academy of Sciences, previews a new tool that measures the extent to which professors use active learning in their classrooms. Scholars involved in the study hope to make the tool into an iPhone application so others can work to increase their use of high-impact teaching practices. For now, it's available online, here.
“It’s really hard to change if you don’t measure what it is you’re starting with,” said the study's co-author, Kimberly Tanner, professor of biology education at San Francisco State University. “It’s like trying to lose weight without a scale. To make changes you need some really quick feedback.”
Active learning happens when students participate in classroom discussions and solve problems, rather than just listening passively. And previous studies suggest that active learning results in greater learning gains and student retention rates than lecture-only courses. So Tanner and dozens of other researchers across natural science, technology, math and engineering fields and institutions worked to create and test a machine-learning algorithm that uses sounds to identify teaching styles in college and university classrooms.
They argue that there’s a particular need for their tool in the natural sciences, since hundreds of millions of dollars have gone toward improving STEM teaching nationally in hopes of keeping students -- especially underrepresented minorities and women -- in the so-called pipeline. And while all evidence suggests that significant learning gains can be made by many professors incorporating even a little active learning into their courses, the study says the “extent to which large numbers of faculty are changing their teaching methods to include active learning is unclear.”
The new tool is called Decibel Analysis for Research in Teaching, or DART. It reports what types of activities are going on in a classroom based on sound waveforms, categorized as follows, down to half-second audio samples: single voice, multiple voice and no voice. Lectures and question-and-answer periods count as single voice and are indicative of a nonactive teaching style. Multiple voice samples, including discussions and transitions, are considered active learning, as are no-voice samples, such as when the entire class is engaged in a silent writing activity.
Essentially, DART computes the volume and variance of sounds in a classroom. Average volume and high variance indicates one person speaking at a time, or lecturing or otherwise not engaging students in active learning. High volume and low variance, observed in multiple-voice, pair discussions, for example, means active learning. Low volume and low variance also means active learning is happening, as all students are likely engaged in a task.
The idea behind DART is that professors don’t have to guess how much active learning they’re asking their students to do, but can actually measure it to a relatively precise degree. Based on an initial study of 1,486 class session recordings from 67 community college and four-year university STEM courses, DART is 90 percent accurate, in classroom settings both big and small. In other words, the algorithm was nearly as good at determining what kind of learning was happening as were human annotators in the large-scale study of 1,720 class hours involving 49 instructors.
Perhaps surprisingly, the amount of time spent on active learning was higher in courses for biology majors than non-biology majors. The authors take this finding as a proof that DART can be used to study teaching styles across more disciplines, institutions and course types going forward. All courses in the study were taught by professors who had completed STEM-teaching professional development.
Over all, the professors fared well in their pursuit of active learning. While single-voice instruction was observed in all courses a majority of the time, 88 percent of analyzed courses used active learning in at least half the class sessions. Female instructors were more likely to engage their students in active learning than were men.
Tanner said that professors sometimes don’t mean to dominate class time with lectures, but passion for their subject matter can unwittingly lead them away from active learning. DART is a clear, objective measure of how often that’s happening, she said.
The Association of American Colleges and Universities works to promote high-impact teaching practices, among other goals. Lynn Pasquerella, president, said via email that these practices should be "infused throughout a student's entire curriculum," and DART's value is that it offers a "point of information" for faculty members who are committed to engaged learning.
"If faculty tend to overestimate the amount of time their students are engaged in active learning processes, DART can provide data that will prompt the redesigning of assignments and foster enhanced student engagement," she said. "Learning outcomes can then be assessed comparing courses that rely most heavily on active learning with those that are dominated by lectures. We know that high impact practices have a disparately positive effect on students from underrepresented groups. As a result, there is significant potential for this tool to advance the equity imperative in STEM and beyond." 
Again, the paper suggests that DART could aid “systematic analyses” of the use of active learning in classrooms, and says that its relative simplicity, affordability and ability to protect student and professor privacy (capturing sound types, not course content) make it ideal for such a pursuit. Tanner emphasized that it's a tool to improve one's teaching and learn more about the profession, and said it shouldn't be used by external parties for evaluation or punitive purposes.
“I think that DART will allow us to ask questions about how things are and aren’t changing in higher ed,” she added.

Unprecedented' White Supremacist Activity: Report documents 107 incidents at colleges and universities in the current academic year.



March 7, 2017 Inside Higher Education

 

White supremacist activity is seeing an upsurge on college campuses, primarily by outside groups seeking to attract attention or support among students, according to a report released Monday by the Anti-Defamation League, which tracks anti-Semitism and other forms of bigotry.
As of Monday, there have been 107 incidents of white supremacist activity on campuses during the current academic year -- most commonly leaflets or posters from white nationalist groups, the report says. Of these incidents, 65 have taken place in 2017. The level of activity in the last year is "unprecedented," the report says, compared to far fewer incidents in the past such that the group added the study this year.
When Inside Higher Ed and others have reported on some of these incidents, various websites have said that these incidents are hoaxes or "fake news." The ADL said that the tally in the report is of verified incidents, sorted by location, and with photo documentation, campus reports and other evidence for each incident.
Groups like Identity Europa, American Renaissance and American Vanguard have claimed responsibility for most of the activity. But the report notes that, in some cases, more than offensive posters have shown up on campus.
Last year, a white supremacist took responsibility for hacking printers at numerous campuses and making them print out pro-Nazi leaflets (right). Colleges and universities have continued to experience such hacking this year. These incidents upset many students in campus libraries, who initially believed that what they found on printers must have been printed by someone in the same room.
And in some cases, the activity involves live appearances. Richard B. Spencer, leader of a white supremacist group called the National Policy Institute, spoke at Texas A&M University in December. The university organized a large counterevent, and protesters appeared outside the venue where Spencer spoke and (holding signs) inside the room as well.
Many called on Texas A&M, which permitted the event but did not invite Spencer, to block his appearance. But the university said that, as a public institution, A&M was required by the First Amendment not to make decisions on potential events based on the views of those seeking to speak.
The report said that Spencer and others have specifically said college campuses are a target for their groups to stir controversy and (the groups hope) attract supporters. Spencer told The Washington Post that he planned a major focus on college campuses.
The posters that have been showing up on campus include phrases such as "Imagine a Muslim-Free America" and images such as classical sculptures with calls to embrace a European vision.
The report noted that on the website American Renaissance, a blog post explains the tactic of putting up these posters: "These posters can appeal to whites anywhere, but they are primarily intended for college campuses, which are especially promising because they are bastions of anti-white propaganda that gets more extreme every year. At the same time, students have easy access to alternate sources of news and information that refutes the nonsense they hear every day in class. Students are therefore perfectly primed for a push towards racial consciousness."
As to the question of why these groups are more active on more campuses, the report says that extremist white groups have viewed the results of the presidential election as a sign that they can act now, and includes quotes from white supremacists about how pleased they were with the election of Donald Trump. "White supremacists, emboldened by the rhetoric of the 2016 presidential campaign, are stepping out of the shadows and into the mainstream," the report says

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6 de março de 2017

Apesar de homenagens, professor brasileiro ganha mal e sofre mais violência

  • 3 março 2017

Escola em reserva extrativistaDireito de imagemAG. BRASIL
Image captionEstudo aponta Brasil como um dos países mais hostis para professores de escolas públicas

O vídeo de um professor surpreendido com um "corredor de aplausos" em seu último dia numa escola pública de São Paulo levou muitos leitores da BBC Brasil a compartilhar histórias de educadores que marcaram suas vidas.
Mas a homenagem a Luiz Antônio Jarcovis, que dava aula de Ciências na Escola Estadual Almirante Custódio José de Mello, também motivou comentários sobre as dificuldades vivenciadas por professores brasileiros.
Para que se destaquem, muitos deles têm de enfrentar uma série de obstáculos, como baixos salários, longas jornadas de trabalho e até o risco de agressões frequentes.
Em estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo que agrega 34 economias avançadas ou emergentes, o Brasil desponta como um dos países mais hostis para professores de escolas públicas.
Segundo a pesquisa Um Olhar sobre a Educação 2016, que compara a situação da educação em 45 países, professores brasileiros dos ensinos médio e fundamental recebem menos da metade do que a média dos países membros da OCDE.

Professor de matemática Márcio Lopes participa da aplicação das provas da Olimpíada Brasileira de Matemática nas escolas públicasDireito de imagemAG. BRASIL
Image captionNo Brasil, professores lecionam em média 42 semanas anuais

O salário médio da categoria no Brasil é de US$ 12,3 mil ao ano (R$ 38,6 mil), valor também inferior ao de outras nações latino-americanas como Chile, Colômbia e México.
Além disso, professores brasileiros são, entre todos os países do estudo, os que trabalham mais semanas ao ano.
No Brasil, eles lecionam em média 42 semanas anuais, enquanto a média da OCDE são 40 semanas no pré-primário e 37 nos cursos técnicos.

Padrões escandinavos

Em compensação, professores universitários em instituições federais públicas no Brasil recebem entre US$ 40 mil e US$ 76 mil ao ano (de R$ 125,5 mil a R$ 238,6 mil), valor mais elevado do que em vários países da OCDE e equivalente ao de países escandinavos, como Finlândia, Suécia e Noruega.
O Brasil gasta US$ 13,5 mil (cerca de R$ 42,4 mil) por aluno universitário ao ano, índice próximo à média da OCDE (US$ 15,8 mil).

Escola em reserva extrativistaDireito de imagemAG BRASIL
Image captionEm comparação com outros países analisados, Brasil investe pouco no ensino básico

Por outro lado, o gasto do Brasil com cada aluno do ensino fundamental ou médio, US$ 3,8 mil ao ano (cerca de R$ 11,9 mil), é menos da metade da média da OCDE (US$ 8,5 mil no fundamental e US$ 9,8 mil no médio).

Agressões e intimidações

Outra pesquisa da OCDE pôs o Brasil na liderança de um ranking sobre violência nas escolas.
Em 2014, a organização entrevistou mais de 100 mil professores e diretores de escola em 34 países. No Brasil, 12,5% dos educadores ouvidos disseram sofrer agressões verbais ou intimidações de alunos ao menos uma vez por semana.
A média entre todos os países foi de 3,4%.
Em alguns deles, como Coreia do Sul, Malásia e Romênia, o índice foi zero.
O estudo revelou ainda que 12,6% dos professores no Brasil acreditam que sua profissão é valorizada. A média geral foi de de 31%.

Escola na FrançaDireito de imagemAFP
Image captionTaxa de professores brasileiros que se veem valorizados é maior que a de franceses e suecos

Nesse indicador, o Brasil ficou à frente de países tidos como mais avançados em educação, como França e Suécia. Nas duas nações, apenas 4,9% dos professores disseram que são devidamente valorizados.
Os líderes da lista foram Malásia (83,8%), Cingapura (67,3%) e Coreia do Sul (66,5%).

3 de março de 2017

É possível, Cristovam Buarque


Senador pelo PPS-DF e professor emérito da Universidade de Brasília (UnB)
A crise de segurança faz do Distrito Federal parte da guerra civil brasileira e nos impõe violência: assaltos, homicídios, sequestros. Enfrentar esse problema exige soluções criativas, que foram usadas no passado. No lugar de apenas aumentar o número de cadeias, é preciso policiais preparados, parceria com o comércio, polícia comunitária, educação para a segurança, iluminação de vias e um sistema de mobilidade integrando segurança-transporte.
O atual sistema de saúde, baseado na hospitalização, fracassou. É preciso retomar a visão sistêmica. Além do atendimento aos doentes, é possível reduzir o número deles, combinando: paz no trânsito, saúde em casa, checapes gratuitos, saneamento universal, promoção de alimentação saudável, incentivo à atividade físico-esportiva, educação de práticas saudáveis nas escolas. No período em que este sistema foi adotado, entre 1995-1999, os hospitais operavam com leitos e remédios disponíveis.
A economia do DF tem de ser refeita. É preciso entender que Brasília não é mais apenas o centro urbano que abriga a capital do Brasil, como foi a ideia em sua origem, com uma população limitada. Nossa cidade tem hoje exigências econômicas e necessidade de geração de emprego para sua população crescente que vãomuito além do emprego público. Além disso, o esgotamento fiscal do governo federal fará com que os recursos do Fundo Constitucional sejam cada vez menos suficientes e mais contestados pelo resto do país. Nosso futuro vai exigir integração na busca de dinamizar a economia, especialmente na produção de bens de alta tecnologia. Os próximos governos do DF devem ter a criação de emprego como um de seus principais propósitos, reunindo, para isso, um diálogo com o comércio, a indústria, as universidades, os órgãos de fiscalização ambientais e de postura.
O futuro exige uma gestão diferente da atual. O governador não pode ser apenas o gestor dos serviços públicos e de seus servidores, deve ser um líder na dinâmica da economia, no equilíbrio ecológico e na justiça social. Nesse sentido, deve ser o principal promotor de uma nova forma de gestão baseada na eficiência dos resultados, na austeridade nos gastos, na promoção da cooperação Estado-privado a serviço do público. O que deve importar é o serviço público com qualidade, independentemente da propriedade e das regras trabalhistas serem estatais ou privadas. Essa combinação deve ser a norma na busca de atender ao interesse dos alunos, dos doentes, dos passageiros. O DF pode ser uma unidade de federação no uso generalizado dos setores estatal e privado, servindo o público de forma republicana e eficiente.
A educação não pode ser tratada apenas como um dos serviços públicos do Estado. Ela deve ser vista como o motor do progresso e do bem-estar. Devemos fazer do DF a capital brasileira da educação de base. O compromisso com a universalização e a qualidade deve ser uma meta que nos permita, em poucos anos, ser a primeira unidade da federação onde a escola privada não seja escolhida por causa da má qualidade da pública, mas sim, por uma opção da família. A classe média não se sacrificaria para pagar uma escola particular que substitua o fracasso da pública.
A educação deve ir além da escola e ser vista na plena atividade cultural, dentro e fora dela; e ser um instrumento de formação para o comportamento cívico, como já demos exemplo com o respeito à faixa de pedestre, à aplicação de multas aos sujões, aos pontos de academias ao ar livre, à coleta seletiva de lixo e à parceria com as cooperativas de carroças verdes.  A educação deve ser a plataforma para crianças se prepararem para um futuro eficiente, participativo, tolerante, cosmopolita, democrático.
Para construir o futuro não bastam ações setoriais: será preciso mudar a maneira como se faz política no DF. A política priorizando o público a longo prazo, e absoluta transparência nas relações entre governo, parlamentares e população. Para tanto, será muito positivo que a escola de administradores de cidades passe por consulta à população, no lugar de permanecer o sistema atual de conchavos para manter o controle do governo ao atender interesses dos partidos e dos parlamentares.

2 de março de 2017

Difícil prevenção




gravidez entre jovens de até 19 anos, na maioria das vezes indesejada, não constitui preocupação só no Brasil. Outros países conseguiram enfrentar o problema, que por aqui não dá sinal de queda.
Nada menos que 21,2% dos bebês nascidos no ano passado tinham mães nessa faixa etária, praticamente a mesma proporção observada uma década antes.
Estreitam-se sobremaneira as perspectivas futuras dessas moças e, por extensão, de seus filhos, 431 mil deles nascidos em 2016.
Mais de três quartos das brasileiras de até 17 anos que têm filhos estão fora da escola; 58% nem estudam nem trabalham. A maternidade adolescente, por essa via, configura um poderoso fator de perpetuação do estado de pobreza.
A educação sexual, não há dúvida, deve ser a primeira providência para que essas jovens possam fazer escolhas mais prudentes. Como, apesar dela, terminam sendo frequentes as relações desprotegidas, resta a prevenção contraceptiva.
O Sistema Único de Saúde provê vários métodos, mas alguns dependem da nem sempre confiável disciplina das adolescentes e de seus parceiros. São distribuídos a cada ano 600 milhões de preservativos e quase 20 milhões de cartelas de comprimidos anticoncepcionais.
Nos Estados Unidos, onde se conseguiu derrubar a incidência de gravidez adolescente de 10,5% do total para 5,8%, um instrumento útil foram os contraceptivos de longa duração, como implante subdérmico e dispositivo intrauterino (DIU) liberadores de hormônios.
Seu emprego para prevenir gestações indesejadas tem recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Sua vantagem está em impedir a fertilização ao longo de três a cinco anos.
No Brasil, associações de ginecologistas e obstetras propuseram ao SUS incluir os dois produtos no rol dos distribuídos gratuitamente a mulheres de 15 a 19 anos.
O pedido foi negado pelo Ministério da Saúde em 2016, sob o argumento de que faltam evidências de eficácia superior sobre os meios já oferecidos e de que haveria impacto orçamentário considerável.
Além de camisinhas masculina e feminina e pílulas, o SUS seguirá distribuindo DIU convencional, diafragma, anticoncepcional injetável mensal e trimestral e a chamada pílula do dia seguinte.
Tais opções não resultaram, até aqui, em cifras menos alarmantes. Quanto ao argumento orçamentário, cabe ponderar que 55% das gravidezes no Brasil não são planejadas e que o SUS despende R$ 4,1 bilhões anuais com atendimento hospitalar a elas relacionado.
GOLHA DE S.PAULO, 2/3/2017