28 de maio de 2017

Cristovam Buarque: Rejuvenescer a juventude


Há momentos em que as ideias precisam de pleonasmos que as expliquem melhor, tal como precisamos rejuvenescer a juventude.
Nossa geração atual de políticos fracassou. Apesar de tirar o Brasil da ditadura, estancar a inflação, fazer a economia crescer, avançar na liberação de costumes, criar programas assistenciais, aumentar o número de universitários, apesar de tudo isto, nós caímos na corrupção, não criamos coesão nacional, nem definimos rumo para a evolução nas próximas décadas. Com isso, provocamos um sentimento de desconfiança em relação aos políticos, à política e aos partidos.
Nestas condições, a crise econômica caminha para uma forma de desagregação social visível na violência generalizada, no descrédito político, na permanência da pobreza e da concentração de renda, na descrença dos jovens, na baixa produtividade e na falta de invenção na economia.
A próxima eleição de presidente, no prazo previsto ou antecipado por força da crise política, caminha para ser uma disputa entre políticos com ideias velhas e jovens militantes sem ideias próprias.
A política brasileira precisa substituir seus agentes atuais por jovens políticos. A maior dificuldade para esta renovação está na divisão da juventude: os que se recusam à ação política e preferem realizar seus projetos pessoais e aqueles que militam politicamente com ideias velhas. Os primeiros olham para frente sem ver o lado, os outros olham para trás sem perceber as mudanças em frente. Assistimos a parte dos jovens frustrados, sem motivação política; e jovens mobilizados, mas sem propostas transformadoras.
As recentes ocupações de escolas se mostraram contrárias a pequenos gestos modernizadores na educação. Não tinham o objetivo de defender avanços: fim do analfabetismo, garantia que os filhos dos pobres devem ter o direito de estudar na mesma escola dos filhos dos ricos.
Ao não propor novas ideias, a juventude militante passa a impressão de que está contra a modernização sem perceber a necessidade de mudanças e não parece sintonizada com o “espírito do tempo” das grandes transformações em marcha.
Apenas seguem palavras de ordem da geração anterior, que não foi capaz de apresentar ideias compatíveis com o futuro. Por outro lado, a juventude sintonizada com os avanços técnicos parece preferir cuidar de seus projetos pessoais.
Apesar de jovens, são militantes conservadores por omissão política e pela defesa de conceitos superados, alguns não entendem as necessidades de transformações sociais, outros reagem na contramão da rápida marcha rumo ao avanço técnico.
O Brasil corre o risco de estancamento se seus jovens ficarem alheios ao progresso social ou contrários ao progresso técnico; submissos às velhas lideranças e a velhos conceitos. O futuro precisa subverter as novas gerações, renovando-as para que se façam contemporâneas.
Um dos maiores desafios dos políticos do país é atrair os jovens para a militância e subverter suas ideias para formularem novos pensamentos, novas formas de organização e de militância, livres dos velhos conservadores saudosistas de um progressismo que ficou reacionário.

27 de maio de 2017

Tedesco: Gracias, Juan Carlos por Horacio Finoli


Me enseñaste que para saber de educación, no sólo hay que leer de
educación.
Insistías siempre que Finlandia, antes que el ejemplo a seguir,
es un país con pocas deudas sociales.
Mirando televisión o leyendo los diarios, me pregunto si tu preocupación
por la formación de los periodistas no fue inútil.
Hay que investigar mucho para descubrir si alguien hizo por la equidad
social a través del conocimiento, más que vos.
La aparición de “El año de la muerte de Ricardo Reis”, a mediados de los
ochenta, sirvió para que habláramos de José Saramago, que te encantaba,
y de literatura.
Fueron los años de tu obsesión porque se ensanchaban las desigualdades
en América Latina y decías que, para achicarlas, no alcanzaba el
diagnóstico.
Tengo presente a los que te corrieron por derecha, al incorporarte al
sistema de Naciones Unidas, y a los que lo hicieron por izquierda, cuando
fuiste ministro del peronismo. Ellos siguen jugando al mejor postor.
Te pusiste en el bolsillo la abstracción de la academia y no usaste la
camiseta del fanatismo en la política.
Tu impronta de tantos años en la UNESCO y en FLACSO, fue como el gol
del Chango Cárdenas en Montevideo al Celtic: quién no lo recuerda?
Buenos Aires te podía: viviendo en Ginebra, salías de tu casa para el
Bureau International of Education, con la frase: “…tomo por la Juan B.
Justo derecho y llego rápido a la oficina…”
Me recomendaste una bibliografía adecuada para un autodidacta…porque
aunque falten los clásicos, yo te sigo leyendo.
El traje de pibe de barrio, es el que mejor te queda, porque llegaste a ser
el virtual ministro de Educación del mundo…un cambio que verán los
docentes y los chicos del siglo XXI.

Brasil afasta melhores alunos da docência, dizem especialistas


Reinaldo Canato/Folhapress
Segunda mesa do 2º Fórum Inovação Educativa, que aconteceu em São Paulo nesta quinta (25)
O Brasil não atrai seus melhores alunos para a carreira docente. A falta de valorização social, salários baixos, desrespeito dos próprios alunos e condições ruins de trabalho acabam afastando aqueles que cogitam escolher ser professor.
É a conclusão de especialistas que participaram da última mesa do 2º Fórum de Inovação Educativa, promovido pela Folha em parceria com a Fundação Telefônica Vivo e com apoio do movimento Todos Pela Educação, nas manhãs de quarta (24) e quinta-feira (25).
"Não queremos ficar ricos. O problema é o professor precisar vender perfume no intervalo, fazer pão e bolo para vender", disse Juçara Vieira, ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. "Temos que conseguir nos dedicar exclusivamente à profissão, podendo viver com dignidade e conforto".
Para Priscila Cruz, fundadora e presidente do movimento Todos Pela Educação, a sociedade precisa superar a ideia de que professores se equiparam a sacerdotes que devem trabalhar por amor. "Professor não é padre. Temos que tratá-los como profissionais, com progressão de carreira".
"Dá pra dizer sem medo de errar que o professor é o principal profissional do país, mas não agimos como se fosse. Todo mundo sabe que ele não é valorizado", disse.
Para José Carlos Rothen, pesquisador da UFSCar, um dos grandes problemas que afetam a qualidade da educação é que os poucos jovens que escolhem a carreira de magistério acabam evitando lecionar na educação básica por conta dos baixos salários, das condições de trabalho e da falta de progressão.
"A carreira só é digna se você puder fazer parte de uma minoria que dá aula em escola de grife ou universidade. Então a educação só é boa para uma minoria também."
Para o pesquisador, o modelo de descentralização de gestão, que coloca Estados e municípios como responsáveis pela educação, precisa ser repensado.
"Um município com 20 mil pessoas não possui infraestrutura para trabalhar a formação de professores. Embora a escola seja responsável, ela não pode ser culpada por um sistema falho", disse.
Luciana Caparro, professora da escola municipal Desembargador Amorim Lima, conhecida pelo seu modelo de qualidade de ensino, disse que no momento em que se formou, o professor trabalhava com "muito pouco, quase nada".
"Era impensável desenvolver algum projeto ou trabalho diferente com os estudantes", continuou. Para ela, o professor precisa encarar as limitações de carreira como um desafio para remontar a realidade de ensino.
Caparro acredita, porém, que esse modelo só pode ser reproduzido em larga escala com um alto investimento para reverter essas limitações.

MEC flexibiliza regras para educação à distância no ensino superior


Márcia Ribeiro - 18.dez.10/Folhapress
Turma de ensino à distância da USP Ribeirão; decreto do MEC flexibiliza regras para esse tipo de ensino
Turma de ensino à distância da USP Ribeirão; decreto do MEC flexibiliza regras para esse tipo de ensino
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Um decreto do MEC (Ministério da Educação) publicado nesta sexta-feira (26) flexibiliza as regras para a oferta de EAD (Ensino a Distância) no ensino superior.
O documento também liberava esse tipo de aula nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), mas o governo voltou atrás e afirmou que vai revogar essa parte do decreto.
Publicada no "Diário Oficial" da União, a nova regulamentação para o EAD no ensino superior tira a necessidade de autorização prévia do MEC para abertura de polos para esse tipo de ensino. Os alunos dessa modalidade precisam realizar atividades, como avaliações, nesses polos, o que vincula a oferta de cursos à existência desses espaços.
Agora, as instituições que tiverem autorização do MEC para cursos a distância terão autonomia para a abertura dos polos. O decreto prevê, entretanto, que essa expansão dependerá dos indicadores de qualidade.
Os critérios para isso serão definidos em regulamentação futura. Representantes das instituições privadas de ensino superior indicam que, nas conversas com o MEC sobre essa legislação, a regra sobre quantidade de polos por instituição estará ligada às notas nos indicadores de qualidade garantidas pela instituição. Quanto maior a nota, mais polos a instituição poderá abrir.
Com o esvaziamento de recursos do Fies (financiamento estudantil do governo federal), o setor privado vê no EAD o maior potencial de expansão de matrículas no ensino superior. As instituições privadas sempre se queixaram da morosidade do MEC para a aprovação de polos.
Janguiê Diniz, presidente da ABMES (Associação Brasileira das Mantenedoras do Ensino Superior), considerou a decisão uma "modernização" do setor educacional. "Confere mais autonomia para as instituições, desde que olhando a qualidade", diz.
"É uma atitude de vanguarda, Brasil se equipara ao que acontece por exemplo nos Estados Unidos. Existe a avaliação e depois as instituições tem autonomia para a expansão". Janguiê é dono da Ser Educacional, um dos maiores grupos de educação superior do país.
Os indicadores de qualidade do ensino superior calculam hoje as modalidades EAD e presencial de forma conjunta. Assim, não é possível atualmente detalhar a qualidade dos cursos à distância de forma separada.
Segundo Rodrigo Capelato, do Semesp (Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior), os indicadores podem ser aperfeiçoados nesse sentido, usando, inclusive, informações que o MEC já colhe. "Vai melhorar a ampliação de oferta de cursos, gera diversidade e maior competição", diz.
O decreto permite que os polos sejam criados em parcerias com instituições não educacionais. As instituições públicas que não tinham autorização para EAD receberam credenciamento automático para a modalidade, segundo o texto.
EDUCAÇÃO BÁSICA
O decreto autorizava ainda a adoção de ensino a distância em qualquer disciplina dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano). A oferta ficaria liberada para alunos que estejam "privados da oferta dessa disciplina", o que inclui a falta de professores contratados, por exemplo.
Após questionamentos da Folha, no entanto, o MEC encaminhou nota em que afirma que "houve erro material na redação" do artigo que trata do tema. A retificação será enviada para publicação no "Diário Oficial" da União na próxima segunda-feira (29).
Os termos de um decreto de 2005 (nº 5.622), que tinham sido revogados, serão restabelecidos, segundo o MEC. Neste texto, a educação à distância só podem ser oferecidas em duas ocasiões: complementação de aprendizagem e situações emergenciais. O decreto desta sexta-feira ampliava o que se chama de "situações emergenciais".
O Brasil vive uma crise nos anos finais da educação básica, com resultados estagnados em níveis muito baixos. Dos cerca de 1,6 milhão de jovens de 15 a 17 anos que estão fora da escola, metade abandonou os estudos ainda no fundamental. A etapa também não tem apurado a melhoria de resultados dos anos iniciais.
Com a reforma do ensino médio, aprovada neste ano após tramitação de medida provisória, o MEC já havia flexibilizado a adoção de ensino a distância nesta fase.
Amábile Pacios, diretora da Fenep (Federação Nacional de Escolas Particulares) diz que a legislação é positiva. "Não vai piorar a situação, mas depende de como se fará essa oferta", disse ela durante o Congresso Brasileiro de Ensino Superior Particular, que ocorre até sábado em Gramado (RS). "É uma possibilidade de ampliar o currículo, como na oferta dos itinerários do ensino médio".
reforma do ensino médio prevê que em torno de metade da grade curricular seja uma comum a todos, com conteúdos definidos pela Base Nacional Comum Curricular. O restante deve ser por área de conhecimento, a partir da escolha do aluno. As áreas previstas são matemática, linguagens, ciências da natureza, ciências humanas ou ensino técnico.
A existência dessas opções para os alunos dependerá das escolas e redes. A base para o ensino médio ainda está em discussão dentro do MEC e não deve ficar pronta neste ano.
O repórter viajou a convite do Congresso Brasileiro de Ensino Superior Particular 

QUESTIONAMENTO DA AUTORIDADE DOS PROFESSORES


Novas pressões sociais afetam trabalho dos professores nas classes

LUCIANA ALVAREZ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Quando o oficial de Justiça chegou com uma intimação, o professor Odilon Oliveira Neto achou que se tratava de brincadeira. Era sério: se tornara réu num processo movido pela mãe de um aluno, de quem ele tirou o celular durante a aula.
“Não me arrependi, mas vivi seis meses de apreensão até a decisão”, conta o docente de ciências de uma escola municipal em Tobias Barreto (SE). Acabou inocentado e, dois anos após o caso, diz que não mudou sua conduta.
O episódio ilustra novas pressões que afetam o trabalho dos docentes. Segundo Marcelo Ganzela, coordenador do Instituto Singularidades, as universidades precisam preparar o futuro professor para esse cenário. “Quem saiu da faculdade ano passado já está desatualizado. O curso tem que preparar o professor de forma que ele tenha autonomia para continuar sua formação”, diz.
Gazela considera que o movimento de ocupação de escolas em 2016 também aumentou o questionamento da autoridade em sala, o que gerou um ressentimento nos docentes. “Mas os professores são o lado mais experiente, não podem ficar magoados”, diz ele, que dá aula em uma escola que foi ocupada.
Além da perda de autoridade, a exposição nas redes sociais é outro ponto de tensão. Depois que passou a aceitar alunos no seu perfil no Facebook, o professor de filosofia na rede estadual paulista Regis Coutinho começou a ouvir piadas a respeito de sua orientação sexual.
Para ele, a maioria dos alunos não se incomoda com o fato de ele ser homossexual. “Mas se você os desagrada em aula, vai para o embate, eles usam isso como arma”, diz.
Para evitar esse tipo de situação, a advogada Patrícia Peck recomenda que professores separem o perfil profissional do pessoal. “Antigamente, quando batia o sinal, o professor tirava o jaleco e virava um indivíduo. Hoje o desafio é delimitar essa fronteira”, diz ela.
Ela acrescenta que a medida é importante para evitar problemas com questões políticas. “Um comentário político pode confundir a figura do educador na cabeça do jovem”, diz a advogada.

APRENDENDO A EDUCAR


Bolsa de iniciação à docência ajuda a superar dificuldades

EVERTON LOPES BATISTA
DE SÃO PAULO
A estudante Jéssica Jorge, 26, nunca havia pensado em se tornar professora quando ingressou na graduação em Ciência e Tecnologia da Ufabc (Universidade Federal do ABC), na Grande São Paulo.
“Achava o trabalho muito difícil e sem amparo. Eu tinha resistência”, conta ela.
Tudo mudou após a convivência com os “pibidianos” -alunos de cursos que formam professores, as licenciaturas, e que participam do Pibid (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência), financiado pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), agência ligada ao MEC para incentivar a ciência e a formação docente.
Jéssica se matriculou em disciplinas da licenciatura e, em 2015, tornou-se ela também uma “pibidiana”.
“Depois de participar do programa, vi que as dificuldades podem ser superadas”, afirma a estudante.
Desde 2009, 170 mil estudantes em cerca de 280 faculdades e universidades já participaram do programa. Hoje, 72 mil alunos fazem parte da iniciativa. Todos recebem bolsa mensal de R$ 400.
Descrita por alunos e professores como “estágio ideal”, a bolsa coloca licenciandos por mais tempo na escola em relação ao estágio convencional. Eles observam e dão aulas com suporte e avaliação de um profissional mais experiente.
“É um programa que desconstrói e valoriza a profissão. Permite ao graduando vivenciar a prática docente e o cotidiano da escola e, também, dá espaço para reflexão e pesquisa”, afirma Meiri Miranda, coordenadora institucional do Pibid na Ufabc.
A reflexão e o maior contato com a escola são considerados pelo professor de física Yukyo Pereira Takahashi, 26, essenciais em sua formação.
Ele foi bolsista do Pibid durante sua graduação na Utfpr (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), em Curitiba, e leciona há quatro anos.
“O que vi nesse período me ajuda a enfrentar o cotidiano da profissão ainda hoje”, diz.
CORTES
O orçamento, que em 2009 era de R$ 20 milhões, teve seu pico em 2015, quando alcançou os R$ 514 milhões.
Em 2016, porém, o valor total ficou em R$ 493 milhões, uma queda de 5%.
A redução é reflexo da diminuição em cerca de 25% do orçamento da própria Capes.
Segundo Abilio Baeta Neves, presidente da instituição, o programa foi menos afetado do que outros. Ele descarta o fim da iniciativa e diz que a Capes trabalha pela valorização do Pibid em universidades. “O programa deve ser visto como parte da formação docente”, afirma.

EDUCAÇÃO CONTINUADA para PROFESSORES


Escolas investem na atualização de professores para melhorar conexão com os alunos

NÁDIA PONTES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Uma vez por semana, uma roda de conversa reúne os alunos do Bandeirantes, colégio de elite da zona sul de São Paulo, em torno de assuntos que “não caem nas provas”. Mesmo assim, atrai todo mundo para participar da discussão.
Educação ambiental, prevenção às drogas, valores e desenvolvimento moral guiam o bate-papo, que segue uma metodologia.
“Há um grupo de professores que prepara a aula, os temas e passa por um processo constante de formação”, fala Maria Estela Zanini sobre o programa Convivência em Processo de Grupo.
Bióloga de formação, Maria Estela coordena a equipe, dá aulas e pesquisa a relação de professores no mestrado que faz na PUC, em São Paulo. A escola arca com os custos da pós-graduação e diminuiu a carga horária da professora, sem que houvesse redução no salário.
“É preciso investir no professor para que ele consiga trabalhar dentro dessa nova relação de diálogo com o aluno”, afirma Mauro de Salles Aguiar, diretor do Bandeirantes, que apoia financeiramente docentes que optam por mestrado ou doutorado no exterior.
Para lidar com o perfil do aluno que tem acesso ilimitado a informações, o colégio Santa Maria, também na zona sul paulistana, com 133 professores, mantém reuniões pedagógicas semanais.
“O ponto focal é sempre a relação dos alunos com o conhecimento. Discutimos sobre como melhorar a qualidade dessa relação. Temos uma base teórica e propostas de prática”, afirma a diretora Maria Cristina.
CONTEÚDO
Em busca de evidências do que funciona em formação continuada de professores, Gabriela Miranda Moriconi, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, encontrou cinco pontos-chave.
Programas que trabalham conhecimento pedagógico do conteúdo (quando o professor compreende como a disciplina é organizada), com métodos ativos de aprendizagem -de duração prolongada e coerentes– surtem impactos mais positivos, segundo a revisão de literatura.
O relatório da fundação, em fase final de edição, aponta que professores aprendem ativamente quando analisam o perfil e o contexto dos alunos a partir de estudos de caso, planejam uma sequência didática e vivenciam as atividades que devem ser desenvolvidas com os alunos.
“Métodos ativos de aprendizagem são mais difíceis de encontrar no Brasil”, analisa Moriconi. “Nosso estudo mostrou também que não adianta muito oferecer um workshop de um dia pressupondo que os professores irão aplicar o que aprenderam na sala de aula depois”, fala a pesquisadora da Fundação Carlos Chagas a respeito da importância da duração prolongada dos cursos.
Inaugurado em 1980 juntamente com a escola, o Centro de Formação da Escola da Vila é procurado por quem busca articular teoria e prática. “Isso gera um resultado muito positivo, pois as mudanças em sala de aula são rápidas e consistentes”, afirma Sonia Barreira, diretora pedagógica.
Segundo a visão de Sonia, a experiência nos cursos de formação ajuda os professores a encontrar novos sentidos para a vida profissional.
“Eles passam a acreditar mais na capacidade de aprender dos seus alunos e começam a ver mais significado no estudo das ciências que aportam conhecimento para a educação”, opina.