29 de abril de 2012

Un Internet para ricos y otro para los demás


La desigualdad económica también se manifestará en la Red


Dos de las principales tendencias actuales son el acelerado acceso de la población mundial a Internet y la agudización de las desigualdades socioeconómicas. En el futuro estas dos tendencias van a converger. Existirá un internet para quienes más tienen y otro para los demás. Esto no significa que vaya a haber dos "redes" diferentes, o que Internet para los usuarios de menores ingresos deje  de ofrecer las maravillosas posibilidades que nos ha abierto a todos, sin distinciones de edad, nivel económico o nacionalidad. De hecho, la popularización de Internet ha servido para contrarrestar, en alguna forma, la concentración de la riqueza, los ingresos y el poder que se da en muchos países.
Pero el problema que vislumbro -y que en cierta medida ya esta aquí- es que quienes menos tienen serán mas victimizados a través de Internet que quienes dispongan de los medios para protegerse. ¿Protegerse de qué? De ser mordidos por la "otra" Internet, la que esta envenenada.
La masificación de la Red ha sido una bendición, pero también ha traído problemas que, lamentablemente, se agravaran a medida que el numero de usuarios siga creciendo. Los problemas los conocemos y todos los hemos sufrido: virus, spamshacking, perdida de privacidad, etc. Y estas no son las únicas amenazas: las transacciones fraudulentas y el "robo de identidad" son delitos en ascenso. Este último es uno de los más peligrosos por su acelerado crecimiento y por los inmensos perjucios que causa a sus víctimas, que además de sufrir pérdidas económicas suelen verse condenados a pasar meses o hasta años "limpiando" su nombre y reparando su dañada reputación. De acuerdo a un estudio de Symantec, una empresa especializada en temas de seguridad en Internet, en el 2012 las pérdidas a nivel mundial por delitos perpetrados en la red alcanzaron los 114.000 millones de dólares.
Desde esta perspectiva no es aventurado pronosticar que la experiencia en Internet que tendrá un usuario de bajos ingresos en India, Italia o Canadá, por ejemplo, será muy diferente de la de otro que tenga los medios para comprar las mejores protecciones que ofrezca el mercado. La "brecha digital" entre países pobres y ricos se reproducirá dentro de cada país ya que los usuarios menos pudientes vivirán en un mundo de Internet mas peligroso que sus compatriotas mas adinerados. Esto se debe a que no bastará con tener un simple programa "antivirus": será necesario gastar fuertes sumas en protecciones y barreras tan sofisticadas como los muy avanzados programas que envenenan la Red. Si organismos de inteligencia, grandes bancos, empresas y todo tipo de instituciones que invierten ingentes sumas en fortificar sus defensas contra los ciberataques son regularmente invadidos por loshackers, es natural que los individuos seamos aún más vulnerables.
Las ganancias ilegales que se pueden obtener inventando programas capaces de penetrar las defensas antivirales y otras protecciones son enormes, por lo que inevitablemente en todo el mundo hay mucha gente talentosa dedicada a crear productos y técnicas que hacen de Internet un hábitat aun más peligroso. Además, y para complicar las cosas, esta actividad criminal es fácil de realizar a gran escala e internacionalmente. Los adolescentes hackers pueden comenzar penetrando las redes de sus colegios y los correos electrónicos de sus amigos, pero rápidamente descubren que es posible hacerlo en otros países o hasta intentarlo contra objetivos mas apetecibles. El director de seguridad de un banco global me dijo que su institución sufre miles de ciberataques diariamente. John Brennan, el principal asesor de la Casa Blanca para el antiterrorismo, afirma que "en un día laborable cualquiera, las empresas en todos los sectores de la economía son sometidas a una incesante andanada de ciberataques. Se les roba su propiedad intelectual, los diseños de nuevos productos o la información personal de sus clientes. Los datos más sensibles sobre sistemas de defensa y armamentos también están en riesgo… Solamente el año pasado, hubo mas de 200 ciberataques, algunos exitosos y otros fallidos, contra los sistemas de control de nuestras redes eléctricas, sistemas de trasporte, acueductos y refinerías; cinco veces más que en el 2010".
Pero la desigualdad en Internet no se deriva solo de los mayores o menores medios de protección. También se producirán sustanciales brechas entre quienes puedan acceder a contenidos periodísticos de más alta calidad, que requieren de un pago, y quienes solo acceden a la información gratuita que circula en la Red. De esto último seguirá habiendo cada vez más, y gratis. De contenidos que ayudan a entender objetivamente lo que significa esa información habrá mucho menos. El periodismo de calidad será de pago. Y eso nos dividirá aún más. Es, por tanto, muy urgente combatir estas tendencias.

Salário de docente no Canadá paga 2 no Brasil


Professor universitário brasileiro vive 'sem conforto', segundo estudo internacional que fez pesquisa em 28 países

Levantamento compara salários de instituições dos cinco continentes; no Brasil, instituições públicas pagam melhorSABINE RIGHETTI
DE SÃO PAULO
Ser professor universitário no Brasil pode não ser mais tão vantajoso. Um estudo inédito que compara o salário de docentes de 28 países mostra que as universidades por aqui têm bons benefícios, mas deixam a desejar nos holerites.
Em média, um professor universitário no Brasil ganha U$S 4.550 mensais (cerca de R$ 8.500) quando atinge o topo da sua carreira.
Isso corresponde a cerca de metade do que receberia em instituições do Reino Unido ou do Canadá (veja infográfico).
Considerando o custo de vida local, um docente brasileiro não consegue viver "com conforto", afirma o trabalho.
A compilação está no livro "Paying the Professoriate" (Pagando os Professores, Ed. Routledge), lançado neste mês. O trabalho foi coordenado pelo Centro Internacional de Ensino Superior da Boston College (EUA) e pela Universidade Nacional de Pesquisa de Moscou (Rússia).
No Brasil, os maiores salários estão nas universidades públicas, que concentram 91,6 mil dos 132,4 mil professores com dedicação integral.
Apesar de receberem mais, os docentes dessas instituições têm o pagamento padronizado conforme cargo e formação. Ou seja: professores titulares de universidades estaduais paulistas, por exemplo, terão o mesmo holerite.
"Os salários fixos são um problema quando se quer trazer pessoas excepcionais para o ensino superior nacional", analisa o sociólogo e cientista político Simon Schwartzman, autor do capítulo brasileiro do estudo.
Universidades públicas de países como China e EUA, por exemplo, podem fazer propostas e contratar docentes conforme desejarem -inclusive estrangeiros.
Isso cria um ambiente de competitividade que, dizem especialistas, pode ser benéfico para as universidades.
Os salários analisados no trabalho, porém, não consideram alguns benefícios. Docentes com cargos administrativos, como chefia de departamento, recebem extras.
BOLSA E APOSENTADORIA
Se a produtividade científica for alta, o complemento vem do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento), que paga uma bolsa mensal de R$ 1.300,00.
"Em geral, as condições de trabalho na universidade brasileira são boas e atrativas", analisa Schwartzman.
Além disso, vantagens como a estabilidade de emprego e a aposentadoria integral também atraem os docentes às instituições públicas.
A pesquisa destaca ainda que o "engessamento" de salários evita desníveis entre regiões do país, áreas do conhecimento ou gênero.
É o que ocorre, por exemplo, no Canadá. Lá, uma professora ganha 20% menos do que um colega homem.




No país, ensino superior privado fica para trás
DE SÃO PAULO
Apesar de os maiores salários estarem nas universidades públicas, a maioria dos alunos do país (75%) está nas instituições privadas.
Nessas, a prevalência é de docentes com dedicação parcial (81%). Ou seja: eles têm mais de um emprego.
A capacitação também é melhor nas públicas -48% dos professores têm doutorado. Nas privadas, são 8%.
Para o sociólogo Simon Schwartzman, autor da parte brasileira do estudo, nas privadas a ordem é o ensino ser barato. "Significa pagar pouco a docentes e investir pouco na infraestrutura."



Justiça já condena jovens envolvidos em bullying


Adolescentes tiveram de prestar serviços à comunidade como punição

Acusações são de agressão, injúria e difamação; cresce envolvimento de alunos de classe média altaGIBA BERGAMIM JR.
DE SÃO PAULO
"Você escolheu apanhar." "Toma cuidado ao andar em 'Higi'." As frases foram escritas por jovens de 12 a 15 anos e extraídas de mensagens em celulares ou murais de redes sociais como o Twitter.
Mas também constam de uma representação por ato infracional em andamento numa das varas de Infância e Juventude da capital, apresentada pela mãe de uma adolescente de 14 anos que diz ter sido alvo de ofensas e ameaças feitas pelas colegas.
Casos de bullying -seja virtual como este ou os em que ataques são feitos pessoalmente- têm chegado à Justiça e resultado na condenação de adolescentes.
Em 2011, a Justiça recebeu seis denúncias do tipo. Em duas delas, jovens foram condenados a prestar serviços comunitários. Os outros quatro estão em andamento na Promotoria de Infância.
As ações são resultado de um convênio do Ministério Público Estadual com as secretarias municipal e estadual de Educação para receber as denúncias diretamente.
Como bullying não é crime, os registros são de agressão, ameaça, injúria (imputar fato ofensivo à reputação) e difamação (ofensa).
Antes disso, pais de crianças que se sentiam ofendidas ou eram agredidas por colegas registravam queixas em delegacias que depois eram encaminhadas à Vara de Infância, o que tornava o processo mais demorado.
Os promotores Thales de Oliveira e Mario Bruno Neto apresentaram em 2011 um projeto para transformar o bullying em crime.
De acordo com a ideia discutida dentro do Ministério Público, expor alguém a constrangimento público, escárnio ou degradação física e moral resultaria em prisão (de um a quatro anos).
Se o autor for menor, o ato infracional poderia acabar em internação na Fundação Casa (antiga Febem).
Caso o delito seja cometido por meios virtuais -o chamado cyberbullying- a pena poderia aumentar.
Iniciativas semelhantes já foram apresentados no Congresso Nacional.
As autoras das frases acima são jovens de classe média alta, moradoras de bairros nobres da zona oeste paulistana -o "Higi" é uma gíria para Higienópolis-, todas alunas de colégios particulares da cidade cujas mensalidades beiram os R$ 2.000.
Segundo o promotor Oliveira, esse perfil de adolescentes é cada vez mais comum nas denúncias. "Já tivemos processos envolvendo jovens de classe média alta, mas as escolas ainda tem resistência em reconhecer os casos de bullying", disse.


Advogada pede punição para sete jovens
Representação por calúnia foi apresentada em Vara da Infância após garota de 14 anos ser alvo de ofensas de colegas
Ação pede retratação no Twitter e no Facebook, além de prestação de serviços em hospitais públicos da capital

Eduado Knapp/Folhapress
Jovem xingada nas redes sociais afirma que tinha medo de ser atacada; ela é vítima numa ação apresentada à Justiça
Jovem xingada nas redes sociais afirma que tinha medo de ser atacada; ela é vítima numa ação apresentada à Justiça

DE SÃO PAULO
Ao acessar o Twitter e as mensagens no celular, a jovem Joana (nome fictício), 14, se deparou com ofensas e acusações de ter roubado uma peça de roupa de uma colega da turma.
Estudante do colégio Mackenzie, ela mudou de escola. Mesmo assim, repetiu de ano em outra unidade. Hoje, tem aulas num colégio em outro bairro de São Paulo.
Dizendo-se cansada de ver a filha chorando e com medo, a mãe dela, a advogada A., 48, entrou com uma representação por calúnia (imputar falsamente a alguém um crime) contra sete jovens.
A mãe espera retratações das garotas nas redes sociais. Também pede ao juiz que as meninas prestem serviços comunitários em hospitais. Segundo a família, as jovens cometeram bullying durante sete meses contra a jovem.
'BONDE DO BLACK BERRY'
Em julho de 2011, após um desentendimento por causa de um rapaz com quem ela havia "ficado", as garotas começaram a atacá-la, segundo a própria jovem.
Joana disse que as colegas a atacavam porque o garoto era ex-namorado de uma jovem da turma. Depois, passaram a acusá-la de se apropriar de roupas das amigas.
Iniciada a rixa, as acusações passaram a ser publicadas no Twitter e mandadas pelo BBM (programa de mensagens instantâneas em celular).
Amigos da vítima apelidaram as jovens de "bonde do Black Berry" e "Meninas Más de Higienópolis".
Segundo A., o perfil da filha no Twitter ganhou textos com conotação sexual que não foram escritos por ela. Para a família, a conta da garota foi alvo de hacker.
A mãe disse que, a partir de janeiro, Joana se viu proibida de circular por Higienópolis, a ponto de ser perseguida dentro do shopping do bairro.
"Vi minha filha em depressão e com medo de sair de casa", conta. "Por causa disso tudo, tive que trocá-la de escola e colocá-la na terapia", afirmou.
(GIBA BERGAMIM JR.)



ENTREVISTA
'Tinha medo de apanhar na frente de todo mundo'
DE SÃO PAULO
Joana (nome fictício), 14, diz que não conseguia sair de casa com medo de ser atacada por colegas.
Folha - O que aconteceu?
Joana - Não queria sair de casa, fiquei acabada. As meninas que, dias antes, eram as melhores amigas, por uma coisa nada a ver, brigaram comigo. Fiquei sem ninguém.
Elas te atacaram?
Começaram a me xingar de coisas horríveis.
Você, então, saiu da escola por medo?
Elas me falavam: 'vou te pegar, custe o que custar'. Eu ligava para a minha mãe e perguntava como sairia da escola. Tinha medo de apanhar e ser humilhada na frente de todo mundo.
Se sentiu humilhada?
Pedi desculpas, mesmo sem ter feito nada para ver se elas paravam de me ameaçar. Mas me xingavam mais. Diziam que eu roubava roupas delas.
Aí você mudou de escola?
Sim. Mas até lá era perseguida. Via as meninas à minha espera na rua. Sempre tive aula sobre bullying. Toda semana a gente aprendia sobre esse assunto. Eu pensava: que horror. Imagine como sofre a pessoa?


MARCELO GLEISER Um caminho tortuoso



Apresentar a ciência como um triunfalismo infalível da civilização esconde o drama da descoberta
Do jeito que a ciência é ensinada nas escolas, não é à toa que a maioria das pessoas acha que o conhecimento científico cresce linearmente, sempre se acumulando.
No entanto, uma rápida olhada na história da ciência permite ver que não é bem assim: o caminho que leva ao conhecimento é tortuoso e, às vezes, vai até para trás, quando uma ideia errada persiste por mais tempo do que deveria.
Isso pode ocorrer por razões como censura política (veja o caso de Trofim Lysenko durante o regime stalinista na União Soviética) ou por ideologias na classe científica, promulgadas por membros influentes.
Apresentar a ciência nas escolas e universidades ou nos meios informais de comunicação como um triunfalismo infalível da civilização esconde um de seus lados mais interessantes: o drama da descoberta, as incertezas da criatividade.
Cientistas tendem a reagir negativamente às ideias que ameaçam o status quo. Por um lado, esse ceticismo é essencial, dado que a maioria das ideias novas está errada. Por outro, ele pode revelar um conservadorismo que atravanca o avanço do conhecimento.
Um bom exemplo disso é o experimento de Albert Michelson e Edward Morley, realizado em 1887 para detectar o movimento da Terra através do éter, o meio material cuja função era servir de suporte para a propagação das ondas de luz.
Tal qual as ondas de som se propagam no ar, supunha-se que as ondas luminosas também necessitassem de um meio para se propagar, o éter. O experimento mediria as diferenças na velocidade da luz quando um raio luminoso ia contra o éter ou a favor, como quando andamos de bicicleta e sentimos um "vento" contra nosso corpo. (Uma bola jogada contra ou a favor do "vento" terá velocidades diferentes.)
Para total e completa surpresa da comunidade científica, o experimento não detectou diferenças na velocidade da luz em qualquer direção.
Em meio à perplexidade generalizada, várias tentativas de explicar o achado foram propostas, inclusive uma por George Fitzgerald e Hendrik Lorentz que sugeria que as hastes do aparato podiam encolher na direção do movimento. Esse encolhimento de fato existe, mas não como proposto pelos dois.
Apenas em 1905 Einstein explicou o que estava acontecendo, com sua teoria da relatividade especial: o éter não existe -a velocidade da luz é sempre a mesma, uma constante da natureza.
Observações recentes andam questionando a existência de um outro meio material ainda não detectado, a matéria escura. Essa matéria, supostamente feita de partículas diferentes das que compõem o que conhecemos no Universo (ou seja, coisas feitas de elétrons, prótons e nêutrons), deve ser seis vezes mais abundante que a matéria comum e se aglomerar em torno de galáxias, inclusive a nossa.
As observações não detectaram a quantidade esperada de matéria escura. E agora? A coisa é complicada porque existem outros métodos de detecção da matéria escura que parecem bastante claros. Qualquer que seja a resolução do impasse atual, estou certo de que algo de novo e surpreendente está para acontecer. Será interessante ver a reação da comunidade ao se deparar com o inesperado.
MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita".

PAUL SINGER A iniciativa que veio do Himalaia: o PIB



Danos ambientais como efeito estufa e extinções não entram no PIB. O esforço de limpeza criado por um derramamento, aliás, faz com que fique maior
O PIB é o grande objeto de desejo das forças que governam nações. Ele é a somatória das transações -compras e vendas- realizadas nos mercados de um país em um ano.
Como a grande maioria dos bens e serviços produzidos se destina à venda, o valor de todas as transações corresponde ao total de mercadorias produzidas.
De um modo ou outro, as mercadorias produzidas são transacionadas e passam a satisfazer necessidades e desejos dos que as adquiriram. Daí a noção de que o PIB mede a riqueza produzida, que ao ser consumida passa a ser a causa eficiente do bem-estar da população.
Daí a importância econômica e política do PIB e de sua variação anual, pela qual se mede o sucesso ou o fracasso dos governos. Se não for o único medidor, é certamente um dos mais importantes.
Por isso, as nações se esforçam pela expansão perene e intensa de seu PIB. Mas, apesar de seu prestígio, o PIB, enquanto medidor indireto de bem-estar, tem lacunas.
A primeira é não incorporar o desgaste de recursos naturais, porque ninguém precisa pagá-lo. Evidentemente, se a terra sujeita a sucessivos plantios e colheitas perde a fecundidade, alguém pagará no futuro. O mesmo vale para o esgotamento de jazidas de petróleo, de minerais e da extinção de espécies de peixes e outras prendas da natureza.
Essa lacuna do PIB se torna mais grave quando a humanidade se defronta com os efeitos acumulados do consumo de combustíveis fósseis, que agravam o efeito estufa, aquecendo o planeta e trazendo calamidades. O PIB, além de não medir o custo da perda dos recursos naturais, contabiliza como positivos os gastos das nações para lutar contra desastres naturais como incêndios florestais, poluição de oceanos por derramamentos de petróleo, terremotos e maremotos.
Quanto mais desastres um país sofre, mais o seu PIB aumenta, de modo que o seu crescimento às vezes não representa o aumento do bem-estar do povo, mas a redução.
A outra lacuna do PIB é que ele ignora a forma como os produtos são distribuídos entre a população. Para medir a contribuição do PIB ao bem-estar popular, o seu valor é dividido pelo número de habitantes do país - daí o PIB per capita, que pressupõe que todos participam dele por igual, o que nunca ocorre.
No capitalismo neoliberal hoje prevalecente, a desigualdade de renda está em aumento: os pobres, em sua maioria, ficam mais pobres, e os ricos ficam ainda mais ricos.
Por causa dessas falhas do PIB, ganha importância a iniciativa do Butão, um pequeno reino no Himalaia, que no ano passado propôs à Assembleia Geral da ONU que a contabilidade nacional adotada pelas nações substitua o PIB pelo FIB, a Felicidade Interna Bruta, que o próprio Butão adota desde 2008.
O FIB foi construído para medir com exatidão a variação da felicidade da população. Após diversas consultas à população, os cientistas concluíram que a felicidade pode ser medida pelo grau de suficiência em nove áreas: bem-estar psíquico, saúde, uso do tempo, educação, diversidade cultural, boa governança, vitalidade comunitária, diversidade ecológica e padrões de vida.
O governo do Butão chegou à seguinte compreensão de felicidade: "Sabemos que a felicidade verdadeira, fiel a si mesma, não pode existir enquanto outros sofrem. Ela provém apenas de servir aos outros, vivendo em harmonia com a natureza".
Em julho de 2011, o reino do Butão apresentou à Assembleia Geral da ONU, com o apoio de 68 nações, uma proposta de resolução sobre "Felicidade: por uma abordagem holística ao desenvolvimento", que foi adotada por unanimidade pelos 193 países-membros da ONU.
Essa resolução urge uma abordagem mais inclusiva, equitativa e equilibrada, que promova o desenvolvimento sustentável, erradicação da pobreza, felicidade e bem-estar de todos os povos.
PAUL SINGER, 80, é secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego. Foi secretário municipal do Planejamento de São Paulo (gestão Luiza Erundina)

HÉLIO SCHWARTSMAN Procrastinadores


HÉLIO SCHWARTSMAN
Procrastinadores
SÃO PAULO - Faltam menos de 48 horas para a entrega da declaração do IR e milhões de brasileiros não cumpriram com suas obrigações. O nome disso é procrastinação, e ela está bem fundada em nossa psicologia. O cérebro tem horror a tarefas chatas e faz de tudo para evitá-las.
O problema é que o que é bom para o cérebro nem sempre é bom para nós. Atrasar a entrega do IR gera multa; adiar a dieta e os exercícios pode ser a antessala do infarto. Sabemos lidar com essas questões?
Um experimento conduzido por Dan Ariely sugere que não. Ele escolheu três de suas turmas no MIT e combinou diferentes regimes para a entrega dos três trabalhos exigidos. Na primeira, cada aluno definiria sozinho as datas e perderia pontos no caso de atrasar. Na segunda, Ariely estabeleceu que os três ªpapersº deveriam ser entregues até o último dia de aula. Na terceira, agiu ditatorialmente: determinou datas escalonadas para cada um dos textos.
Os alunos da terceira classe, embora reclamando do autoritarismo, conseguiram as melhores notas. Os da segunda, que tiveram toda a liberdade, se saíram pior. Como era previsível, deixaram tudo para a última hora, o que resultou em peças mal escritas e com pouca pesquisa.
Os estudantes da primeira turma não foram, na média, tão bem quanto os da terceira, mas o incentivo à autodisciplina funcionou. Quem espaçou mais as datas de entrega teve notas comparáveis às da classe submetida à tirania. Ocorre, contudo, que a decisão mais racional para essa classe, a que maximizava as oportunidades, era fixar a entrega dos três textos para a última ocasião possível.
Esse é o dilema que fratura hoje a economia. Os modelos clássicos pressupõem agentes plenamente racionais que não existem no mundo real. É aí que entra a nova economia comportamental, da qual Ariely é um representante. A ideia aqui é incorporar à teoria as imperfeições e vieses que marcam a condição humana.

Transferencia tecnológica y profesorado universitario


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En los últimos años, nuestro país ha visto incrementarse su déficit comercial en bienes de alta y media tecnología, que se situaba en más de 20.000 millones de euros a finales de la pasada década, lo que contribuye a situarnos en cuanto a competitividad por debajo de los primeros 40 países del mundo. Coincidiendo todos los analistas económicos que con la actual crisis se acrecienta la necesidad de un cambio de modelo productivo que debe dirigirse hacia un tejido empresarial más intensivo en el uso de conocimiento tecnológico.
Por otro lado, paradójicamente, nuestros indicadores de producción de conocimiento científico y tecnológico se han incrementado significativamente en los últimos años, situándonos donde nos corresponde por nuestro peso económico en el concierto mundial, pero no así en lo referente a la transferencia del mismo y su puesta en valor, que hoy sin duda es nuestra gran asignatura pendiente en ciencia y tecnología. La Association of University Technology Managers (AUTM) de EE UU, daba en 2010 como correspondiente a 155 universidades, 27 hospitales y empresas de inversión de entre sus asociados, la cifra de ingresos de explotación de licencias de patentes e I+D contratada con empresas de 4.660 millones de euros. Mientras que en España todas nuestras universidades y centros hospitalarios vinculados (77), según la Universidad Española en Cifras (CRUE 2010) apenas alcanzan por este concepto los 400 millones de euros.
Es bien claro que en este contexto no cabe otra opción que desarrollar políticas para poner en valor el conocimiento y no como se ha venido haciendo, la mera producción científica, al primar publicar en revistas situadas en los primeros cuartiles de impacto del Journal Citation Reports (base de datos que se conoce por sus siglas JCR), desarrollando la cultura de lo que se ha llamado JCRcentrismo.
Es verdad que la introducción, hace ya más de 20 años de la evaluación de la actividad investigadora de nuestros universitarios e investigadores (los conocidos sexenios de la Comisión Nacional de Evaluación de la Actividad Investigadora (CNEAI), ha sido altamente positivo, aun con las deficiencias observadas en relación con algún campo de conocimiento —concretamente el campo 8, Economía— como recogía la moción presentada al Senado por el Partido Popular en febrero de 2009 y que finalmente fue aprobada por unanimidad con el acuerdo de revisión de criterios y procedimiento para su mejora. Con todo, como señalábamos, el incremento de nuestra producción científica según índices bibliométricos creció de forma importante muy animada por este modesto incentivo de gran rentabilidad en términos de coste/beneficio.
El Gobierno anterior, con buen criterio, se propuso aplicar tan efectivo instrumento en orden a incentivar la transferencia y la innovación, creando el llamado sexenio del campo 0 para evaluar la actividad que en transferencia e innovación desarrollan nuestros universitarios e investigadores, iniciativa que aplaudimos en su día, pero que fue y está —en nuestra modesta opinión— insuficientemente desarrollada y no demasiado bien planteada, como muestra el hecho que de las 7.000 solicitudes de evaluación que anualmente llegan a la CNEAI apenas 50 fueron por este concepto.
Precisamente por ello, ya varios rectores de universidad hemos señalado que el nuevo y polémico Real Decreto 14/2012 de medidas urgentes de racionalización del gasto público que modifica, entre otros aspectos, la dedicación del profesorado en relación con su actividad investigadora, no puede hacerlo variar únicamente en función de ésta y menos atendiendo solo a los tramos de investigación que tienen carácter voluntario. Inexcusablemente debe incorporar también la transferencia, hoy sin duda nuestra gran asignatura pendiente, y como no, las tareas de gestión científica y académica no siempre bien reconocidas.
La actual secretaría de Estado de Investigación, Desarrollo e Innovación del Ministerio de Economía y Competitividad, quien está dando muestras de su interés por impulsar la transferencia e innovación en nuestro país, hoy más necesaria que nunca, debería liderar una nueva formulación de este instrumento de valorización de la transferencia e innovación, más vinculado a resultados con las empresas y menos a índices de impacto bibliométrico. En este proceso de evaluación deberían estar miembros de la academia y ¡cómo no! de las empresas, ya que de lo que se trata es de reconocer y poner en valor transferencia e innovación, con el fin de mejorar sobre todo nuestra cifra —como en la AUTM— de ingresos por explotación de licencias de patentes y contratos por empresa, que por otro lado, no vendrá nada mal a las dolientes finanzas de nuestras universidades y sin duda agradecerá la competitividad de nuestras empresas.
Juan Julià es rector de la Universidad Politécnica de Valencia.