21 de maio de 2013

ROSELY SAYÃO Escolas congeladas


Nossas instituições de ensino estão mais interessadas em rankings do que em ideias criativas
Recebi duas mensagens de professores que vão nos ajudar a pensar a respeito do que acontece com as escolas que os mais novos frequentam desde bem cedo. Dois profissionais de educação, distantes entre si em alguns aspectos e muito próximos em outros, vão nos conduzir em nossa conversa de hoje.
A primeira mensagem veio de um jovem professor, tanto de idade quanto de profissão. Formado há poucos anos, ele diz que tem muitas ideias diferentes para sua prática docente e as usa para melhor compreender os alunos que frequentam a escola hoje, mas que se sente muito desestimulado em seu trabalho.
O problema é que os colegas não só não reconhecem o potencial contido nas novas formas de ensinar e de se relacionar com os alunos como também não aceitam mudar seu modo de pensar. Esse jovem professor está com medo. Medo de se transformar em um docente semelhante aos seus colegas e, dessa maneira, perder a paixão pelo ato de ensinar.
A outra carta veio de uma professora já aposentada. Ela contou que, durante os 25 anos em que esteve em sala de aula, trabalhou incansavelmente para que seus alunos entendessem que é preciso cuidar do espaço comum --a sala de aula e os demais ambientes escolares-- porque é o território de todos. Além disso, dedicou grande parte de seu tempo para ensinar a boa convivência.
Ela afirmou ter conseguido bons resultados com os alunos. Mas, contou, por mais que tentasse influenciar seus colegas, nunca alcançava êxito com eles. E ela se cansou tanto que adoeceu.
Dois depoimentos bem semelhantes de dois professores diferentes apontam para uma questão que parece estar invisível há muito tempo: o congelamento da escola. E essa situação tem uma relação íntima com quem não é professor, mas tem filhos na escola, em qualquer nível, e também com quem nem sequer tem filhos.
Temos lido muitas notícias a respeito da educação. É impossível ignorar o que vem sendo insistentemente dito: uma característica importante para se estimular nos alunos é a criatividade do pensamento e da ação.
A aprendizagem ocorre de modo mais consistente no coletivo e em ambiente colaborativo. O ensino da convivência pública e do papel do colega é fundamental --a formação da atitude do estudante determina em grande parte seu aprendizado. E os professores têm mais êxito em seu trabalho quando participam plenamente da equipe no espaço escolar.
Criatividade, coleguismo, cidadania, trabalho em equipe? Certamente todas essas palavras estão presentes nos chamados projetos político-pedagógicos de todas as escolas. Mas, na prática, o que vemos é uma escola que todo dia faz tudo sempre igual, que ignora a participação verdadeira dos alunos, que desestimula a formação da equipe profissional.
Nossas escolas estão muito mais interessadas na competitividade, no planejamento do professor, mesmo que seja burocrático, na massificação, tanto dos docentes quanto dos alunos. E você sabe, caro leitor, por que ela permanece assim congelada? Porque nossa sociedade assim o quer.
Não é verdade que valorizamos o espírito competitivo incentivado nas escolas? Que damos a maior importância aos rankings baseados em avaliações? Que apreciamos nomes imponentes de métodos pedagógicos praticados e que acreditamos que é frequentando escolas que agem dessa maneira que o futuro dos mais novos será melhor?
É assim que garantimos o congelamento da escola. E é assim, também, que vamos, aos poucos, apagando o brilho e a paixão de docentes (existem muitos deles que, como os professores citados, querem fazer diferente).
Eles necessitam de muita coragem para não ceder à tentação de se acomodar no congelamento que a escola propõe e precisam de nossa ajuda. Vamos apoiá-los?

    MEC barra 20 mil vagas no Prouni de 330 faculdades



    Instituições, entre elas Uninove e Metodista, não podem oferecer novas bolsas
    É a 1ª vez que governo pune participantes que não comprovaram quitação de débitos com a Receita Federal
    DE BRASÍLIA, Folha de S.Paulo, 21/5/2013

    Mais de 300 instituições privadas de ensino superior estão impedidas pelo Ministério da Educação de pedir bolsas do Prouni por não terem apresentado atestado de quitação de débitos com a Receita Federal em 2012.
    Entre as punidas estão a Uninove e a Universidade Metodista, duas das principais instituições de ensino privadas de São Paulo.
    Criado em 2005, o programa dá bolsas integrais ou parciais em instituições de ensino superior privadas a alunos de baixa renda que cursaram o ensino médio na rede pública ou foram bolsistas integrais na rede particular.
    Em troca, as instituições privadas que aderem ao programa têm isenção de alguns tributos. De acordo com o MEC, atualmente são 535 mil bolsas ativas do Prouni.
    Ao todo, 330 faculdades deixaram de ofertar cerca de 20 mil novas bolsas no início deste ano. Elas já tinham 47.938 bolsas preenchidas --esse universo não foi afetado pela medida.
    Agora, para solicitar novas bolsas, as instituições terão que comprovar estar em dia com a Receita. O pedido pode ser feito até o início de junho.
    É a primeira vez que o MEC desvincula instituições do Prouni por não comprovar a quitação de tributos e contribuições federais. A punição está prevista na lei que deu início ao programa.
    Em 2012, o MEC permitiu que instituições "em grave situação econômico-financeira" pudessem quitar parte das dívidas tributárias com a concessão de bolsas do Prouni.
    Assim, as mantenedoras interessadas em aderir ao programa podem converter até 90% do valor devido em bolsas, num prazo de até 15 anos.
    Uninove e Metodista não responderam ao pedido de informações até a conclusão desta edição.

    ENTREVISTA DAVID SHAMBAUGH A China é uma potência solitária, sem grandes aliados



    Sinólogo americano desconfia da capacidade de o país exercer poder global
    PATRÍCIA CAMPOS MELLO, Folha DE SÃO PAULO, 21/5/2012

    Um dos maiores especialistas do mundo em China, David Shambaugh, afirma que há um exagero em relação à influência chinesa no mundo.
    "A China está superestimada, ela é apenas uma potência parcial, não é uma superpotência e nem será no médio prazo", disse à Folha Shambaugh.
    O especialista americano, que é diretor do programa sobre a China na Universidade George Washington, acaba de lançar o livro "China Goes Global: The Partial Power" (A China se torna global: o poder parcial).
    Ele esteve no Brasil para uma palestra na Fundação iFHC. Abaixo, leia trechos da entrevista que ele concedeu à Folha.
    Folha - O senhor afirma que a China ainda é uma "potência parcial". O que falta para a China se transformar em uma superpotência?
    David Shambaugh - Economicamente, a coisa mais importante que a China precisa fazer para se tornar uma verdadeira superpotência é desenvolver inovação. A China não é uma sociedade inovadora, é uma sociedade da cópia, apesar de todo o investimento em pesquisa e desenvolvimento. A China já é uma potência comercial, em volume, mas os produtos que saem do país não são desenhados lá, são apenas montados lá.
    E militarmente?
    A China precisa ser capaz de projetar poder globalmente, e atualmente eles só conseguem fazer isso em sua região. Eles não têm bases no exterior.
    Mas os Estados Unidos vêm cortando brutalmente seus gastos em defesa. Isso não pode mudar a dinâmica no médio prazo?
    Não. A diferença entre as forças chinesas e as americanas é enorme. A vantagem tecnológica dos Estados Unidos é muito grande. Outro problema é o "soft power" [poder de influenciar outros países por meios culturais ou ideológicos, sem necessidade de força militar].
    E os Institutos Confúcio, não ajudam?
    Os institutos são bons para ensinar a língua chinesa. Mas "soft power" é fazer com que as pessoas queiram te emular, queiram ser como você, que o país funcione como um ímã que as pessoas querem imitar. E você não encontra muitos países ou pessoas querendo imitar a China. Ninguém admira o sistema político chinês. E é um impedimento para a criatividade e inovação de seu povo.
    O sr. é uma voz isolada, uma vez que a maioria dos sinólogos é bem mais entusiástica a respeito da ascensão da China. Você acha que há exageros sobre a China?
    Com certeza, a China é superestimada de duas maneiras: alguns superestimam a influência que a China exerce; outros, que são a maioria, exageram a ameaça que a China representa.
    O sr. acha que o fato de o modelo econômico chinês, baseado em exportações e grandes investimentos domésticos em infraestrutura, estar exaurido, vá levar o país a uma grande desaceleração no crescimento em breve?
    Está claro que o modelo de crescimento da China se esgotou, e as autoridades chinesas sabem disso. Eles vêm discutindo a necessidade de mudar [aumentar o consumo doméstico], mas não conseguiram, porque há enorme resistência a isso.
    As empresas estatais são muito corruptas e não querem mudanças no modelo.
    Mas o sr. vê uma queda significativa na taxa de crescimento?
    Bom, o primeiro problema é: quão confiáveis são as estatísticas chinesas? Há todo tipo de distorções e muitos economistas dizem que a taxa de crescimento pode ser até dois pontos percentuais inferior ao que é divulgado.
    Mas, fora isso, acho que a China conseguirá manter os 6%, 5% até 2020, 2025.
    Quando a China ultrapassar os EUA em tamanho da economia, qual será o status global do país?
    Provavelmente o mesmo que hoje em dia. A China é uma potência solitária, que não possui grandes aliados. Os únicos aliados são Camboja, Paquistão, Coreia do Norte e Rússia.
    Mas e os Brics?
    Não tenho certeza de que os países dos Brics tenham os mesmos objetivos. Há divergências comerciais entre os membros. Entre a Índia e a China, há muitos problemas territoriais e militares. Rússia e China concordam em muitas questões, mas abaixo da superfície há uma grande desconfiança.


    RAIO-X - DAVID SHAMBAUGH
    CARREIRA
    Diretor do programa sobre a China na Universidade George Washington, já foi analista do Departamento de Estado dos EUA e consultor do Fórum Econômico Mundial
    LIVROS
    "China Goes Global: The Partial Power" (2013); "Charting China's Future: Domestic and International Challenges" (2011), "American and European Relations with China" (2008)

      HÉLIO SCHWARTSMAN Por que não?


      Folha de S.Paulo, 21/5/2013

      SÃO PAULO - Desta vez parece que é de verdade. Cientistas publicaram na semana passada um artigo na revista "Cell" em que descrevem como, a partir de técnicas de transferência nuclear, conseguiram criar um embrião humano com material genético distinto do da doadora do óvulo e fazer com que ele se desenvolvesse até o estágio de centenas de células. Tecnicamente, produziram o primeiro clone humano.
      Desta vez, a notícia provocou bem menos impacto do que o anúncio de 2004, que acabou se revelando uma megafraude. A principal razão para o "downsizing" é que, hoje, células-tronco para investigação médica e terapias --que sempre foram o objetivo central dos pesquisadores-- podem ser obtidas por uma técnica designada pela sigla iPS, que dispensa a destruição de embriões, evitando assim os dilemas éticos daí decorrentes.
      Curiosamente, contingentes expressivos da sociedade aprovavam a clonagem com vistas a desenvolver novos tratamentos, mas a rejeitavam com veemência se a meta fosse replicar algum ser humano específico. Vários países se anteciparam e aprovaram leis proibindo a chamada clonagem reprodutiva. Por quê?
      Até admito que a ideia possa causar um vago mal-estar, mas, por mais que procure, não encontro nenhuma objeção racional a ela. Desde que a técnica esteja desenvolvida o bastante para afastar o risco de malformações e doenças, não vejo no procedimento nada que já não ocorra com frequência na natureza. Gêmeos monozigóticos nada mais são do que clones. No caso da clonagem por encomenda, original e modelo seriam ainda menos parecidos, já que teriam se desenvolvido não só em ambientes como em épocas diferentes.
      Na verdade, acho que precisamos incluir na lista dos vieses humanos o medo irracional de novas tecnologias. Não é que elas não possam causar dano, mas, antes de proibir alguma coisa, convém sempre apontar qual o perigo a ela associado.

        At KIPP, at least for 07102, zip code is destiny

        Teach For us
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        One of the most annoying phrases uttered in ed reform is some version of ‘poverty is not destiny.’  Occasionally they mix it up a little with something like ‘zip code is not destiny.’  The implication is that there are some people out there who think that every person born into poverty or born in a particular city is doomed to become an uneducated adult.  I don’t know anyone who believes that.  What many people do believe, though, is that students born into poverty or into a particular zip code that correlates with high poverty are less likely to, for example, graduate college than students born into the Beverly Hills 90210 zip code.  I don’t think that even the most vocal ‘reformers’ think that improving schools and teachers will be able to overcome all the out of school factors to completely equalize the college completion rates between two zip codes representing such different demographics.  The ‘reformers’ just think that they think that schools are less limited in their influence to do this than the ‘status quo’ defenders.  As the ‘reformers’ never really commit to numbers that they think are realistic or would define success, it really is an empty phrase to just say ‘zip code is not destiny.’  A few months ago, a Arkansas KIPP executive director even wrote an Op-Ed entitled ‘For Students, zip code does not define destiny’.
        Newark, New Jersey, is an excellent example of a city where charter schools have flourished over the years.  A TFA alum is even the chancellor of schools in Newark.  KIPP schools are the gold standard of charter schools and have been in Newark for some time.  According to their websitethey have five schools there serving around 1,800 students.  Two schools are elementary, two are middle schools, and there is one high school.  One of the middle schools, the RISE academy, if often hailed as a true ‘miracle school’ that defies the odds with its amazing test scores.
        One thing that KIPP does which I respect is publish an annual report summarizing the statistics of its over 125 schools.  Though they leave out certain information which I think is relevant, they leave a lot in which paints a more accurate picture of their successes, which in some cases are quite limited.
        Looking at page 75 of the report, we see what sort of achievement in high school was accomplished by the students who graduated from the miracle two KIPP Newark middle schools.  Their SAT score was 1250, which is extremely low, only 416 per section.  When it comes to AP tests, only 31% took AP courses and only 2% passed at least one AP test.  With their numbers this means that just one student in the entire school passed an AP test.  If the amazing KIPP Newark middle schoolers are kids who peak in 8th grade, what good is that?

        But this only tells a small part of the story.  I found two other sources for information about this school’s performance.  The first is on the KIPP Newark website where they report the unusual demographics of this school.  At the bottom of this page we learn that this school has nearly 60% girls.

        There have beenstudies about how high attrition is for black boys at KIPP and this is further evidence about this.  Combine this with some facts from their New Jersey school report card where we see that in addition to this unequal balance of boys and girls, there is, for some tests, an incredible ‘gender gap.’  For example, in 8th grade language arts, 71% of boys scored proficient or better compared to 89% of girls.

        Another thing I found on the state report card is that the Newark KIPP network does suffer from attrition.  Notice how the recent graduation class of 55 students was 71 students three years earlier.

        Two years ago, when KIPP released their 2010 annual report, I wrote about how they admit their student retention rate was only 88%.  When you lose 12% of your students a year, that amounts to losing about 40% of the students who begin a KIPP middle school in 5th grade by the time they are supposed to complete 8th grade.  Two years later, that figure has not changed at all.

        While I do appreciate that they are willing to admit this statistic, it is amazing to me that education writers don’t write about this more often.  I know that the attrition isn’t solely from students who have been ‘counseled out’ (unofficially expelled).  Sometimes families have to move for reasons out of their control, but I’d think that if KIPP were so great many families would find a way to have their child continue there.
        KIPP has received a lot of money on the facade that they have the secret to getting amazing results from the ‘same kids’ with the ‘same resources.’  Their own reports and publicly available data from New Jersey clearly show that their success is extremely limited.  Yet, they continue to expand and to be used by politicians as evidence that ‘reformers’ know what they are talking about.  How long this will continue, I don’t know, but I have to believe that it won’t be for very long.

        20 de maio de 2013

        Con dientes de leche y ya con mechas



        El espíritu consumista, la biología y el acceso a la Red adelantan la adolescencia

        La precoz llegada de la pubertad no va pareja con una mayor madurez intelectual


        Una niña se pinta los labios. / GETTYr
        Si matamos la infancia “produciremos frutos precoces que no tendrán madurez ni gusto y que se pudrirán muy pronto”. Quien habla es el filósofo francés Rousseau que ya a finales del XVIII no se mostraba partidario de adelantar las etapas de la vida. En especial era contrario a acortar la infancia. En su Emilio o la educación sostenía que esta infancia había que vivirla con plenitud mediante el juego. Por eso, exhortaba a los lectores a amarla y a “favorecer sus juegos”. “Hombres, sed humanos, que es vuestra obligación primera; sedlo con todos los estados, con todas las edades, con todo cuanto es propio del hombre”.
        El caso es que hoy, los chicos —en especial las chicas— de entre los 8 y los 12 años transitan una preadolescencia temprana que los ingleses, tan amigos de inventar categorías, llaman tweenies o tweenagers (de la unión de teenagers, adolescentes, con wee, pequeñitos). Las niñas juegan con muñecas góticas, se maquillan (sin salir de casa), posan en las fotos como si fuesen actrices de Club Disney, exigen un móvil o se desmayan por Justin Bieber cuando a su edad sus padres escuchaban a Enrique y Ana.
        “Si la infancia nace con Rousseau, podríamos advertir que hoy en día y con el afán de arrastrar a los niños al espíritu consumista, materialista y egoísta, podríamos estar siendo responsables de la muerte misma de este fenómeno cultural y evolutivo”, asegura Tomas de Andrés Tripero. Este profesor de la facultad de Educación de la Universidad Complutense considera que los adultos están permitiendo que los niños “se coloquen a la misma altura”, ambicionando económicamente lo mismo que los mayores y adquiriendo de manera directa conocimientos y actitudes de adulto pese a no tener la madurez imprescindible.
        Un ejemplo son las charlas para la elección de centro al pasar de primaria a secundaria. La decisión de que un niño acuda a un instituto u otro, cuentan sorprendido un jefe de estudios, ya no recae en los padres —que estudiaron donde quisieron los suyos— sino en los hijos, y es a ellos a quienes se dirige la charla explicativa. “Les hemos dado el derecho a elegir pero no les hemos enseñado a reflexionar sobre por qué esto y no aquello”, lamenta el psicólogo Ángel Peralbo. La psicoterapeuta Mónica Manrique acude al libro Adolescentes, una historia natural (Duomo), de David Bainbridge, profesor de Anatomía y Clínica veterinaria en la Universidad de Cambridge, para hablar desde un punto de vista biológico del acortamiento de la infancia. “La adolescencia empieza con la pubertad, que implica una secuencia de cambios biológicos que comienzan antes en las niñas que en los niños. En ambos casos se ha adelantado en los últimos decenios en los países occidentales”. Según Bainbridge, durante el pasado siglo XX la pubertad se inició 12 días antes por año transcurrido, pero en los últimos años este adelanto anual es de tres días.

        ‘Peluparties’ y muñecas a la moda

        Ni las inocentes barriguitas se han salvado del lavado de cara. Las hoy madres jugaron con rubias querubines, mientras que las muñecas de sus hijas llevan el pelo largo, pantalón pesquero y una camiseta que deja al aire su prominente barriga. A la cabeza del tuneado las Monster Girls, dirigidas a chicas de 11 o12 años, pero que causan furor entre las pequeñas que emulan a las mayores. Tanto, que en Navidad hay lista de espera y mercado negro. ¿Cuál es la clave? “Sus aventuras, vehiculadas en forma de contenido a través de varias plataformas (online, TV, novelas, diarios…), son el reflejo de la vida de cualquier preadolescente. Les lanza el mensaje de que pueden expresar su individualidad sin complejos, abrazar sus imperfecciones y atreverse a ser diferentes siendo ellos mismos”, opina Elvira Sanjurjo, directora de marketing de Mattel Iberia. “Además, Monster High tienen una estética moderna, diferente y superfashion que conecta con ellas a la perfección”. Sanjurjo recuerda que “los juguetes no están al margen de la realidad” y “evolucionan para adaptarse a los tiempos aunque persiga el mismo objetivo didáctico, socializador, de entretenimiento”.
        Las peluparties, que recuerdan a la fiesta de pijamas de Grease, son el último grito. “Las asistentes contarán con una sesión de belleza con tratamiento personalizado que incluye lavado, peinados, manicura, maquillaje y las invitaciones”, oferta una peluquería madrileña su plan para ocho niñas por 149 euros. “Siempre nos hemos pintado y peinado y no lo veo mal, pero que se dé masajes a niñas de ocho años me parece una perversión”, piensa Mamen Infante, periodista de belleza. “Las marcas sacan maquillajes de colores alegres y baratos para las niñas, pero no dirigen la publicidad hacia ellas”.
        La franquicia Princelandia, presente en 160 países, tiene ya 24 spas infantiles abiertos en España en poco más de un año. “Todo nuestro personal son educadores por lo que las actividades se basan en pasar un momento divertido mientras se inculca una imagen positiva del bienestar y del cuidado personal”, advierten en la web. Sus centros cuentan incluso con una larga pasarela rosa para que las niñas se sientan top model por un día. Varios grupos feministas han puesto el grito en el cielo. “Transmiten la idea de que la mujer es propiedad de los príncipes y de que es un objeto sin ideas ni pensamientos”, se queja el colectivo A Clau Roya, de Zaragoza.
        La Mary Pepis, que sigue vendiéndose, es casi una reliquia. Existen en el mercado estuches de peluquería que incluyen máquinas para hacer mechas y colorear el pelo, opciones de colores o tenacillas para rizarlo. Y los tatuajes, con permiso paterno antes de los 16 años, son el día a día y eso que el 80% de quienes se tatúan con menos de 20 años se arrepiente sin cumplir los 35.
        Manrique, autora del blog Padres en apuros, distingue varias causas que explican este adelanto de la adolescencia. No lo atribuye a los genes, “porque estos no pueden haber sufrido cambios tan grandes en tan pocas generaciones”. Observa el sobrepeso como anticipador de la pubertad, aunque “todavía queda mucho por saber”, precisa. “Podría existir un vínculo entre el inicio de la pubertad y la leche de fórmula, que hace que los bebés crezcan más rápido. Y un bajo peso al nacer lleva a que la pubertad se anticipe hasta 10 meses”.
        Manrique cree que puede condicionar la precocidad un mayor cuidado de la salud —menos parásitos e infecciones y mejor dieta—; un estatus más alto —“eso puede relacionarse con la mejor nutrición”—, la latitud —“los finlandeses entran en la pubertad un año más tarde que los griegos”— y el estrés, “que es algo que no es aceptado por todos los investigadores”.
        “Es verdad que hay un adelanto biológico, no hay más que verlo. Pero no va acompañado de una mayor madurez. Estos niños no son más responsables que los de antes. Casi diría que las anteriores generaciones no estaban tan perdidas y eso que no tenían acceso a tanta información”, opina Peralbo. El profesional culpa de esta desorientación a sus familias. “A los niños se les apunta a clase de todo, están muy preparados, pero no se les forma en inteligencia emocional. En valores, en el esfuerzo. No saben valerse por sí mismos y los padres están desbordados. La sobreprotección es un tema manido pero es evidente”, añade.
        A partir de los 13 años, las chicas europeas doblan a los chicos en casos de depresión y ansiedad y a la hora de puntuar su autoestima, según la Organización Mundial de la Salud (OMS). “Todo parece indicar que, en buena medida, las adolescentes están sometidas a más situaciones de estrés, violencia, normas culturales y carga de trabajo que los varones”, sostiene Peralbo en su libro de autoayuda De niñas a malotas (La esfera de los libros).
        “Los niños son cada vez antes adolescentes, pero también sus padres no quieren dejar de ser jóvenes. A los 50 siguen considerándose, visten y se comportan como tales. De modo que la adolescencia se alarga por arriba y por abajo”, señala el educador y psicólogo Alfredo Hernando. Basta con darse una vuelta por algunas tiendas de ropa interior para comprobar el furor que provoca entre las mujeres de 40 la gatita animada Hello Kitty, que ya superó los 35. “El problema no es cómo vistan, sino que no sean capaces de asumir el papel de padre y actúen como amigos. Hemos pasado del padre autoritario que siempre tenía razón, al extremo contrario”.
        “Yo no creo que los niños hayan cambiado tanto. Somos nosotros, los adultos, y la sociedad los que lo han hecho. Platón decía que siempre nos quejábamos de la generación siguiente”, sostiene el psicólogo clínico Mark Beyebach. “Los padres están menos presentes y han delegado la educación en las pantallas, en los móviles. Los hijos están superprotegidos: se les matricula en la universidad, se les busca colegio mayor, traen la ropa a lavar… Viven una infancia con derechos pero sin las obligaciones de los adultos”, opina el coautor de Cómo crear hijos tiranos (Herder). “Pasan de que les preparen la mochila al descontrol total”.
        Beyebach considera que caemos en una trampa: “Tenemos un recuerdo idealizado de nuestra niñez”. El eje del cambio está, en su opinión, en el consumismo. “Hay muchas empresas con grandes intereses en el mundo infantil que presionan para que el niño consuma. Les crea frustración no tener móvil o iPad, saldo en el teléfono… La comunión es el paradigma del consumismo. Las familias se endeudan y eso no es aprendizaje”. En pleno derrumbe económico el derroche en la comunión se está frenando. El gasto se ha reducido un 45% en cuatro años y ronda los 1.700 euros en 2013, según el informe que cada año presenta la Federación de Usuarios Consumidores Independientes (FUCI). “Aunque con la crisis se haya reducido el gasto, no parece haber una consecuencia positiva porque queda la idea de consumir. Hay que aprender a tolerar la frustración”, dice Beyebach.
        Los padres de estos niños nacieron en los años sesenta y en los setenta y se criaron en un ambiente de creciente comodidad, acostumbrándose a una abundancia no pasajera. Por ese motivo mantienen una inclinación más consumista que la de sus padres y abuelos: tienen menos conciencia de los precios, son menos hostiles a la publicidad y les tientan más las rebajas y promociones. “El éxito es tanto más sorprendente en cuanto la sobriedad, la austeridad, el ascetismo, la renuncia y el desprendimiento han sido durante siglos guía y norte de los famélicos españoles, y que basta solo con remontarse unos pocos lustros para encontrar tales virtudes todavía instaladas entre nosotros”, se lamentaba en 1975 el sociólogo Rafael López Pintor en su libro Los españoles de los 70.
        Desde entonces, el consumismo solo avanza. “Por eso somos el país de Europa con más smartphones, cuando tenemos seis millones de parados. Yo no hablaría de que tenemos una crisis de consumo sino de un consumo de crisis. Nos hemos ajustado para seguir gastando”, razona Luis Alonso, catedrático de Sociología en la Universidad Autónoma de Madrid. Y en estas circunstancias los niños son marquistas porque los padres lo son. “Piden a sus familias cosas de marca para ser aceptados en el grupo. Hay una presión social que te empuja a llevarlas. Si no tienes miedo de ser excluido y es lo peor que le puede pasar. Tiene que haber un contrapeso ecologista o elitista muy grande para que a los niños no les importe”, añade Alonso.
        “Los niños finlandeses son menos marquistas que los españoles a pesar de ser un país más rico. Han recibido, en la escuela y en casa, educación del consumo responsable. Hay otros valores, se da más importancia a lo público. En España llegamos tarde al consumo, partiendo de capital social y cultural muy bajo y por eso no es razonado”, prosigue Alonso. A menos formación intelectual, mayor es la obsesión por el consumo. “No tienen otras perspectivas de disfrute cultural”.
        “La adolescencia es un invento del siglo XX. Antes eras un niño y, cuando a los 11 o 12 empezabas a trabajar, te convertías en un adulto. Con 12 años las niñas ya eran madres”, recuerda el escritor juvenil César Mallorquí. “Por eso los comienzos de la literatura juvenil son difusos, hacia los años setenta, mientras que los de la infantil están claros”.
        “El 25% de los niños de entre 8 y 12 años en España tienen móvil. En el mundo nacen al día tres veces más smartphones que bebés. En el mercado hay disponibles ocho tabletas para el mercado infantil”, nos cuentan en el pequeño documental La generación Play-móvil, de la revista Einnova de la Universidad Complutense.
        “No es que la adolescencia empiece pronto, es que los niños con dos años están ya habituados a las nuevas tecnologías. El cerebro no está adaptado para esos estímulos perceptivos y va a tener que cambiar. ¿Cómo van a conducir de mayores solo a 120 si su sistema nervioso se ha adaptado a la rapidez?”, anuncia De Andrés Tripero, que incide en la experiencia de Silicon Valley, el paraíso de la informática. “Allí, los ejecutivos no dan un ordenador y un móvil a sus hijos hasta tarde. Porque lo que quieren es que desarrollen la estabilidad emocional y se sociabilicen, y las tecnologías aíslan”.
        “Las empresas contratan a expertos que analizan las redes sociales y crean productos pensados para adolescentes. A un cantante de voz meliflua que canta lo que ellas quieren oír”, se mofa el educador de Justin Bieber. “El gasto mayor no está en la moda, que es para mayores, es en tecnologías”. El 78% de los chicos entre 14 y 19 años corren el riesgo de tener comportamientos obsesivos en el futuro por su “obesidad digital”, según un estudio de la Fundación Eroski presentado el pasado noviembre. Existen ya casos diagnosticados de adolescentes internados en un centro de salud mental para curarse su obsesión.
        Sobre el poder de Internet incide también Laia Esqué, editora del sello juvenil Molino. “A través de Internet tienen acceso al mundo entero y han cambiado la forma de relacionarse con otros niños. A su edad nos apuraba llamar a un amigo a su casa y tener que hablar con su padre. Ahora tienen muchas formas diferentes: el chat, el móvil… Eso les hace más autónomos, adultos”. Una madurez que, sin embargo, en opinión de Esqué, no tiene su reflejo en el nivel intelectual de sus lecturas. “Hay libros extranjeros infantiles o juveniles que en España se catalogan para adultos porque se consideran demasiado complejos. Ha pasado con El niño con el pijama a rayas o La ladrona de libros”.
        “No existe una edad ideal para entrar en la adolescencia. Lo que podemos hacer como padres es cuidar nuestra relación con ellos, aceptarles como personas que están cambiando, llevar de la mejor manera posible que se vayan distanciando de nosotros y encajar con generosidad e inteligencia la influencia cada vez mayor del grupo de iguales”, piensa la psicóloga Manrique, que ha trabajado con niños problemáticos y en una escuela de padres. “También tendremos que proporcionarles una buena formación y educación sexual e intentar no perder los nervios ante la inestabilidad emocional en la que viven”. ¿Qué diría Rousseau?

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        TRIBUNA

        América Latina brilla por su ausencia como fuente de conocimiento científico


        La prestigiosa revista Nature Scientific Reports acaba de publicar un mapa mundial de las ciudades más importantes en investigación científica, y los países latinoamericanos brillan por su ausencia: muestra el hemisferio norte del planeta lleno de luces, y el sur casi uniformemente oscuro. El mapa es especialmente significativo porque no se trata de una opinión subjetiva de los editores de la revista, sino un estudio basado en más de 450.000 artículos y citaciones científicas provenientes de más de 2.000 ciudades de todo el mundo publicados en revistas de la American Physical Society en los últimos 50 años.
        El mapa muestra que, pese a la persistente superioridad tecnológica de EE UU, el porcentaje de estudios de física originado en Estados Unidos ha caído del 86% del total mundial en la década de 1960 a menos del 37% en la actualidad. Boston, Berkeley y Los Ángeles siguen siendo los centros de producción científica más importantes del mundo en la física, pero les siguen Tokio y Orsay (Francia). La lista de las 20 ciudades principales del mundo incluye a Chicago, Roma, Londres y Oxford.
        Dentro de EE UU, se ha producido un traslado gradual de la producción de conocimiento desde unas pocas ciudades de las costa Este y Oeste hacia algunas ciudades del Medio Oeste y el Sur. De manera similar, en Europa, ya no hay un predominio absoluto de Inglaterra y los países nórdicos, como en la década de los noventa, sino que se ha producido un gradual ascenso de ciudades en Francia, Italia y España. Pero no hay ninguna ciudad latinoamericana entre las primeras 100 ciudades productoras de conocimiento científico del mundo, según la publicación.
        Una tabla que aparece junto al mapa detalla que el 56% de las 100 primeras ciudades productoras de trabajos científicos del mundo se encuentra en Norteamérica, el 33% en Europa, y el 11% en Asia.
        Tras leer estas cifras, llamé al doctor Nicola Perra de la Universidad Northeastern, uno de los investigadores responsables del estudio, para comprobar si había leído bien la tabla. “Sí”, me dijo. “No hay ninguna ciudad latinoamericana entre las primeras 100”.
        Una explicación posible es que las universidades latinoamericanas son bastante buenas en humanidades, pero no están entre las mejores del mundo en ciencias e ingeniería, según otro ranking de las mejores universidades del mundo por materias, publicado la semana pasada por QS World University Rankings.
        En filosofía, hay tres universidades latinoamericanas entre las mejores 50 del mundo (la UNAM de México, en el puesto 32, la Universidad de São Paulo de Brasil, en el 41, y la Universidad de Campiñas de Brasil, en el 44).
        Pero no hay una sola universidad latinoamericana entre las mejores 50 del mundo en física, química, ingeniería, astronomía, o ciencias de la computación, que incluyen a varias de China, India, Corea del Sur y Singapur, según el ranking por disciplinas de QS.
        Richard Florida, un profesor de la Universidad de Toronto que es un gurú internacional en el tema de las ciudades innovadoras, me dijo que el mapa de Nature Scientific Reports es “verdaderamente perturbador” para el mundo en desarrollo.
        Según Florida, el mapa revela que pese a todo lo que se escribe sobre el ascenso del mundo emergente, y pese a la desconcentración de los centros científicos, la brecha entre los países ricos y pobres no está disminuyendo mucho en el campo de las ciencias.
        Eso es una mala noticia, dice, porque estamos en una economía global basada en el conocimiento, en la que la ciencia y la ingeniería determinan cada vez más la riqueza de las naciones. “En el pasado, la ciencia era un reflejo de la riqueza de un país. Ahora, la ciencia es lo que produce riqueza”, dice Florida.
        Mi opinión: el mapa del Nature Science Reports debería ser colgado en todas las universidades y edificios públicos de varios países latinoamericanos. Serviría para poner en ridículo las disparatadas afirmaciones de algunos presidentes, según los cuales sus países están en la vanguardia de la investigación científica mundial. Es cierto que, afortunadamente, Brasil, México y Chile, entre otros, están poniéndose las pilas y aumentando drásticamente sus intercambios estudiantiles y académicos con universidades del primer mundo, como los asiáticos vienen haciendo desde hace varias décadas. Y también es cierto que muchos científicos latinoamericanos —individualmente— sobresalen en las principales universidades del mundo. Pero el mapa de las ciudades líderes en ciencias debería servir como un poderoso recordatorio del fenomenal desafío que enfrentan nuestros países para formar parte de la vanguardia científica mundial.
        Habría que poner este mapa a la vista de todos, como un antídoto contra la complacencia, y como un llamado a invertir más y mejor en la investigación científica que más le convenga a cada país.