21 de novembro de 2014

O custo do racismo, Ricardo Henriques

 

20 de novembro de 2014
"A desigualdade entre negros e brancos na Educação é evidente", afirma Ricardo Henriques

Fonte: O Globo Online



O custo do racismo Apesar dos avanços na Educação, o desafio ainda é enorme, pois os indicadores educacionais são baixos entre os brancos e baixíssimos entre os negros As desigualdades raciais em nossa sociedade violam cotidianamente os direitos humanos de milhões de brasileiros e têm um custo alto para o desenvolvimento econômico do país. Dado que os negros são 52,9% da população, o país compromete sua competitividade global pela limitação no nível de Escolaridade dos negros, significativamente menor que o dos brancos.
A sociedade é cindida por dois paradoxos. Por um lado, somos um povo miscigenado e diverso, tendo a raiz africana como uma de suas matrizes fundantes e, ao mesmo tempo, profundamente desigual e racista, que se comprova pelas estatísticas e por fatos cotidianos no mundo real e virtual. Um dos efeitos disso é a naturalização das desigualdades raciais. Por outro lado, a Educação que, por princípio seria o caminho mais efetivo de promoção da justiça e mobilidade social, está, em várias circunstâncias, na origem, manutenção e ampliação das desigualdades.
A desigualdade entre negros e brancos na Educação é evidente. De acordo com a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios — IBGE), a Escolaridade média do homem negro é de 6,9 anos e da mulher negra de 7,4 anos, enquanto que a do homem branco é 8,7 anos e a da mulher branca, 8,9 anos. Lamentavelmente esse cenário não será rapidamente superado na medida em que 54,4% dos brancos, entre 18 e 19 anos, concluíram o Ensino médio, enquanto que, entre os negros na mesma faixa etária, apenas 35,7% finalizaram essa etapa da Educação básica. Apesar dos avanços na Educação nos últimos anos, o desafio ainda é enorme, pois os indicadores educacionais são baixos entre os brancos e baixíssimos entre os negros. Temos de, simultaneamente, aumentar o nível dos indicadores e reduzir a desigualdade.
Inúmeras Escolas públicas do país encontram dificuldades para acolher todos os estudantes com suas singularidades e necessidades. A Escola frequentemente se apresenta incapaz de lidar com as consequências das desigualdades estruturais socioeconômicas do seu alunado, particularmente nas comunidades mais vulneráveis.
O desafio não é trivial. Além de Professores competentes, dedicados ao Ensino e capazes de reconhecer as desigualdades e valorizar a diversidade, é fundamental fortalecer a gestão da Escola para assegurar o direito à aprendizagem com a melhoria dos resultados cognitivos e socioemocionais de cada estudante.
Uma Educação com qualidade e equidade é pressuposto fundamental para um padrão de desenvolvimento inclusivo e economicamente dinâmico. Se não incidirmos agora na agenda da desigualdade educacional, contemplando a dimensão racial, estaremos fadados, em futuro próximo, a uma situação de limbo na competitividade global.
O caminho mais potente para reduzir as desigualdades e construirmos uma sociedade mais equânime e com oportunidades para todos é a partir de uma Educação pública que reconheça a importância das diferenças e da diversidade, valorize o mérito e construa condições de equidade.

*Ricardo Henriques é superintendente executivo do Instituto Unibanco 

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Cesaria Evora Live D'amor 2004 (Complete Concert)

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LUIZ FERNANDO VIANNA , Escola para todos

RIO DE JANEIRO - A meta 4 do Plano Nacional de Educação prevê que até 2024 estejam na escola regular todos com 4 a 17 anos que tenham alguma deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.
Entre 2007 e 2013, a proporção de pessoas desses grupos matriculadas saltou de 46,8% para 76,9%, segundo a organização Todos pela Educação. Mas há obstáculos para se atingir os 100%.
Três deles: mapear quem continua fora e por quê; avaliar a qualidade do aprendizado; entender melhor por que há tanta evasão antes da chegada ao ensino médio.
A educadora Adriane Farah participa há dez anos do trabalho de inclusão no Pedro 2º, colégio público criado no Rio em 1837. Ouvia a lenga-lenga de que os profissionais precisavam se preparar antes de receber esses alunos. Resolveu lidar com o assunto na prática.
A primeira criança acolhida, uma menina com paralisia cerebral, está até hoje no colégio. "Ela abriu as portas da inclusão no Pedro 2º", conta Farah, que acompanha vários casos.
Um dos inimigos é a rejeição dos colegas, às vezes chegando à crueldade. Diz que se deve conversar muito e recuar nunca. Aos que não cedem, acena-se com as leis, que obrigam a inclusão e criminalizam o bullying.
Segundo a educadora, a resistência de professores, pais e outros alunos não para de cair. Percebe-se aos poucos, não sem dificuldades, que conviver na mesma sala faz bem a todos, pois é mais viável respeitar as diferenças se elas, em vez de ser distantes abstrações, fazem parte da vida cotidiana.
"A inclusão dos alunos especiais vai transformar a escola brasileira em dez anos, pois fica claro que a estrutura atual, seriada e linear, não permite o acesso de todos à educação e perde sentido num mundo com Google e novos meios de se informar", acredita ela.
Folha de S.Paulo, 21/11/2014

O teto universitário, HÉLIO SCHWARTSMAN



SÃO PAULO - A USP tem 1.972 servidores que ganham mais do que os R$ 20,7 mil pagos ao governador e definidos como teto estadual. A depender de confirmação do STF, eles deverão ter seus salários cortados.
É importante que cumpramos as regras do jogo. Se o Supremo diz que é ilegal, então é decididamente ilegal. Mas nada nos impede de discutir a sabedoria das regras. E, neste caso, penso que tanto o teto salarial quanto a isonomia advogada pelos sindicatos são dois grandes equívocos.
Para ficar num exemplo de âmbito estadual, tomemos o caso da Orquestra Sinfônica (Osesp). Se quisermos manter uma orquestra de padrão internacional, a primeira providência é conseguir um regente de primeiro ou segundo escalão, o que não custa menos de R$ 1 milhão anuais. A atual titular da Osesp, Marin Alsop, foi contratada em 2012 para receber R$ 91 mil por cada uma de suas dez semanas de trabalho mais gratificações.
De modo análogo, se a USP tivesse a oportunidade de contratar um prêmio Nobel para dar aulas, teria de pagar o preço. A regra do teto, obviamente, inviabilizaria a aquisição, mesmo que o candidato adorasse mulatas e caipirinhas. E nem precisamos chegar a extremos como o Nobel para constatar a inadequação da norma. Os R$ 20,7 mil são muito quando comparados aos rendimentos médios da população, mas ficam bem aquém do que recebe um alto funcionário de empresa privada ou um profissional liberal de sucesso. E nem é preciso sair do setor público. O teto das universidades federais está hoje em torno de R$ 29 mil.
Reconheço que é complicado estabelecer padrões impessoais para definir quanto cada docente/pesquisador deveria ganhar, mas a dificuldade não pode servir de pretexto para que adotemos soluções subótimas. Com a expansão das universidades federais e o surgimento de boas instituições privadas em alguns nichos, é uma questão de tempo até que a USP comece a perder talentos.

Relatório aponta 'abusos constantes' na Faculdade de Medicina da USP


Comissão conclui que unidade é palco de violência sexual e moral, coação e consumo de drogas
Criado após casos de estupro, grupo propõe veto a bebidas destiladas e 'open bar' em festas no local
CLÁUDIA COLLUCCIEMILIO SANT'ANNADE SÃO PAULO,21/11/2014,Folha de S.Paulo


Violência sexual, abuso moral, coação, discriminação de gênero e orientação sexual, intolerância étnica e religiosa, consumo excessivo de drogas ilícitas e controladas. A lista dos problemas da Faculdade de Medicina da USP é extensa.
A constatação é da própria faculdade. Está apontada em relatório da comissão nomeada para avaliar a série de denúncias de violação de direitos humanos entre alunos do curso mais concorrido no vestibular da universidade.
Entre as soluções apontadas pelo documento, obtido pela Folha, estão o veto a bebidas destiladas, ao "open bar" (consumo livre após pagamento do ingresso) e à venda para quem apresentar sinais de embriaguez nas festas de recepção aos calouros.
Segundo o texto, a semana em que os novos alunos são recebidos é "uma situação preocupante" na qual há intenso consumo de álcool e situações de risco.
Os problemas na faculdade vieram à tona após audiência pública na Assembleia Legislativa em que foram descritos oito casos de violência dentro da USP, entre os quais dois de estupro em festas organizadas na universidade
Duas alunas relataram terem sido estupradas em festas promovidas por alunos da faculdade.
Segundo o relatório, entre outros itens, "a violência sexual ocorre de forma repetida" na unidade, o "abuso moral é prática constante" e "o consumo excessivo de drogas lícitas, ilícitas e de prescrição" é rotineiro.
VETO TOTAL
Formada por cerca de cem pessoas, entre professores titulares, alunos e funcionários, a comissão não chegou a um consenso sobre o veto às bebidas alcoólicas nas festas.
De acordo com o documento, todos os alunos que fizeram parte da comissão foram contrários a essa proibição.
Milton Arruda Martins, atual presidente da comissão, disse à Folha que é favorável a medidas de redução de danos. "Não adianta proibir. Alivia a barra da universidade e joga o problema para outro lugar, porque, é óbvio, as festas vão continuar."
Ele diz que o álcool expõe os jovens a situações de risco, mas é preciso separar e punir os crimes. "Ninguém vira estuprador porque bebeu."
Posição diferente tem o professor associado Arthur Guerra de Andrade, chefe do grupo de álcool e drogas da faculdade. Para ele, as medidas são "românticas" e de difícil execução. Por exemplo, o veto ao destilado. "A molecada entra com garrafa de vodca escondida. Quem vai impedir? Vão revistar todo mundo?"
O relatório com as propostas da comissão será votado na próxima quarta (26) pela congregação da faculdade.