30 de julho de 2012

A educação em ano eleitoral - Renato Janine Ribeiro


de 

Há vinte anos, quando o ministro Murílio Hingel assumiu a pasta da Educação no governo Itamar Franco, começou a mudar a prioridade na educação brasileira. Com boas intenções, a Constituição de 1988 incumbira o governo central de manter o ensino superior, com um número que depois aumentou de universidades federais, e atribuíra a Estados e municípios o ensino básico. Traduzindo, a União paga as universidades, gastando nelas três quartos do seu orçamento com a educação, enquanto os municípios mantêm os primeiros nove anos de escolaridade (os antigos grupo e ginásio, depois segundo grau, hoje ensino fundamental) e os Estados apoiam esse esforço, respondendo também pelo ensino médio, antigo colegial. Há exceções, substanciais inclusive, mas o desenho constitucional é esse. A boa intenção foi pensar que, colocando a educação mais importante, a de crianças e adolescentes, mais perto do eleitor, ela iria melhorar. O cidadão controlaria de perto a educação dos seis aos dezoito anos, ou mesmo desde as creches.

Ledo engano. Daí, surgiram inúmeros problemas. Muitos prefeitos e governadores não são capazes de dirigir sistemas educacionais - quanto mais, de conceber mudanças que valorizem o professor e estimulem os alunos. Na verdade, os maiores avanços da educação básica nestes vinte anos, em que pesem as boas intenções de Murilio Hingel, Paulo Renato de Souza e Fernando Haddad, os ministros mais duradouros no cargo, foram apenas dois. Primeiro: priorizar na pauta de intenções do governo a educação básica. Por ora, é uma intenção. Não é uma realização. Mas já é positivo aumentar a convicção de que essa educação é a mais importante. Infelizmente, falta as famílias assumirem isso.
Segundo ganho: a decisão de avaliar a educação. E a percepção de que, para tanto, precisamos de indicadores bons. Isso pode parecer óbvio. Como melhorar a educação, sem uma avaliação constante? Mas o que não é óbvio é o modo de avaliar. Isso é muito difícil. Podemos, sim, fazer uma avaliação bastante básica dela - ver como as crianças menores se saem nas operações fundamentais da matemática e no português. Meu filho, aos oito anos, fez a Provinha Brasil, que eu baixei para ele. Acertou 23 das 24 questões. Uma amiguinha dele teve dificuldades com a última pergunta, que era como se escreve "quintal". Aliás, aproveito para recomendar aos pais que procurem, no site do INEP, as edições anteriores da Provinha e apliquem aos filhos de 7 a 9 anos. É uma brincadeira, mas fará que as famílias se envolvam mais com a educação das crianças. Voltarei a este ponto. Mas lembro que, à medida que a pessoa cresce, é cada vez mais difícil avaliar, e a regra número 1 é que a avaliação não pode inibir iniciativas criativas e emancipadoras.

Use seu voto para melhorar a educação básica

A avaliação dos sistemas educacionais foi um tema que dividiu, por muito tempo, o PSDB - que a defendia e implantou em escala federal - e o PT, que fechava com os sindicatos de professores na resistência a ela. Entendia o PT, e hoje entendem os sindicatos docentes, que a avaliação é injusta com os professores, punindo-os por deficiências do sistema como um todo e só recompensando alguns deles, os melhores. Mas não há como melhorar a educação, inclusive a remuneração dos profissionais, sem exigir deles um bom desempenho. Sempre fui defensor da qualidade. Achei muito bom que, no governo Lula, o PT mudasse de posição a respeito e, inclusive, aprimorasse os indicadores educacionais. (Vários sindicatos continuam contrários, o que hoje leva parte deles a apoiar os partidos ditos de extrema-esquerda).

Recomendo aos pais: olhem no INEP a prova adequada à idade do filho, seja Provinha Brasil, Prova Brasil ou Enem. Peçam ao filho para fazê-la e o acompanhem. E por quê? Não é só para saber como está seu filho, embora isso seja fundamental. Mas é, sobretudo, porque a maior deficiência do ensino brasileiro é que a sociedade não fez, dele, sua prioridade. Muitos consultores e jornalistas dizem que melhorar a educação é condição para o país se desenvolver. Mas sejamos claros. A família pode ajudar na segurança, na saúde e na educação. Pode ensinar os filhos a serem honestos e a se acautelarem dos criminosos. Deve educá-los a ter hábitos higiênicos e cuidar da saúde. Mas não pode substituir a polícia, o médico - nem, aliás, o professor. Só que na educação, a família pode fazer muito mais do que faz. Pode, numa palavra, mostrar que a educação é importante.

Exemplo negativo: um conhecido meu, numa crise econômica, mudou os filhos de escola porque a mensalidade estava cara. Só por isso. No mês seguinte, trocou o carro seu e da mulher. Que sinal ele deu para os filhos? Não precisa responder. Mas foi pior do que aquilo que mil governos ruins podem fazer.

Sugestão nestas eleições: vejam o que os candidatos a prefeito propõem para a educação. Verifiquem se falam em merenda escolar, transporte, pintura de escolas. Se falarem só nisso ou principalmente nisso, fujam! Provavelmente, eles não têm ideia do que é a educação. Claro que podem - e devem - falar desses pontos, mas o principal é a qualidade do ensino. Vejam também se vão falar em tablets, internet e coisas que tais. Alerta! Esses instrumentos só são úteis se houver alguém que saiba usá-los. Confiram se falam em cursos para qualificar os professores, em aumento de salário vinculado a cobrança de desempenho, e em incentivo aos alunos para que tenham prazer estudando. Aprofundem estes pontos, para ver se eles entendem do que estão falando ou apenas repetem mantras de marqueteiros. Porque, se entenderem disso, podem ser prefeitos bons para a educação.

VALOR ECONÔMICO
30/07/2012 

Educação e competição


Nas últimas décadas, o Brasil vem acumulando conquistas políticas, sociais e econômicas, saindo da condição de subdesenvolvido para o grupo das nações emergentes. Ao dominar a superinflação e conquistar a estabilidade da moeda, o país iniciou a preparação do alicerce para que iniciasse a trajetória rumo ao crescimento. Enquanto países, até pouco tempo vistos como prósperos, mergulham num estado de incerteza em relação ao futuro, a economia brasileira demonstra que adquiriu solidez, tornando-se grande valor para a sociedade.

Para poder aproveitar o bom momento econômico e dar continuidade ao crescimento, o Brasil precisa se desvencilhar dos antigos entraves, que atrapalham a competitividade, a eficiência e o desenvolvimento do país. Um dos principais gargalos diz respeito ao sistema educacional, que não tem conseguido se adequar aos novos desafios e constantes mudanças no âmbito dos negócios, a fim de prover profissionais qualificados e capazes de atender as necessidades do mercado. Em função desse cenário, as empresas atuam globalmente para encontrar e tentar reter o melhor talento.

Pesquisa realizada pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) com executivos brasileiros, a partir da reprodução da McKinsey Global Survey 2010, mostra que a melhoria na educação, a produtividade do trabalho e a gestão de talentos estão entre as principais forças de transformação que podem influenciar nos resultados das organizações. Quando comparadas à importância para os negócios e às ações efetivas, 94% dos entrevistados confirmam a preocupação com essas questões, enquanto 80% adotam medidas ativas para minimizar a lacuna e aperfeiçoar a gestão de talentos.

A carência de profissionais qualificados é nítida, especialmente como resultado dos baixos investimentos estatais na área da educação e da falta de integração das três esferas — governo, escolas e empresas — em prol da melhoria da qualidade do modelo de ensino no país.

Outro estudo realizado com 30 empresas sediadas no país pela PricewaterhouseCoopers (PwC) Brasil, em 2011, revela que a contratação de executivos com o perfil desejado para atender aos objetivos estratégicos é o mais difícil entre os diferentes níveis hierárquicos, assim como os de gestão de pesquisas e desenvolvimento (P&D). Encontrar profissionais técnicos especializados tem sido outro desafio para a gestão de pessoas.

Diante dessas dificuldades, os programas de retenção de talentos e desenvolvimento de profissionais estão entre os maiores focos das organizações, superando os da contratação e firmando-se como as chaves para consolidar o sucesso das empresas no mercado. Por isso, no cenário de transformações, a gestão de pessoas ganha especial importância e torna-se uma das principais estratégias de muitas companhias que buscam alternativas para suprir as necessidades de qualificação profissional e ganhar competitividade no século 21.

Assim, o mundo corporativo passa a ser um dos melhores ambientes para formar capital humano, com a implantação de práticas inovadoras e a criação de programas próprios de capacitação, treinamento e desenvolvimento de talentos e novas lideranças.

Mesmo saindo da sua vocação primária, de prover produtos e serviços competitivos, as empresas se juntam aos governos e às escolas na busca de solução para suprir a lacuna educacional, compreendendo a importância de sua atuação em prol de grandes temas essenciais ao desenvolvimento do Brasil. Cooperar e compartilhar boas práticas e iniciativas de quem já vem exercendo seu papel na formação de profissionais desponta, enfim, como um dos caminhos mais eficazes para mobilizar as demais organizações, incentivá-las a adotar ações gerenciais efetivas e comprovar que o conhecimento profissional pode contribuir para o crescimento e para a inovação corporativa, garantindo a continuidade da expansão econômica brasileira.

 JAIRO MARTINS
Superintendente-geral da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ)

CORREIO BRAZILIENSE
30/07/2012 

Estimating the Effects of Friendship Networks on Health Behaviors of Adolescents



Jason M. FletcherStephen L. Ross

NBER Working Paper No. 18253
Issued in July 2012
NBER Program(s):   HE 
This paper estimates the effects of friends’ health behaviors, smoking and drinking, on own health behaviors for adolescents while controlling for the effects of correlated unobservables between those friends. Specifically, the effect of friends’ health behaviors is identified by comparing similar individuals who have the same friendship opportunities because they attend the same school and make similar friendship choices, under the assumption that the friendship choice reveals information about an individual’s unobservables. We combine this identification strategy with a cross-cohort, within school design so that the model is identified based on across grade differences in the clustering of health behaviors within specific friendship patterns. Finally, we use the estimated information on correlated unobservables to examine longitudinal data on the on-set of health behaviors, where the opportunity for reverse causality should be minimal. Our estimates for both behavior and on-set are very robust to bias from correlated unobservables.

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Students Pay a Price For 'Success' de Walt Gardner



When David McCullough Jr. recently told members of the graduating class of Wellesley High School in Massachusetts that they are not special or exceptional, his remarks went viral. But his view is not unique. It is shared by many others who complain that young people have an inflated sense of themselves ("Redefining Success and Celebrating the Ordinary," The New York Times, Jun. 29).
I'm not talking about the impressive grades and trophies they've collected that are the direct result of parents pushing them to stand out. These students attend the best schools money can buy and segue into lucrative careers. Instead, I'm referring to their worth as persons. If they've never developed ethical and social responsibility, I wonder if they've paid too much of a price for their success. As the co-director and producer of the documentary film "Race to Nowhere" wrote in a letter to the editor, "success lies in the process and not in the product of their work" ("Finding Lessons in the Cheating at Stuyvesant," The New York Times, Jul. 2).
We see this disconnect in Wall Street and in the legal profession, where elite credentials have failed to instill a modicum of integrity in so many. Their actions have hurt the country in a way not seen since the Gilded Age. Yet the obscene wealth they've amassed is glorified. Little is said about their achievements as human beings. Is self-service the only thing that matters? "For the super-elite, a sense of meritocratic achievement can inspire high self-regard, and that self-regard - especially when compounded by their isolation among like-minded peers - can lead to obliviousness and indifference to the suffering of others" ("The Rise of the New Global Elite," The Atlantic, January/February 2011).
That's why I question the direction of the reform movement in the U.S. If schools are judged solely on data that are easily quantifiable, values are overlooked. Don't these count as much or more than test scores? The cheating exposés that took place at Stuyvesant High School in New York City and at Great Neck North High School on Long Island serve as evidence. It's well to remember what Oscar Wilde wrote in 1891 in The Picture of Dorian Gray: "Nowadays people know the price of everything and the value of nothing." It's too bad that students are not taught this lesson.
If this were not enough, young people are paying another price in the form of their mental health. "The cost of this relentless drive to perform at unrealistically high levels is a generation of kids who resemble nothing as much as trauma victims" ("How to Raise a Child," The New York Times, Jul. 29). The unrelenting pressure to excel has undermined their psychological growth. It's little wonder that so many have turned to drugs and drink in an effort to cope. I wonder how many students would thrive in a less competitive atmosphere where they could discover their true selves.

South America Sees Drug Path to Legalization


The New York Times

MONTEVIDEO, Uruguay — The agricultural output of this country includes rice, soybeans and wheat. Soon, though, the government may get its hands dirty with a far more complicated crop — marijuana — as part of a rising movement in this region to create alternatives to the United States-led war on drugs.
Uruguay’s famously rebellious president first called for “regulated and controlled legalization of marijuana” in a security plan unveiled last month. And now all anyone here can talk about are the potential impacts of a formal market for what Ronald Reagan once described as “probably the most dangerous drug in America.”
“It’s a profound change in approach,” said Sebastián Sabini, one of the lawmakers working on the contentious proposal unveiled by President José Mujica on June 20. “We want to separate the market: users from traffickers, marijuana from other drugs like heroin.”
Across Latin America, leaders appalled by the spread of drug-related violence are mulling policies that would have once been inconceivable.
Decriminalizing everything from heroin and cocaine to marijuana? The Brazilian and Argentine legislatures think that could be the best way to allow the police to focus on traffickers instead of addicts.
Legalizing and regulating not just drug use, but also drug transport — perhaps with large customs fees for bulk shipments? President Otto Pérez Molina of Guatemala, a no-nonsense former army general, has called for discussion of such an approach, even as leaders in Colombia, Mexico, Belize and other countries also demand a broader debate on relaxing punitive drug laws.
Uruguay has taken the experimentation to another level. United Nations officials say no other country has seriously considered creating a completely legal state-managed monopoly for marijuana or any other substance prohibited by the 1961 United NationsSingle Convention on Narcotic Drugs.
Doing so would make Uruguay the world’s first marijuana republic — leapfrogging the Netherlands, which has officially ignored marijuana sales and use since 1976, and Portugal, which abolished all criminal penalties for drug use in 2001. Here, in contrast, a state-run industry would be born, created by government bureaucrats convinced that opposition to marijuana is simply outdated.
“In 1961, television was just black and white,” said Julio Calzada, secretary general of Uruguay’s National Committee on Drugs. “Now we have the Internet.”
But kicking the prohibitionist habit, it turns out, is no easy task. Even here in a small, progressive country of 3.3 million people, the president’s proposal has hit a gust of opposition. Doctors, political rivals, marijuana users and security officials have all expressed concern about how marijuana would be managed and whether legalization, or something close to it, would accelerate Uruguay’s worsening problem of addiction and crime.
Mr. Mujica, 78, a bohemian former guerrilla who drives a 1981 Volkswagen Beetle, seems to be surprised by the response. He said this month that if most Uruguayans did not understand legalization’s value, he would suspend his plan while hammering out the details and building public support. But this is a defiant leader who spent more than a decade in jail as a political prisoner, so even as he discussed postponement, he signaled that he might not be willing to give up, emphasizing that drug users “are enslaved by an illegal market.”
“They follow the path to crime because they don’t have the money,” he said, “and they become dealers because they have no other financial means to satisfy their vice.”
His government, which has a slim majority in Parliament, is moving forward. One of the president’s advisers said this month that draft legislation would be submitted within a few weeks, and Mr. Calzada, among many others, has been hard at work. His desk is covered with handwritten notes on local drug markets. A career technocrat with the long, wispy hair of an aging rocker, he said he had been busy calculating how much marijuana Uruguay must grow to put illegal dealers out of business. He has concluded that with about 70,000 monthly users, the haul must be at least 5,000 pounds a month.
“We have to guarantee that all of our users are going to be able to get a quality product,” he said.
He added that security would be another challenge. Drug cartels protect their product by hiding it and with the ever-present threat of violence. Uruguayan officials, including Mr. Sabini — one of several lawmakers who openly admits to having smoked marijuana — favor a more neighborly approach. They imagine allowing individuals to cultivate marijuana for their own noncommercial use while professional farmers provide the rest by growing it on small plots of land that could be easily protected.
The government would also require users to sign up for registration cards to keep foreigners away — an idea influenced by a new policy in the Netherlands, which restricts marijuana sales to residents — and to track and limit Uruguayans’ purchases (to perhaps 40 joints a month, officials say). Finally, there would be systems set up to regulate the levels of THC, the active ingredient in marijuana, and levy taxes on producers, relying for enforcement on the agencies regulating tobacco, alcohol and pharmaceuticals.
Officials acknowledge that by trying to beat kingpins like the Mexican Joaquín Guzmán, known as Chapo, at their own game, Uruguay would need to co-opt old foes and join forces with the same drug aficionados it has been sending to jail for years.
That means cozying up to people like Juan Vaz. A thin, dark-haired computer programmer and father of three who is perhaps Uruguay’s most famous marijuana activist, Mr. Vaz spent 11 months in prison in a few years ago after being caught with five flowering marijuana plants and 37 seedlings. In an interview, he compared marijuana to wine, and expressed both interest and alarm at the government’s plans. He said he was pleased to see the Mujica administration tackle the issue, but like many others, he said he feared government control.
Personal marijuana use is already decriminalized in Uruguay, so Mr. Vaz, 45, said the idea of a registry for producers and users amounted to an Orwellian step backward. “We’re concerned about the violation of privacy,” he said.
Other growers and smokers, who spoke on the condition that they were not fully identified, appeared more eager to take part. Martín, 26, a bearded programmer whose closet full of marijuana plants added a unique aroma to his apartment complex, said his friends had been talking about starting a small marijuana farm.
Gabriel, 35, a dealer and user who lives downtown, said that he welcomed a legal market and hoped it would hamper the darker side of the drug business. He said that he had been selling marijuana on and off for 15 years — moving a little more than two pounds a month — and that the people he bought from had often pressured him to take on more dangerous drugs like cocaine paste, a cracklike substance that has spread wildly through the region since 2001.
“Pasta base,” as it is called here, is generally blamed for Uruguay’s recent rise in drug addiction and violent crime, and Mr. Mujica has said that legalizing marijuana would break the cycle of addiction and delinquency that begins when users become dealers.
Many in the drug treatment community have their doubts. “You’re never going to get rid of the black market,” said Pablo Rossi, director of Fundación Manantiales, which runs several residential treatment centers in Montevideo.
But Gabriel said that big dealers would inevitably adapt. The question is: for good or ill? Maybe they would start selling cocaine cheaper, he said, causing more problems. Or maybe they would be pushed out of the drug business entirely. For now, at least, they mostly seem to be afraid of change: he said a kilogram of marijuana (2.2 pounds) now costs about $470 in Uruguay, up from around $375 before the legalization proposal was announced.
“They are trying to make as much money as they can,” Gabriel said. “They think legalization is imminent.”
Emily Schmall contributed reporting from Buenos Aires, and Lis Horta Moriconi from Rio de Janeiro.

‘Trabalho formal e educação para o novo salto social’, defende Marcelo Neri


BRASÍLIA - Autor dos livros “A nova classe média” e “Microcrédito: o mistério nordestino e o grameen brasileiro”, ambos citados pela presidente Dilma Rousseff como referência, o economista Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas (FGV), diz que o Brasil poderá celebrar seus ganhos nos 200 anos de Independência “se, e somente se, a sociedade civil estiver comemorando também o cumprimento das metas de educação”.
A ascensão de 40 milhões à classe média é um ativo para os próximos 20 anos?
Em 2014, já serão 118 milhões, ou 60% da população. Foi uma revolução provocada por questões demográficas, estabilidade da moeda e formalização do trabalho. Os bônus demográfico e educacional são a chave para o Brasil dos próximos 20 anos e, juntos, podem turbinar o crescimento do país. O primeiro, que são as famílias com menos filhos e mais educação, renderá um adicional de 0,5 ponto percentual ao PIB por ano ao país até 2024. O segundo, que melhora a qualificação e a produtividade, de 2,2 ponto percentual ao ano.
O que representará essa nova classe média em duas décadas?
Já é dominante no sentido político e poderá decidir sozinha uma eleição. Para o mercado consumidor, tem poder de compra maior do que das classes A e B juntas. Mas o Brasil poderá celebrar seus ganhos nos 200 anos de Independência se, e somente se, a sociedade civil estiver comemorando também o cumprimento das metas de educação. Deu um salto na época do milagre, depois no Real e o dos últimos anos, desde o fim de 2003. O grande símbolo da nova classe média é o trabalho formal, com carteira assinada. Isso e educação são fundamentais para o novo salto, mais importantes do que crédito para aumentar consumo e políticas sociais.
Por quê?
Se fosse só crédito e política social, teria efeito passageiro. Estamos falando de mudanças estruturais. A grande agenda agora é como aumentar o número de carteiras assinadas e garantir educação de qualidade.
Qual o principal adversário do Brasil?
O otimismo excessivo. O brasileiro dá uma nota maior para ele próprio no futuro do que para o país. É preciso mudar a cultura individualista, ser mais formiguinha e menos cigarra. Questões coletivas têm que entrar na agenda, como saneamento, corrupção e criminalidade.

Brasil ainda tem 1 milhão sem escola



Dados do IBGE revelam excluídos educacionais até em estados ricos
Carla Rocha
rocha@oglobo.com.br
Antônio Gois
antonio.gois@oglobo.com.br

São apenas cinco letras, mas rabiscá-las é um tremendo desafio. Com um caderno sobre as pernas, Mário, de 11 anos, quase desenha seu nome, a única palavra que sabe escrever, manuseando o lápis sem intimidade. O nome é fictício, a história, real. A deslumbrante paisagem que se vê da casa do menino, que só entrou para a escola há cerca de um mês, revela um problema que ainda persiste mesmo nos estados mais ricos. O franzino Mário vive seu drama particular no Morro do Vidigal, em São Conrado, debruçado sobre os bairros de maior renda do Rio.
Os números do Censo do IBGE mostram que, apesar de o problema ser mais grave nas regiões Norte e Nordeste, nenhum estado conseguiu até hoje incluir todas as crianças de 6 a 14 anos na escola. Esta população de não estudantes representa 3% do total da faixa etária. Pode parecer um percentual pequeno, mas é grave quando se considera que é quase um milhão de crianças que ainda não têm garantido um de seus direitos mais básicos, previsto pela Constituição de 1988: estudar. Se a esse grupo forem incorporados as crianças de 4 e 5 anos e os jovens de 15 a 17 (que passam a fazer parte da faixa etária de escolaridade obrigatória a partir de 2016), o número aumenta para 3,8 milhões, ou 8% do total.
Tabulações feitas pelo GLOBO nos microdados do Censo mostram que o problema é maior entre os mais pobres e crianças com algum tipo de deficiência. Os números também revelam que a maioria (62%) das crianças que não estudam dos 6 aos 14 chegou um dia a frequentar a escola, mas abandonou os estudos. O problema é ainda mais grave se consideradas as faixas etárias de 4 e 5 anos e de 15 a 17, que desde 2009 passaram a ser também obrigatórias, mas com prazo para adequação dos sistemas até 2016.
As razões mais citadas por especialistas para isso são falta de interesse, repetência, gravidez precoce e necessidade de trabalhar.
Mas há situações difíceis de entender. Como a de Mário (nome fictício). No Morro do Vidigal, há uma creche municipal e uma escola, a poucos metros da casa dele. Tímido, ele é um menino saudável, apto a aprender e que não esconde de ninguém que queria muito, muito estudar.
- Agora eu estou feliz - sorri e mais não diz o menino, que não conhece sequer o "i", uma das vogais de seu nome (o verdadeiro também tem a letra). Ele revela apenas o que pretende fazer com os conhecimentos que começa a adquirir com seu primeiro professor. - Quero ler jornal e gibi.
Ex-representante da Unesco no Brasil e doutor em Educação pela Universidade de Stanford, o assessor internacional para a área de educação, Jorge Werthein, diz que o primeiro passo, nada fácil, é identificar essas crianças e adolescentes.
- O Brasil é um país de contrastes. Há estados importantes com uma grande periferia urbana e muitas desigualdades econômicas. Há estados com uma área rural significativa que sofrem com a falta de escolas. Num país continental, é uma tarefa árdua chegar a essas crianças e adolescentes por estado, por capital, por região metropolitana. Mas é preciso achá-los e depois convencê-los a ingressar ou a voltar para a escola - diz.
- Depois, nós temos que repensar a escola para que ela seja um espaço não apenas prazeroso, mas em que os alunos sintam que estão aprendendo. Uma escola ruim em qualquer lugar do mundo expulsa os alunos, com repetências e abandono. Deixa para eles a mensagem de que não são capazes, o que marca de forma brutal meninos e meninas - completa Werthein.
- Houve uma evolução inegável nos últimos dez anos. Mas ainda há muita criança fora da escola, situação agravada pelas desigualdades. Entre 4 e 5 anos, há 83% estudando no Sudeste, o que ainda é ruim, mas pior é haver só 69% dentro de sala de aula no Norte - afirma Andrea Bergamaschi, do movimento Todos pela Educação. - Para reverter este quadro, precisamos de políticas públicas cirúrgicas, específicas para cada situação.
3% do total dessa faixa etária. Se incluirmos também as populações de 4 e 5 anos e as de 15 a 17, o percentual aumenta para 8%, ou 3,8 milhões