18 de março de 2016

Eduardo Gianetti: economista e escritor fala sobre atitude "passiva" de jovens brasileiros diante do conhecimento

Março/2016
Entrevista com Eduardo Giannetti | Edição 227, Revista Educação



Para ele, a universalização do ensino fundamental ainda não ocorreu de fato, pois os estudantes não conseguem se apropriar dos conhecimentos que deveriam ter


Mariana Ezenwabasili
 
© Bel Pedrosa/Divulgação
Eduardo Giannetti da Fonseca: o importante é saber se o aluno adquiriu a capacidade de pensar

A educação plena está relacionada ao empenho dos alunos em estudar para além da sala de aula, à garantia de condições sociais básicas para o desenvolvimento cognitivo e ao apoio familiar para o aprendizado. Esses são os principais pontos defendidos pelo economista Eduardo Giannetti da Fonseca em entrevista para a Educação, concedida em São Paulo.

Graduado em ciências sociais e em economia pela Universidade de São Paulo (USP), o escritor mineiro fez doutorado na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, onde lecionou entre 1984 e 1987. Também deu aulas de disciplinas ligadas à história do pensamento econômico na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, entre 1988 e 2000, e no Insper entre 2001 e 2014. Atualmente, está escrevendo um novo livro a ser lançado ainda este ano.

Na entrevista a seguir, Giannetti faz uma análise do que julga ser uma atitude "passiva" dos estudantes brasileiros frente ao ensino em todos os níveis, aborda as consequências da "desigualdade de condições iniciais" para o acesso à educação e fala sobre os desafios para o aumento do financiamento educacional no longo prazo frente aos percalços enfrentados em meio à atual crise econômica.

Como observa a relação dos jovens brasileiros com a educação?
Os jovens brasileiros, infelizmente - e isso vem da família, da distorção da nossa formação -, têm uma visão muito "credencialista" da educação. O que a pessoa quer é o certificado, o diploma que dá a ela uma condição de ascensão profissional. Essa é uma desfiguração do sentido da educação. Isso, às vezes, se dá em função de escolas que se prestam a entregar um pedaço de papel sem o lastro da formação e da educação que devia estar por trás disso. Estamos passando por uma inflação de certificados educacionais sem lastro no Brasil. É um equívoco para o jovem, e é uma falha muito grave do sistema educacional quando ele se presta a atender a essa demanda espúria, superficial, por um certificado que não tem uma realidade por trás. Uma boa educação não é assistir displicentemente a algumas aulas, repetir na prova o que professor falou em sala e pagar a mensalidade no fim do mês. Isso não tem nada a ver com a educação. O jovem estudante deveria ser alertado para o seguinte: se ele está demandando efetivamente educação, isso implica trabalho, compromisso, dedicação. Mas, por vezes, prevalece a lei do menor esforço dos dois lados: uns fingem que ensinam e os outros fingem que aprendem e tudo termina em diploma. Esse é o pior dos mundos.

O que explica esse tipo de relação?
Houve uma certa acomodação da sociedade em ter uma visão ritualística do que é educação. O sistema educacional brasileiro é muito ritualizado. O aluno acha que se reproduzir bem na prova o que foi dado em aula está tudo resolvido, mas, assim, nada está resolvido. Uma resposta memorizada não tem valor nenhum, mesmo correta. Como professor, o que me importa é saber se o estudante adquiriu a capacidade de pensar, de fazer uma pergunta, elaborar uma dúvida pertinente, de levantar uma hipótese. E o aluno brasileiro não aprende a fazer isso, é totalmente acomodado. Mas não é culpa dele. Ele aprende a fazer isso.

Como reverter essa lógica?
Richard Feynman, grande físico americano que ganhou o Prêmio Nobel [em 1965], veio dar aula no Brasil na década de 1950 na então Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele escreveu memórias contando como havia sido essa experiência, e disse basicamente o seguinte: se você pedir ao aluno brasileiro o que está no livro, no texto, ele é um dos melhores estudantes do mundo. Mas se você pedir em uma prova alguma coisa que seja um pouco diferente do que está no livro, ele é um dos piores alunos do mundo, porque não sabe pensar. Ele colocou o dedo em um problema básico da educação brasileira: é uma atitude passiva diante do conhecimento. Isso aí é, no fundo, um conluio entre o professor e o aluno, facilita para os dois: é cômodo para o professor ficar estritamente no que está lá no texto e é muito cômodo para o aluno saber que se reproduzir o que está no texto estará bom, obterá o diploma que ele quer. É preciso romper esse pacto. Precisamos ter algum sistema de recuperação do lastro dos certificados educacionais. O que quero dizer com isso? O Brasil teve uma inflação de credenciais educacionais, tem milhões de crianças que supostamente terminaram o ensino fundamental, mas não aprenderam ou não constituíram as competências e as habilidades associadas a esse grau. A mesma coisa no ensino médio e a mesma coisa no ensino superior. É uma inflação de credenciais sem lastro. Deveria ser criada alguma exigência para o aluno mostrar que adquiriu de fato o que se espera de alguém que fez um determinado ciclo e terminou.

O Enem não cumpre essa função?
Não está funcionando assim. Pode até caminhar para isso, mas o Enem não confere o grau, ele dá uma vantagem no acesso ao ensino superior. Uma pessoa que vai muito mal em um exame desse tipo não tem de ganhar o certificado de grau correspondente, porque, caso ganhe, aquilo ali não tem realidade. E não é bom para aquele jovem achar que tem o que não tem. É preciso recuperar o valor, o lastro das credenciais educacionais e, paralelamente, é preciso formar os professores para que isso de fato aconteça. Essa é uma observação que algumas pessoas relutam muito em aceitar.

Como garantir amplo acesso à Educação Básica e qualidade de ensino?
Os Estados Unidos universalizaram o ensino fundamental no final do século 19. O Brasil universalizou o acesso ao ensino fundamental no final do século 20, com um século de atraso [com relação aos EUA], durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas muito do que se passa como ensino fundamental no Brasil infelizmente não condiz com as competências, as habilidades e os conhecimentos correspondentes ao que deveria ser o ensino fundamental. Preciso dizer isso de maneira bem concreta: tem muita gente que termina o ensino fundamental, e mesmo o ensino médio, e não está plenamente alfabetizada, são analfabetos funcionais. Isso é uma tremenda injustiça com as crianças e jovens. Nessa etapa da formação educacional, eles precisam receber aquilo a que têm direito, que é uma alfabetização plena; têm de saber ler um texto e interpretar, fazer cálculos. Não adianta terminar o ensino médio e achar que está tudo bonitinho porque se formou. É muito doloroso saber que, embora tenhamos nominalmente universalizado o acesso ao ensino fundamental, na realidade isso não aconteceu ainda. Teremos universalizado o ensino fundamental quando todos os alunos que passaram por ele tiverem tido uma alfabetização plena, terminarem o ciclo sabendo calcular, fazer fração, fazer o mínimo do currículo essencial.

O que faltou para reverter esse quadro nas demais gestões políticas?
Não preparamos os nossos professores para tornar a sala de aula um lugar de efetiva formação humana e de aprendizado básico. Outro dia, eu estava em Minas Gerais, onde vou escrever os meus livros, e comecei a conversar com um menino que estava saindo da escola. Perguntei a ele: "quanto é três vezes cinco?". Ele pensou um minutinho e falou "quinze". Pensei: "que legal, ele aprendeu mesmo", e era aluno de uma escola pública no interior de Minas. Daí falei "vou te fazer outra pergunta: quanto é cinco vezes três?", e ele disse "não sei, porque a professora não chegou lá [na tabuada do cinco] ainda". No fim, ele me disse que aprende tabuada com a professora recitando e eles, os alunos, repetindo. Ou seja, aprendeu o som da tabuada, e não a operação da tabuada. Isso não é educação. O que quero dizer com isso? Falta uma melhor formação docente e uma mudança na forma de formação dos professores. Falta entender que a sala de aula não é lugar para um ritual vazio. O professor brasileiro costuma dar aula de costas para o aluno, escrevendo na lousa. Não vira para os estudantes e pergunta algo que provoque o pensamento deles.

Na primeira maior crise da última década, a educação foi a área com cortes mais significativos no Brasil. Nesse cenário, a meta de 10% do PIB para a área até 2024 é realista?
Não acho a meta realista e estranho que o Plano Nacional da Educação se preocupe tanto com o gasto e tão pouco com a qualidade. Parece um pleito de reivindicações e não um compromisso com o acesso a uma educação de qualidade para o universo dos jovens e crianças brasileiras. As finanças públicas no Brasil, neste momento, não permitem isso, infelizmente. Logicamente, acho que temos de gastar mais com a educação. Quanto mais pudermos fazer nessa direção, melhor. Mas, para isso, é preciso haver uma contrapartida efetiva de resultado educacional. A coisa mais fácil do mundo é gastar mais, sem compromisso nenhum com o resultado educacional. E o Brasil está fazendo isso há muito tempo. Com o gasto, tem de vir uma cobrança, a melhoria da qualidade. E o momento certo de fazer essa cobrança é quando se aumenta a verba para a área.

Qual a importância da família, enquanto núcleo, na formação plena dos sujeitos?
Quando vou a Minas Gerais, tenho acesso a grupos sociais com os quais não convivo no meu dia a dia em São Paulo. Uma vez, vi uma situação lá em Minas de uma criança do ensino fundamental que copia tudo da lousa em sala de aula, e quando vai para casa encontra um ambiente completamente alheio à educação formal. Essa criança não tem nenhuma mesinha para fazer o dever de casa. Chega em seu lar, liga a televisão e fica completamente dispersa. Assim, ela está sendo prejudicada para o resto da vida devido à falta de uma estrutura mínima com relação à preocupação com os seus estudos. E, muitas vezes, os pais dessas crianças dão um duro danado, trabalham o dia inteiro, nunca souberam a importância que têm para um filho o cuidado, o acompanhamento e o interesse pela formação. Infelizmente, essa criança sofreu um infortúnio ao nascer numa situação dessas. Além disso, há um problema sério que persiste desde o período colonial: a falta da figura paterna na vida familiar brasileira. Isso significa que alguma coisa se perde. Não estou falando isso em um tom moralista; temos de entender que crianças que nascem em famílias completamente desestruturadas, muito desatentas à importância de uma certa dedicação desde cedo ao aprendizado e à formação, têm um dano.

Mesmo nessas condições, há meios de resgatar essa criança?
Temos de pegar essa criança em uma pré-escola o mais cedo possível, fazê-la aprender a se concentrar; aprender que se não fizer certas coisas na idade certa vai ficar prejudicada para o resto da vida, que é o que acontece. No caso da desorganização familiar, outras figuras, que não o próprio pai, podem substituir a figura paterna, a avó, o tio, um primo. Dada essa dificuldade da presença de pais responsáveis, as mulheres estão buscando alternativas, arranjos inovadores para ter um filho. Mas é importante fazer isso de uma maneira minimamente planejada, porque colocar uma criança no mundo sem nenhuma condição de proteger e de atender requisitos para uma boa educação constrói um adulto com dificuldades.

A condição social determina as possibilidades de acesso ao ensino e continuidade dos estudos?
No Brasil, a condição social da família de uma pessoa é tremendamente determinante da trajetória socioeconômica dela. Esse é o sinal mais eloquente da nossa desigualdade. Uma sociedade equânime e equitativa seria uma sociedade em que a condição social da família não tivesse esse peso determinante.

E como podemos chegar a isso?
Com saneamento básico, transporte público e ensino fundamental de qualidade; com condições que permitam a cada pessoa desenvolver o seu potencial e, naturalmente, diferenciar-se. É horrível estar em uma sociedade igualitária no sentido de que o resultado de todos é o mesmo sempre. As pessoas são diferentes e, felizmente, não dão o mesmo valor para o sucesso econômico. Tem gente que está disposta a sacrificar muito da sua vida para ganhar dinheiro, tem gente que não. Há pessoas que preferem ser artistas, cientistas, boêmias. Essas possibilidades também são um direito, mas todos os jovens e crianças deveriam ter a oportunidade de escolher uma trajetória considerando a plenitude do que podem chegar a ser como sujeitos. O Brasil está muito longe de garantir isso, e, assim, a condição da família acaba sendo determinante. Há jovens que nascem com a vida já resolvida quase que independentemente do que venham a fazer, e há outros que nascem com a vida perdida independentemente do que aconteça também. O que me agride como cidadão é a desigualdade de condições iniciais. As crianças brasileiras de famílias que moram onde não há coleta de esgoto podem pegar doenças na primeira infância que irão prejudicar a formação do cérebro para um aprendizado adequado na juventude.

Educación: ¿Vale la pena ir a la universidad?

Muchos expertos consideran que el título es "irrelevante" a la hora de conseguir empleo

PARA LA NACION
VIERNES 18 DE MARZO DE 2016

La palabra es dura: "irrelevancia". Se escuchó en Dubai, el último fin de semana, durante el Global Education & Skills Forum (GESF) para referirse al peso de la universidad en el mundo actual. La irrelevancia o relevancia de los estudios universitarios y su rol cuando los graduados pululan por el mundo, pero el desempleo los castiga -sobre todo a los jóvenes-, fue uno de los temas analizados en el GESF.
El debate dejó en claro una paradoja: el aumento de la matrícula y la creación exponencial de universidades contrastan con el reclamo de los empleadores, que no encuentran entre los graduados las habilidades necesarias.
Foto:LA NACION
La educación vocacional y técnica, al mismo tiempo, empieza a ganar espacio como solución más flexible ante una realidad en continuo cambio. En los últimos 15 años, se graduaron 7,3 millones de chinos de la universidad. Sin embargo, en su país ahora el 30% de esos graduados no encuentra trabajo, mientras que entre los que no tienen título el desempleo apenas llega al 4%.
"¿Quién de ustedes elegiría no enviar a su hijo a la universidad?", desafía el moderador de un debate para inquietar al auditorio y abrir la discusión. Ninguno de los asistentes levanta la mano. Resulta impensable para esa fauna cultivada, un centenar de hombres y mujeres vinculados de alguna manera con el mundo educativo, concebir un destino distinto que no pase por los claustros universitarios. El futuro de sus hijos viene con un título académico bajo el brazo.
Y sin embargo el debate que está a punto de empezar busca sacudir esa certeza. El tema de la polémica: "la creciente irrelevancia de la universidad". Las palabras "irrelevancia" y "creciente" lastiman los oídos de los graduados allí reunidos. Es domingo en Dubai, día de cierre del GESF, la cumbre global organizada por la Fundación Varkey, una ONG con sede en Londres fundada por el multimillonario nacido en India, Sunny Varkey, que viene haciendo millones con GEMS, la cadena de escuelas privadas más grande del mundo.
Se trata de la cumbre educativa internacional que es considerada el Davos de la educación y que reúne a las figuras más influyentes del sector. Entre los participantes estuvo el ministro de Educación argentino, Esteban Bullrich.

Ejes de la cumbre

Este año el eje de la cumbre fue "educación, equidad y empleo". No fue casual en ese sentido que el discurso central de apertura del foro estuviera a cargo del director de Educación y Habilidades de la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económicos (OCDE), Andreas Schleicher, el hombre fuerte de las pruebas PISA. Schleicher puso un dato significativo sobre la mesa: "En los últimos años, China ha venido construyendo cerca de una universidad por semana", sostuvo. Pero Schleicher subrayó una contradicción: "Mientras los graduados sin empleo están buscando trabajo, los empleadores dicen que no pueden encontrar a la gente con las habilidades que necesitan".
En la India, donde la cantidad de graduados pasó de un millón a cinco millones en el mismo período, el panorama es similar. En Jordania, la tasa de desempleo es el doble para los graduados universitarios.

Cómo conseguir empleo

Jamie McAuliffe, el presidente de Education for Employement (EFE, por sus siglas en inglés), una ONG dedicada a conectar a los jóvenes con sus primeros trabajos en el sector privado en África y Medio Oriente, dio buenos argumentos para descreer de la universidad. McAuliffe citó un caso: la historia de una chica de Túnez que soñaba, como muchos, con que un título de ingeniera era un pasaporte para el futuro, pero terminó entrando a un programa específico de project manager después de tres años de buscar trabajo como ingeniera sin ningún éxito. A partir de esa educación técnica específica encontró trabajo. "La mayoría de los sistemas educativos son educación para el desempleo. ¿Eso es lo que queremos de nuestras universidades?", se preguntó.
Entre quienes cuestionan la relevancia de los títulos universitarios, la educación vocacional o técnica, tanto en secundaria como superior no universitaria, o en el modelo de educación continua para adultos ya formados, se planteó como una opción más efectiva.
Un informe de la Reserva Federal de Nueva York, citado en el debate, llegó para apoyar esta visión: en Estados Unidos, el 44% de los jóvenes graduados terminarán en trabajos que no requieren título universitario. Los estudiantes universitarios se queman las pestañas en carreras que no necesitarán para el empleo. Y que sus empleadores no valoran. Carreras cortas más específicas se plantearon como una alternativa más efectiva durante el debate.
Por el otro lado, la relevancia de la universidad tuvo un defensor de lujo en Dubai: Geoffrey Canada, el presidente de Harlem Children's Zone, un proyecto de ayuda social desarrollado en Harlem para acompañar a chicos nacidos en sectores vulnerables. "Aunque estoy de acuerdo en que el mercado de trabajo está cambiando, si no podés saber qué trabajo existirá hoy, tampoco podés darles entrenamiento que los prepare para ese trabajo en particular", sostuvo para relativizar los beneficios de una educación más vocacional y técnica.

Visiones encontradas

A favor

Geoffrey Canada
Harlem Children's Zone
"Si no podés saber qué trabajo existirá hoy, tampoco podés darles el entrenamiento que los prepare para ese trabajo en particular"

En contra

Jamie Mcauliffe
Education for employement
"La mayoría de los sistemas educativos son educación para el desempleo. ¿Eso es lo que queremos de nuestras universidades?"

Critics Assail Potential New York Move on Regulating Online Colleges

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MaryEllen Elia, New York State’s education commissioner, is expected to soon sign an interstate agreement covering the regulation of online colleges. Critics say the agreement would be harmful to students. CreditMike Groll/Associated Press
Consumer advocates, legal aid organizations and labor unions are urging New York State’s education commissioner not to sign an interstate agreement that they say would expose students to harm at the hands of online colleges and universities.
The agreement, the State Authorization Reciprocity Agreement, creates a shared system for regulating online higher education programs. Public and private, nonprofit colleges and universities in New York have been aggressive in lobbying for the commissioner, MaryEllen Elia, to sign the agreement, saying it is critical to their ability to compete in the rapidly expanding online-education market.
But the groups calling on Ms. Elia not to sign the agreement, which include the New York Public Interest Research Group, the Institute for College Access and Success, the Consumers Union, and the National Consumer Law Center, say it would put poor students at serious risk from for-profit schools, which have played an outsize role in the increase in both student debt and student loan defaults over the past 15 years, according to a recent analysis.
The agreement, known as SARA, is meant to remove a significant obstacle to the expansion of higher education online: the patchwork of state regulations that required schools to go state by state to seek approval for enrolling students. States that sign the agreement essentially agree to let a college’s home state regulate it, whether it is public, private or for-profit.
In a letter they sent to Ms. Elia on Wednesday, the groups said the agreement provided too little oversight, especially of for-profit schools.
“Historically, New York has been a national leader in protecting its citizens from unfair business practices,” the groups wrote. By signing the agreement, “New York would formally agree to the weaker oversight of out-of-state online schools, effectively ceding the ability to guard its citizens against abusive practices.”
“We’re basically leaving our most vulnerable students open to being scammed,” said Evan Denerstein, a senior staff attorney at MFY Legal Services Inc., an organization in New York that provides free legal services to people who have defaulted on their student loans.
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Robert Shireman, a senior fellow at the Century Foundation, a liberal think tank, opposes the State Authorization Reciprocity Agreement, which creates a shared system for regulating online higher education programs. CreditLaura Morton for The New York Times
The agreement was drawn up by an organization called the National Council for State Authorization Reciprocity Agreements, or NC-SARA, whose board comprises representatives of public, nonprofit and for-profit colleges, as well as some government officials. Among the issues of concern to consumer advocates is that the agreement appears to let the national council retain a powerful role in dictating what participating states can and cannot do.
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In New York, the State Legislature passed a bill last year authorizing the education commissioner to enter into the agreement, and Gov. Andrew M. Cuomo signed the legislation.
Ms. Elia, who was not available for comment, is expected to sign the agreement soon.
The state’s deputy education commissioner for higher education, John D’Agati, said in an interview that he did not understand the advocates’ concerns. Currently, he said, the Education Department does not regulate online programs based in other states at all, because the agency does not have the legal authority or the resources to do so.
“There seems to be this, y’know, ‘I want you to put up a wall to not allow Phoenix or Kaplan or whatever to come into New York,’” Mr. D’Agati said, referring to two for-profit colleges, the University of Phoenix and Kaplan University. But, he added, “They’re here already.”
Robert Shireman, a senior fellow at the Century Foundation, a liberal think tank, and a former deputy undersecretary in the federal Education Department who signed the letter opposing the agreement, said that though New York did not currently regulate out-of-state online colleges, it could in the future. By signing the agreement, he said, the state would lose that option.
“They shouldn’t give up that right until we’ve got an agreement that will work,” he said.
The New York attorney general, Eric T. Schneiderman, declined to comment on the agreement, but his office has in the past used the state’s education laws to bring cases against colleges, something critics say would no longer be possible with colleges in other states if New York agreed to participate in the shared system.

Marshall A. Hill, executive director of NC-SARA, said that requiring students to take complaints to their colleges first was “common practice throughout all of higher education.”
Another problem cited by consumer advocates is the agreement’s requirement that complaints first go through an institution or company’s own complaint-resolution process. Students who felt they did not receive the education that was advertised; who were unhappy with seemingly exorbitant or unfair fees; or who were surprised to learn they could not transfer credits would first have to bring complaints to the college. If students were not satisfied with how the college resolved the issue, they could take the matter to regulators in the college’s home state, but only within two years of whatever prompted the complaint.
As for the two-year limit, Mr. Hill said that everything in the agreement was “a negotiated compromise” between colleges, which want as little oversight as possible, and regulators, who “want to regulate a lot.”
Mr. Shireman, of the Century Foundation, said that forcing students to go through an institution’s complaint process first could keep patterns of misbehavior out of the public eye.
That, he said, was the primary method by which some for-profit colleges had prevented fraud from being detected, “because they basically keep it all internal and confidential.”
Mr. Hill said that colleges would have to meet standards to become SARA-approved, and that the most problematic schools would be kept out. He cited Corinthian Colleges, which closed and filed for bankruptcy last year amid widespread charges of fraud, as an example of a college that would not have been approved. Corinthian’s low financial responsibility score — a figure the federal government uses to assess a university’s financial health — would have kept it out of the SARA system, he said. For many years, however, Corinthian’s financial responsibility score would have been high enough for approval.
According to the agreement’s policies and standards document, states can approve colleges for participation “on provisional status” if they are either on probation from an accrediting entity or “the subject of a publicly announced investigation by a government agency.”
The University of Phoenix, whose graduates, according toone analysis, have the most outstanding student federal debt of any United States college — $35.5 billion — and whose owner is being investigated by the Federal Trade Commission for possibly engaging in deceptive advertising, has been approved for participation in the system. So has Colorado Technical University. In 2013, Mr. Schneiderman’s office reached a $10.25 million settlement with the university’s parent company, Career Education Corporation, for inflating its graduates’ job-placement rates.

15 de março de 2016

ILONA SZABÓ E MICHELE RAMOS O que celebrar no dia do desarmamento?

15/03/2016  Folha de S.Paulo

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Tendências / DebatesNão há o que comemorar quando o assunto é regulação de armas na América do Sul. Três dos maiores países da região -Brasil, Colômbia e Venezuela- concentram uma em cada cinco mortes por armas de fogo no planeta. A região precisa, mais do nunca, adotar uma legislação responsável sobre as armas.
Apesar dos custos sociais e econômicos inaceitáveis das dezenas de milhares de mortes por ano, estimados em R$ 133 bilhões por ano somente no Brasil (ou 2,5% do PIB), muitas vezes aceitamos essa calamidade como algo inevitável. Mas não é. A redução da violência por armas de fogo precisa ser uma prioridade na agenda de segurança pública nos países sul-americanos.
A redução do número de armas em circulação e a regulação do comércio, da posse e do porte de armas e munições são fundamentais para a queda dos estoques desviados da legalidade para o crime.
A regulação responsável também impacta diretamente a dinâmica dos chamados homicídios por motivos fúteis, nos quais a disponibilidade de uma arma é decisiva para que o conflito tenha um desfecho trágico.
No Mercosul, o tema da regulação de armas e munições deu origem à Declaração de Buenos Aires sobre o Desarmamento da Sociedade Civil, de 2012.
Reconhecendo que as armas são fatores de risco para o aumento da violência, os signatários da declaração apontaram para a necessidade de produção e intercâmbio de dados e informações. Também julgaram fundamental fortalecer a articulação com as organizações da sociedade civil e os meios de comunicação.
Nenhum país é mais atingido pelo uso de armas de fogo do que o Brasil. São mais de 47 mil vítimas todos os anos, que custam R$ 5 bilhões anualmente ao SUS. Diante dessa tragédia, faz todo o sentido que o país tenha liderado, na 36ª Reunião dos Ministros do Interior do Mercosul (2015), a proposta de criação do Dia Sul-Americano do Desarmamento Voluntário, cuja primeira celebração ocorre nesta terça (15).
A data poderia certamente servir como um momento estratégico para impulsionar uma série de ações no país, incluindo o lançamento de um pacto nacional pela redução de homicídios, a melhoria e a integração dos sistemas de controle de armas, a destruição de armas acauteladas e a retomada das campanhas de entrega voluntária.
Infelizmente, em meio a outras prioridades e impasses do cenário político atual, é muito provável que este primeiro Dia Sul-Americano do Desarmamento passe em branco.
Enquanto sociedade, porém, não podemos mais permitir que a hesitação de nossos governos seja confundida com uma suposta normalidade e inevitabilidade da violência.
A população precisa encarar os fatos friamente. Nosso país, campeão de homicídios do planeta, precisa assumir a liderança. É urgente elaborar um novo pacto social que valorize a vida, todas as vidas, e coloque a regulação de armas em uma posição no centro da pauta. Essa iniciativa precisa vir de nosso recurso mais valioso: nós mesmos, indivíduos que transformam as sociedades do Brasil e da América do Sul.
ILONA SZABÓ, 37, mestre em estudos de conflito e paz pela Universidade de Uppsala, na Suécia, é diretora-executiva do Instituto Igarapé, especializado em segurança e desenvolvimento
MICHELE RAMOS, 31, mestre em segurança internacional pela Sciences Po (Instituto de Estudos Políticos de Paris), é pesquisadora do Instituto Igarapé

A farsa da "ideologia de gênero", Jean Wyllys



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Tendências / DebatesHá situações em que os esforços para invisibilizar ou deturpar um assunto acabam por afirmá-lo e ampliar sua circulação. É como diz a letra da canção: "Peço tanto a Deus/ Para lhe esquecer/ Mas só de pedir me lembro". Gênero, equidade de gênero e identidade de gênero estão nessa categoria.
O processo da transexualização público de Thammy Miranda, a história do escritor João Nery e a recente decisão de um juiz de permitir a alteração de registro de uma menina transgênero no Brasil são exemplos recentes de luzes atravessando a barreira que as forças políticas lhes impõem.
"Ideologia de gênero" é a expressão cunhada por fundamentalistas religiosos para deturpar o debate acerca de equidade e identidade de gênero -como se essa agenda representasse a abolição da diferença biológica entre os sexos- e, assim, enfraquecer a luta por direitos das pessoas transexuais e das mulheres em geral.
Apesar dos esforços para banir essas questões da agenda republicana, o tema está emergindo com força até mesmo em Hollywood. O filme "A Garota Dinamarquesa", vencedor do Oscar de melhor atriz coadjuvante (Alicia Vikander), ainda em cartaz no Brasil, narra ao grande público as desventuras da pintora transexual Lili Elbe, uma das primeiras pessoas a se submeter a uma incipiente técnica cirúrgica de redesignação sexual.
A história de Lili Elbe evoca as de um número crescente de pessoas que lutam por visibilidade e respeito. São aqueles e aquelas que correspondem ao T da sigla LGBT: travestis e transexuais (ou transgêneros). Assim como Lili Elbe, são pessoas equivocadamente classificadas como portadoras de "disforia de gênero" ou de outros transtornos psíquicos, numa patologização que acarreta violências simbólicas e físicas.
Uma confusão cada vez mais estimulada por esses setores é a que se faz entre orientação sexual (De quem eu gosto? Quem eu desejo?) e identidade de gênero (Quem eu sou para mim mesmo? Como me vejo ou me percebo no mundo do qual faço parte?).
Recentemente o público do "Jornal Nacional" conheceu a história de um menino de nove anos que conseguiu, por meio da Justiça e com o consentimento e a compreensão dos pais, retificar seu registro civil para que fosse reconhecido, legalmente, como menina, pois desde os primeiros anos de vida identificava-se com o gênero feminino.
Apesar de respeitosa, a reportagem não fez qualquer ligação com o recente debate que varreu o país em torno da referência à identidade de gênero nos planos nacional e municipais de educação.
Também não citou o projeto de lei João Nery, de minha autoria, atualmente em debate na Câmara, alvo de deturpação por fundamentalistas religiosos que me acusam de querer "obrigar criança a mudar de sexo" ou "a virar gay".
O foco principal do projeto, cujo nome homenageia o escritor nascido mulher que passou por operação de mudança de sexo em 1977, é reconhecer a identidade de gênero como um direito.
O projeto prevê que o (a) jovem trans -e não "qualquer criança"- deverá ter acesso à Justiça quando um de seus responsáveis se opuser ao seu desejo expresso de iniciar o processo de transexualização, que inclui procedimentos como o uso de bloqueadores de hormônios, terapia hormonal, cirurgias plásticas, implante de seios, mamoplastia, depilação a laser, entre outros.
Alguém pode imaginar o sofrimento de uma pessoa que começa a sentir os sinais da puberdade, a barba ou os seios crescendo, quando isso parece estar em completo desacordo com quem ele ou ela acha que é?
A cirurgia de redesignação sexual nem sempre é um anseio da pessoa transgênero. Ela deseja, antes de tudo, ser tratada pelo nome com o qual se identifica, ter a documentação condizente com sua identidade social e ser respeitada.
Tentar varrer da agenda pública as questões de gênero põe em dúvida se de fato estamos sob um Estado democrático e laico, do qual todos dependemos para exercer nossas liberdades e nossos direitos.
JEAN WYLLYS é deputado federal pelo PSOL-RJ

14 de março de 2016

BID e OEA pedem à América Latina e Caribe mais esforços na área de segurança cibernética

14/03/2016

  • Relatório demonstra que a região apresenta vulnerabilidades “potencialmente devastadoras”
  • Quatro em cada cinco países carecem de uma estratégia de segurança cibernética
Os líderes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Organização dos Estados Americanos (OEA) fizeram hoje um apelo aos países da América Latina e do Caribe para que acelerem seus trabalhos em segurança cibernética, após a apresentação de um novo estudo elaborado por ambas as instituições, com o apoio da Universidade de Oxford, que demonstra que a região é altamente vulnerável a ataques cibernéticos potencialmente devastadores.
O relatório Segurança Cibernética 2016 - Estamos preparados na América Latina e no Caribe?revela que quatro em cada cinco países da região não possuem estratégias de segurança cibernética ou planos de proteção da infraestrutura crítica. Dois em cada três não possuem um centro de comando e controle de segurança cibernética. A grande maioria das promotorias não tem a capacidade de processar crimes cibernéticos, entre outras carências.
O relatório analisa o estado de preparo de 32 países com base em 49 indicadores. Essa é a primeira radiografia profunda do nível de preparo da América Latina e do Caribe diante da crescente ameaça dos crimes cibernéticos.
O Uruguai, Brasil, México, Argentina, Chile, Colômbia e Trinidad e Tobago estão em um nível intermediário de desenvolvimento, mas ainda distantes de países avançados como os Estados Unidos, Israel, Estônia e República da Coreia.
“Este relatório é um chamado de ação para que protejamos nossos cidadãos e nossa infraestrutura essencial do século XXI", afirmou o Presidente do BID, Luis Alberto Moreno. “Nossa região chegou tarde à Revolução Industrial. Não podemos perder a oportunidade inaugurada pela revolução digital. Por esse motivo, a segurança cibernética precisa ser uma prioridade".
O Secretário-Geral da OEA, Luis Almagro, enfatizou que o espaço cibernético, cada vez mais, constitui parte integrante das vidas cotidianas das pessoas nas Américas, sendo imprescindível para seu desenvolvimento. “Por esse motivo, temos que perceber a segurança cibernética como qualquer outra forma de segurança: um tema de altíssima prioridade para nossos povos, sem o qual estamos expostos a perdas potencialmente catastróficas. Nesse contexto, nosso lema “Mais direitos para mais pessoas” se traduz no compromisso de continuar trabalhando para fortalecer as capacidades de nossos países de proteger as pessoas, as economias e a infraestrutura crítica de nossa região".
O risco de abusos aumenta à medida que a América Latina e o Caribe são incorporados à revolução digital. A região é o quarto maior mercado móvel do mundo. A metade da população usa a Internet. Existem países na América Latina que processam 100% de suas compras governamentais pela via eletrônica. Os riscos serão multiplicados com o advento da “Internet das Coisas”, em que não apenas os computadores estarão interconectados, mas também um universo de máquinas e sensores inteligentes, controlando virtualmente tudo o que usamos no nosso dia a dia.
Essa avaliação do amadurecimento das políticas de segurança cibernética inclui 49 indicadores distribuídos em cinco áreas: política e estratégia, cultura e sociedade, educação, marco jurídico e tecnologia. O relatório inclui datas técnicas de todos os países e analisa elementos fundamentais como a situação das legislações e a capacidade dos países de responder aos incidentes.
Em 16 países, a capacidade de resposta a incidentes cibernéticos não é coordenada. Somente quatro países da região superam o nível intermediário de desenvolvimento nesse aspecto.
Apenas seis países da região contam com um programa estruturado de educação em segurança cibernética com orçamento estável e mecanismos de investigação e transferência de conhecimento.
O relatório também contou com a colaboração do Center for Strategic International Studies, Fundação Getúlio Vargas, Organização FIRST, Conselho da Europa, Potomac Institute e Fórum Econômico Mundial.

10 de março de 2016

Breaking down the barriers to girls’ education


Infographic: Learn what is keeping girls out of school and how the Global Partnership for Education is addressing these challenges


Although the number of out-of-school girls has declined by 52 million since 2000, 63 million girls are still not in school today. According to the most recent UNESCO Institute of Statistics data, girls are twice as likely as boys never to enroll in school.
Barriers to girls’ education are complex and multifaceted. In addition to unfavorable school environments, they can include discriminatory social and cultural factors, early marriage and school-related violence.
The Global Partnership for Education supports countries to develop, finance and implement gender-responsive education sector plans. Interventions made in GPE partner developing countries have allowed the percentage of girls completing primary school to increase from 54% in 2000 to 69% in 2013.
If the world commits to breaking down the barriers to quality education for all girls, we can unlock their potential and make important strides towards ending extreme poverty. 
Download the full infographic here.
Infographic:Breaking down barriers girls education