23 de novembro de 2017

Harvard é investigada por preterir asiáticos em favor de negros e latinos


O Departamento de Justiça dos EUA investiga a Universidade Harvard, uma das mais prestigiadas do mundo, por preterir estudantes de origem asiática em sua seleção em favor de negros e latinos.
Em ofícios enviados à universidade nesta semana e revelados pelo "Wall Street Journal", o órgão cita a Lei dos Direitos Civis, que proíbe "discriminação com base em raça, cor e origem em programas e atividades que recebam financiamento federal", e pede os documentos de seleção.
Jessica Rinaldi - 16.nov.2012/Reuters
Camisetas da Universidade Harvard são vendidas em seu campus em Cambridge, na região de Boston
Camisetas da Universidade Harvard são vendidas em seu campus em Cambridge, na região de Boston
Hoje, quase 40 mil estudantes disputam a cada semestre uma vaga na universidade, que seleciona 2.000.
Na turma mais recente, metade dos alunos escolhidos era branca, e a outra metade, formada por asiáticos (22%), negros (14%), latinos (11%) e indígenas (1,9%).
Mas, segundo uma associação de estudantes, o total de alunos de origem asiática seria maior se não fossem práticas de equilíbrio racial adotadas por Harvard.
A Students for Fair Admissions (SFA, estudantes pela admissão justa) já moveu ações judiciais contra três universidades, alegando que estudantes asiáticos com excepcional desempenho acadêmico estão sendo preteridos por causa de sua etnia.
É sobre esses casos que o Departamento de Justiça se debruça desde agosto.
No caso de Harvard, o total de concorrentes asiáticos teria dobrado nos últimos 20 anos, mas o percentual selecionado se manteve igual.
A universidade não confirma essa informação. Estatísticas mostram que tanto o percentual de estudantes asiáticos quanto o de negros e latinos aumentaram no período, embora em proporções diferentes. Vinte anos atrás, 16% dos alunos de Harvard eram de origem asiática, 9% eram negros, 8,5% eram latinos e 0,8% eram indígenas.
DIVERSIDADE
A lei americana hoje veta cotas raciais. Mas algumas instituições adotam ações afirmativas: Harvard, por exemplo, já disse que está comprometida em formar "turmas diversificadas" e que seus estudantes precisam ter a capacidade de "trabalhar com pessoas de diferentes formações, experiências de vida e perspectivas".
"Já basta. As universidades americanas devem julgar os alunos com base em seu caráter e conteúdo, e não pela cor de sua pele", diz Edward Blum, presidente da SFA.
Segundo ele, Harvard passou a adotar a seleção "holística" de estudantes, com critérios que vão além do desempenho acadêmico, na década de 1920, quando o número de estudantes judeus estava em ascensão. Para Blum, o processo aplicado hoje, que limita a entrada de asiáticos, segue os mesmos princípios.
A Universidade Harvard afirma que seu processo de seleção é "coerente com as normas legais estabelecidas pela Suprema Corte" e nega haver discriminação.
Outras organizações alegam que a investigação aberta pelo governo de Donald Trump é um ataque a políticas afirmativas. "[Dizer que isso prejudica asiáticos] é uma mentira absoluta", disse a advogada Kristen Clarke, do Comitê de Advogados pelos Direitos Civis. Para ela, os dados não demonstram discriminação, e esse tipo de seleção permite construir um ambiente acadêmico diversificado, que "prepara os alunos como cidadãos globais".
Não se sabe se outras universidades estão sob investigação. Oficialmente, o Departamento de Justiça informou à Folha que não comenta investigações em andamento, mas que "encara com seriedade qualquer potencial violação aos direitos civis e constitucionais do indivíduo".
Em nota, Harvard afirma que está disposta a colaborar com a investigação, mas que tem a "obrigação de proteger a confidencialidade" de seus estudantes e, por isso, vem buscando "a melhor forma" de fornecer os documentos. 

Estado da desigualdade, Banco Mundial


EDITORIAL

Lalo de Almeida/Folhapress
ORG XMIT: 145001_1.tif Idosos aguardam atendimento em agência do INSS, no centro de São Paulo (SP). (São Paulo, SP, 27.01.2009. Foto de Lalo de Almeida/Folhapress)
Idosos aguardam atendimento em agência do INSS no centro de São Paulo (SP)
Foi oportuna a divulgação, na terça-feira (21), de estudo do Banco Mundial a respeito da eficiência e da equidade do gasto público no Brasil —ou, mais precisamente, da escassez de ambas.
Apresentam-se às claras conclusões que, no mais das vezes, acabam encobertas por mistificações do debate político. Ademais, o trabalho atende a encomenda de Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda do governo Dilma Rousseff (PT), o que permite recordar que as preocupações reformistas antecedem o impeachment da ex-presidente.
Em suma, aponta-se que o setor público brasileiro gasta muito e gasta mal. Se tal diagnóstico não prima pela originalidade, a descrição do quadro tem os méritos do didatismo e da amplitude.
Da arrecadação de impostos ao destino dos gastos, o Orçamento contribui para perpetuar a já extrema desigualdade socioeconômica —enquanto o gigantismo estatal costuma ser justificado pela necessidade de reduzir a distância entre ricos e pobres.
No caso da Previdência, principal item da despesa, a distorção é evidente. Cerca de 35% dos subsídios (a diferença entre contribuições e benefícios) se direcionam aos 20% mais abonados.
Especialmente assimétricas se mostram as regras de aposentadoria dos servidores públicos, em sua maioria pertencentes aos estratos de renda mais alta —e que recebem, do restante da população, uma transferência estimada em 2% do Produto Interno Bruto.
Mudanças em tais normas e maior tributação dos benefícios mais elevados, sobretudo no Legislativo e no Judiciário, estão entre as medidas recomendadas.
Também se destacam os salários da máquina pública: no funcionalismo federal, eles superam em 67% os do setor privado, em média, mesmo depois de considerados nível educacional, idade e experiência. É a maior discrepância numa amostra de 53 países.
O Banco Mundial estima que a redução desse diferencial à metade (o que seria possível com congelamento de salários mais altos nos próximos anos, entre outas medidas) pouparia o equivalente a 0,9% do PIB, quase a metade do ganho esperado com a reforma da Previdência em dez anos.
O texto traz ainda sugestões para redirecionar a carga tributária de forma que se transfira ônus maior aos mais ricos, uma ideia negligenciada no Brasil.
Redefinir com convicção a ação do Estado para reduzir a desigualdade e, ao mesmo tempo, recuperar o equilíbrio orçamentário demandam reformas de grande alcance. Como fazê-lo é o desafio político fundamental que precisará ser vencido nos próximos anos.

22 de novembro de 2017

Gestão Temer barra artigo científico e provoca crise com pesquisadores


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O Inep, ligado ao Ministério da Educação do governo Michel Temer (PMDB), barrou a exposição de um artigo científico que, mesmo tendo sido avalizado tecnicamente pelo comitê editorial, desagradou a direção do instituto.
A decisão abriu uma crise com pesquisadores, que falam em "censura" ao trabalho acadêmico e científico.
O artigo havia sido publicado no site do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) na sexta-feira (18), mas logo no sábado (19) acabou suprimido.
Edson Silva -27.mar.2013/Folhapress
SERTAOZINHO, SP, BRASIL, 27-03-2013: Alunos do 9º ano em aula de matematica da Emef Jose Negri, em Sertaozinho (SP), a melhor nota em matematica do Estado. Escola municipal em Sertaozinho tem a melhor nota de matematica do Estado na Prova Brasil. ( Foto: Edson Silva/Folhapress) ***COTIDIANO***EXCLUSIVO*** *** Local Caption ***
Escola Jose Negri, em Sertãozinho (SP),que teve bom desempenho no Inep
O texto integra uma série de publicações com critérios científicos e comitê editorial próprio. Com 56 páginas, trata de proposta do novo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Sinaeb), cuja criação é prevista no Plano Nacional de Educação (PNE).
Em maio de 2016, ainda no governo Dilma Rousseff (PT), portaria do ministério com a criação do Sinaeb previa a ampliação do sistema de avaliação da educação básica. Ela foi revogada em setembro do ano passado, já com a equipe do atual ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM).
A presidente do Inep, Maria Inês Fini, que já havia se posicionado contrária ao previsto no Sinaeb, foi quem decidiu pela retirada do artigo científico do site. O Inep diz que vai reavaliar se ele passou pelos "trâmites formais".
O texto retirado do ar havia sido submetido ao periódico científico "PNE em Movimento", iniciativa do Inep para produzir estudos sobre as metas do plano de educação e que já tem seis números.
Não se trata de publicação institucional do Inep, e os artigos são sempre assinados.
O texto "Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Sinaeb): Proposta para atender ao disposto no Plano Nacional de Educação" havia sido entregue para análise em abril deste ano. Ele é assinado por três funcionários do Inep: Alexandre André dos Santos, João Luiz Horta Neto e Rogério Diniz Junqueira.
Pelo trâmite previsto, e que segue as premissas de publicações científicas, ele foi analisado por um consultor e depois pelo comitê editorial da publicação, segundo mensagem da editora do periódico, Elenita Rodrigues, do Inep.
"Caso seja do entendimento desta gestão que, no atual contexto político do Inep, a série ['PNE em Movimento'], como foi concebida, não deve mais publicar artigos sem avaliação direta da gestão, minha sugestão é a de que seja retirada dela a premissa de se tratar de publicação científica", afirma a mensagem de Rodrigues encaminhada para membros do Inep e a qual a Folha teve acesso.
Na carta, Rodrigues colocou seu cargo à disposição. "É inadmissível qualquer decisão de a gestão controlar publicações aprovadas por comitê editorial e, neste cenário, manifesto desejo de afastamento destas editorias." Ela não quis dar entrevista, mas diz que todas as normas foram seguidas. Luiz Horta e André Santos também preferiram não dar entrevista. Rogério Junqueira não foi localizado.
CENSURA
A retirada do artigo repercutiu no meio acadêmico.
Andrea Gouveia, presidente da Anped (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação) considerou a decisão do Inep "uma censura" que vai "contra a história de um instituto de estudos e pesquisas".
"Calar a possibilidade de ter um registro histórico da produção de um pesquisador é muito ruim. Mesmo que se discorde, não há motivo para proibir uma publicação", completa Gouveia.
Reprodução
Capa da revista "PNE em Movimento", do Inep, que foi tirada do ar. Credito: Reprodução DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM
Capa da revista científica "PNE em Movimento", do Inep, onde o artigo barrado havia sido publicada
Docente na Faculdade de Educação da USP, Sandra Zakia diz que "a censura é surpreendente e inaceitável".
"Foi uma medida autoritária por parte da direção do Inep, desrespeitando uma decisão do conselho editorial."
Zakia e membros da Anped participaram das discussões que antecederam a portaria inicial do Sinaeb. A proposta do novo sistema inclui novas dimensões de avaliação da educação básica, além do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).
Pela proposta, valorização dos profissionais e superação das desigualdades seriam pontos também analisados na avaliação. O artigo traz um histórico das avaliações educacionais do Inep, além de reflexão acerca de concepções de qualidade educacional.
OUTRO LADO
O Inep informou que o artigo foi retirado do ar para analisar se houve um correto atendimento dos trâmites formais da publicação.
Segundo o órgão, o texto não seria inédito por ter feito parte de subsídio apresentado, em 2016, junto com a portaria do Sinaeb. O mesmo conteúdo havia sido apresentado e rejeitado em outra publicação do Inep, no ano passado.
Após essa primeira recusa, os autores ressaltaram em um documento levado ao Inep que toda a discussão anterior não configura a quebra de ineditismo, uma vez que o conteúdo nunca sai em periódico.
Para o Inep, o fato de a portaria do Sinaeb ter sido revogada é também motivo para sua exclusão –mesmo que a publicação seja de caráter científico. O instituto ainda afirma que o texto não teria passado por aprovação colegiada do comitê editorial.
Consultada após a resposta do Inep, a editora da série, Elenita Rodrigues, disse que o artigo foi revisado no processo de análise e que as normas da publicação não exigem análise colegiada.
O PNE foi aprovado em 2014 e estipula metas para a educação no prazo de dez anos. O desenho de sistema de avaliação da educação básica está entre as metas de prazo parcial e já deveria estar pronto. 


Universidades doentes


Bruno Santos - 12.fev.2017/Folhapress
SAO PAULO, SP, BRASIL, 12-09-2017: Obras paradas na Universidade de Sao Paulo (USP). Na foto, obra parada do Centro de Convencoes da USP. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress) *** FSP-ESPECIAIS *** EXCLUSIVO FOLHA***
Obra parada do Centro de Convenções da USP

A crise orçamentária nas universidades estaduais paulistas segue sem solução definitiva à vista. Um sintoma agudo disso manifestou-se nesta terça-feira (21): o Hospital Universitário da USP fechou as portas do pronto-socorro infantil.
Instituição de referência em saúde pública na zona oeste da capital, cuidará agora apenas dos casos pediátricos emergenciais anteriormente encaminhados por postos de atendimento. Para agravar o quadro, alunos de medicina da USP entraram em greve, pela primeira vez desde os anos 1970.
A carência de verbas impede contratações para cobrir as vagas de quem se aposenta. Tanto ensino quanto pesquisa e serviços sofrem com a falta de pessoal. Tal panorama não se alterará pelo menos até o final de 2018.
Pelo quinto exercício seguido, a USP deverá ter deficit em seu orçamento no ano que vem. Segundo projeções em debate no seu Conselho Universitário, faltarão quase R$ 288 milhões para fechar as contas, valor que a reitoria terá de retirar de sua reserva financeira.
Tal fundo, que deveria custear investimentos, já teve saldo de R$ 3 bilhões. Com o novo saque, o montante deve se aproximar de zero.
A principal fonte de financiamento da USP, da Unicamp e da Unesp são repasses de 9,57% da arrecadação do ICMS —estimados em cerca de R$ 10 bilhões em 2018.
Não só a USP passa por um sufoco orçamentário. A queda no recolhimento tributário, fruto da crise econômica que assola o país, aliada a um histórico de administrações imprudentes, deixou as universidades paulistas na penúria.
Em entrevista à Folha, o reitor da Unesp, Sandro Roberto Valentini, informou que sua gestão precisa de no mínimo R$ 170 milhões do governo estadual para pagar o 13º salário de 12.703 servidores.
O peso da folha salarial, de resto, há muito torna insustentável a situação das universidades. Nenhuma organização pode gozar de saúde financeira comprometendo cerca de 100% do orçamento com desembolsos de proventos.
A USP vem realizando um esforço de austeridade, com o qual já se comprometeu seu reitor recém-nomeado, Vahan Agopyan. O estamento universitário precisa, porém, reagir de modo mais corajoso à falta atual de perspectivas.
Não bastam programas de demissões voluntárias e suspensão de contratações. Isso é só o óbvio.
Há que ir mais longe e liderar um debate sério sobre fontes alternativas de receita. Por exemplo, cobrar mensalidades de quem possa pagar —um tema que muitos na comunidade ainda consideram tabu.

Outra forma de escravidão, Cristovam Buarque

JORNAL CORREIO BRAZILIENSE, EM 21/11/2017
 


Senador pelo PPS-DF e professor emérito da Universidade de Brasília (UnB)
Em uma entrevista publicada em outubro de 2012, o jogador brasileiro de futebol Raí falou com satisfação que, durante
 o tempo em que jogou no Paris Saint Germain, na França, a filha dele frequentava a mesma escola de altíssima
qualidade que a filha da empregada. Naquela ocasião, Raí se perguntou se não seria possível, aqui também, o filho do
trabalhador estudar na mesma escola que o filho do patrão. E mais: o que devemos fazer para que essa se torne a
realidade no nosso país, como ocorre na França e em outros lugares do mundo em que a economia cresce com plena
 estabilidade social? Por que ainda não fomos capazes de fazer isso?
O futuro de cada país decorre da formação de seus cidadãos, da capacidade de usar o potencial de seus cérebros. No
 Brasil, não haverá futuro se continuarmos a desprezar a formação intelectual de nossas crianças até a idade adulta. Não é difícil supor o que pode acontecer: mais uma vez ficaremos para trás entre os maiores países, como ocorreu há alguns séculos, quando insistimos no
absurdo da escravidão, mantendo a desigualdade e impedindo o país de usar o potencial do trabalho livre de cada
 brasileiro por mais de trezentos e cinquenta anos.
Dos mais de 3 milhões de brasileiros que nasceram em 1995, todos agora com 22 anos, no máximo mil estão
caminhando para se tornarem bons cientistas, filósofos, escritores, em nível internacional. E desses, uma boa parte
está emigrando para desenvolver a ciência e a tecnologia em outros países.
Sem educação de qualidade para todos, não teremos o futuro de produtividade na economia que permita a necessária
riqueza para sair da pobreza nem o potencial de inovação capaz de dar ao Brasil a competitividade necessária para
enfrentar a globalização. Sem educação com a mesma qualidade para todos, desperdiçaremos cérebros e mantendo a
vergonha da desigualdade social que nos caracteriza, desde os tempos da escravidão, pela cor da pele, e agora a
escravidão pela ausência de educação.
Para fazer a educação ser de alta qualidade e igual para todos, basta uma carreira nacional do magistério
suficientemente bem remunerada para atrair os melhores jovens para esse trabalho, exigindo deles dedicação exclusiva
e avaliação de desempenho. Esses professores e seus alunos devem dispor de escolas com belos e confortáveis prédios,
 os mais novos equipamentos culturais, esportivos e tecnológicos, com horário integral em todas elas. É possível que isso ocorra aqui tanto quanto foi possível na França, tal como Raí foi testemunha.
O Brasil está amarrado na falta de educação para todos e isso decorre da falta de indignação com nosso atraso
educacional em relação a outros países e com a desigualdade na oferta de vagas às nossas crianças, conforme a renda
de suas famílias. Ainda não nos desamarramos porque não valorizamos o conhecimento. Preferimos a produção e a
renda, sem percebermos que a verdadeira riqueza depende do conhecimento. Não olhamos para frente, em sintonia
com o “espírito do tempo” — demoramos a fazer a abolição da escravatura e agora demoramos a entender que negar a
educação é a forma de escravizar quem não a recebe e de atrasar toda a nação, que sofre as consequências por não
aplicar o conhecimento.
Por isso, mantivemos a escravidão por quase 70 anos, depois da independência, e estamos há mais de 100, desde a
República, sem fazermos o que precisamos para ter uma educação boa para todos, como Raí viu na França.

Crianças brasileiras preocupam-se mais com a violência, diz pesquisa do UNICEF


A violência contra crianças e adolescentes foi a maior preocupação, com 67% relatando ser muito preocupante. As crianças e os adolescentes no Brasil (82%), na Nigéria (77%) e no México (74%) são os mais preocupados com essa questão.
A pesquisa ouviu mais de 11 mil pessoas entre 9 e 18 anos e foi lançada na ocasião do Dia Mundial da Criança, lembrado nesta segunda-feira (20).
Crianças e adolescentes no Brasil (82%), na Nigéria (77%) e no México (74%) são os mais preocupados com a violência que afeta meninas e meninos. Foto: Agência Brasil
Crianças e adolescentes no Brasil (82%), na Nigéria (77%) e no México (74%) são os mais preocupados com a violência que afeta meninas e meninos. Foto: Agência Brasil
Pesquisa realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) com crianças e adolescentes de 14 países mostrou que eles estão muito preocupados com questões globais que afetam suas vidas, incluindo violência, terrorismo, conflitos/guerras, mudanças climáticas, pobreza e tratamento injusto dado a refugiados e migrantes.
A violência contra crianças e adolescentes foi a maior preocupação, com 67% relatando ser muito preocupante. Crianças e adolescentes no Brasil (82%), na Nigéria (77%) e no México (74%) são os mais preocupados com a violência que afeta meninas e meninos. Menos de um quarto das crianças e dos adolescentes no Japão (23%) tem grande preocupação com essa questão.
A pesquisa ouviu mais de 11 mil meninas e meninos entre 9 e 18 anos e foi lançada na ocasião do Dia Mundial da Criança, lembrado nesta segunda-feira (20).
Em relação ao Brasil, o levantamento concluiu que as maiores preocupações dos meninos e meninas entrevistados são a violência contra crianças e adolescentes (82%), a má qualidade da educação (81%) e a pobreza (79%).
As crianças e os adolescentes entrevistados no Brasil disseram que os principais problemas sobre os quais os líderes mundiais devem agir são pobreza (18%); fome (17%); má qualidade da educação (17%); má qualidade dos serviços de saúde (10%); e violência contra meninos e meninas (10%).

14 países

Em relação às questões que os afetam pessoalmente, 85% das crianças e dos adolescentes entrevistados nos 14 países apontaram a má qualidade dos serviços de saúde e as ameaças à natureza. A má qualidade da educação foi citada como uma preocupação por 83% dos entrevistados.
Além disso, 66% dos meninos e meninas entrevistados acham que suas opiniões não são ouvidas de forma alguma ou não têm nenhum impacto, enquanto 95% acreditam que o mundo seria um lugar melhor se os líderes globais ouvissem as crianças e os adolescentes.
Nos países analisados, a metade dos meninos e meninas disse que se sente desprotegida quando são tomadas decisões que afetam crianças e adolescentes em todo o mundo.
Além disso, as crianças e os adolescentes em todos os 14 países estão igualmente preocupados com o terrorismo e a má qualidade da educação, com 65% de todos os entrevistados preocupando-se muito com essas questões.
Quatro em cada dez meninos e meninas em todos os 14 países se preocupam muito com o tratamento injusto de crianças e adolescentes refugiados e migrantes em todo o mundo.
As crianças e os adolescentes no México (59%), no Brasil (52%) e na Turquia (52%) são os mais propensos a se preocupar com o tratamento injusto de crianças refugiadas e migrantes em todo o mundo, com quase três em cada cinco crianças e adolescentes mexicanos expressando muito medo, seguidos de mais da metade dos meninos e meninas no Brasil e na Turquia.
Quase metade das crianças e dos adolescentes (45%) em 14 países não confia nos adultos e nos líderes mundiais para tomar boas decisões em prol da infância e da adolescência.
O Brasil tem a maior proporção de crianças e adolescentes (81%) que não confiam nos líderes, seguido pela África do Sul com 69%.

Pesquisa

O UNICEF trabalhou com a empresa global em pesquisas Kantar e sua agência de prospecção de dados, a Lightspeed, para entrevistar as meninas e meninos sobre suas preocupações e atitudes em relação a questões globais, incluindo bullying, conflitos/guerras, pobreza, terrorismo e violência contra crianças e adolescentes.
Os países onde a pesquisa foi realizada são: África do Sul, Brasil, Egito, Estados Unidos, Holanda, Índia, Japão, Malásia, México, Nigéria, Nova Zelândia, Quênia, Reino Unido e Turquia.

Perspectivas ruins

Apesar do progresso global, uma em cada 12 crianças e adolescentes em todo o mundo vive em países onde suas perspectivas atuais são piores do que as de seus pais anos atrás, segundo análise do UNICEF realizada para o Dia Mundial da Criança.
De acordo com a análise, 180 milhões de crianças e adolescentes vivem em 37 países onde estão mais propensos a viver em extrema pobreza, estar fora da escola ou ser mortos por morte violenta do que as meninas e os meninos vivendo nesses países há 20 anos.
O Dia Mundial da Criança — que marca o aniversário da adoção da Convenção sobre os Direitos da Criança — é lembrado com eventos globais envolvendo artistas, políticos, atletas, entre outras personalidades, visando chamar a atenção da sociedade para a importância da participação dessa população nas decisões que afetam sua vida.

Where Do Ideas of “Success” and “Failure” in Schooling Come From? (Part 1) by larrycuban

A few weeks ago, I published posts about "Success" and "Failure" in schooling that have a chance of becoming my next project (see herehere, and here). I asked for comments and received very helpful ones. I have continued to work on these concepts by exploring a set of questions that are becoming the spine of what may  (or not) turn out to be a book
I seek answers to these questions:
1. What is "success" and "failure" in schooling?
2. Where do these ideas of "success" and "failure" come from and how do they spread?
3. Who defines "success" and failure?
4. What does "success" and "failure" look like in practice?
5. So what?
I am now trying to answer the second question. I have drafted my answer in the next few posts. I have not included citations here but have them listed elsewhere. If readers want to know sources I used for a particular statement or quote, please contact me. I welcome your comments.

Where do concepts of "success" and "failure" in schooling come from?
Notions of success and failure in contemporary society are anchored in a market-driven democracy where core values of individualism, community, and equal opportunity have shaped the American character. In 1931, a historian captured these core values in what he called "The American Dream:"
The American dream that has lured tens of million of all nation to our shores in the past century has not been a dream of merely material plenty, though that has doubtless counted heavily. It has been much more than that. It has been a dream of being able to grow to fullest development as men and women, unhampered by the barriers which had slowly been erected in older civilizations, unrepressed by social orders which had developed for the benefit of classes rather than for the simple human being of any and every class. And that dream has been realized more fully in actual life here than anywhere, though very imperfectly even among ourselves.
Less than a decade later, a Swedish sociologist and his team studying "The Negro Problem" in the U.S. identified these same values as the “American Creed,” embedded in principles drawn from the founders of the nation, the Declaration of Independence, and the U.S. Constitution. Subsequent social scientists came to similar conclusions about basic American values. These values--individualism, community, and equal opportunity--espoused in the Creed and the Dream, then and now--have been in tension with one another.
Individualism
Individual Americans seek to achieve personal success in a highly competitive economic system embedded in a democratic government. They want higher social status, and a better life for themselves and those they love. In following their personal interests and passions, they want the freedom to choose--excuse the cliché--come hell or high water. And even if they choose unwisely and fail, so be it.
As one team of sociologists--identifying themselves as Americans put it three decades ago:
[W]e are united … in at least one core belief, even across lines of color, religion, region, and occupation: the belief that economic success or misfortune is the individual’s responsibility and his or hers alone.
One national survey (2011) found that nearly six-in-ten Americans say pursuing one’s goals without state interference is more important than the government making sure that people are not needy.
No surprise then that generations of fathers and mothers have taught their sons and daughters basic lessons: Work hard. Make smart choices. Learn to compete. And rewards will come. American child rearing practices aimed at making children into independent adults who could take care of themselves in a highly competitive world while making  wise choices has been the ideal for middle and working class Americans.
The growth of individualism began early in the early years of the nation.  Foreign travelers visited America often. French aristocrat Alexis De Tocqueville and a colleague toured the United States for nine months in 1831 and in Democracy in America, Tocqueville commented about individualism as an American character trait:
As social conditions become more equal, the number of persons increases who, although they are neither rich nor powerful enough to exercise any great influence over their fellows, have nevertheless acquired or retained sufficient education and fortune to satisfy their own wants. They owe nothing to any man, they expect nothing from any man; they acquire the habit of always considering themselves as standing alone, and they are apt to imagine that their whole destiny is in their own hands.
And a decade after Tocqueville, a born-and-bred New Englander, Harvard graduate, poet and lecturer Ralph Waldo Emerson wrote an essay on “Self-Reliance.”
Do not tell me, as a good man did to-day of my obligation to put all poor men in good situations. Are they my poor? I tell thee, thous foolish philanthropist, that I grudge the dollar, the dime, the cent, I give to such men as do not belong to me and to whom I do not belong.
Fast forward to Andy Grove, longtime CEO of Intel who in 1999 extolled individualism in managing one’s career:
Your career is literally your business. You own it as a sole proprietor. You have one employee: yourself. You are in competition with millions of similar businesses: millions of other employees all over the world. You need to accept ownership of your career, your skills and the timing of your moves. It is your responsibility to protect this personal business of yours from harm and to position it to benefit from the changes in the environment. Nobody else can do that for you.
No surprise, then, in a nation where the individual rights and choices are highly prized that the word “self” gets used often in our culture as in: self-interest, self-sufficiency, self-help, self-discipline, self-made, self-educated, self-absorbed, self-actualization, self-esteem and so many more.
Part 2 takes up the other core values of equal opportunity and community.

larrycuban | November 22, 2017