3 de janeiro de 2017

A educação no Brasil, Importante o prioritaria?Jorge Werthein Entrevista de 2005 sobre a educação no Brasil

2 DE NOVEMBRO DE 2012

A educação no Brasil, Importante o prioritaria?Jorge Werthein


Entrevista de 2005 sobre a educação no Brasil




Folha Dirigida — Como avalia este movimento que está tomando corpo no Brasil, no sentido de pedir perdão de parte da dívida externa para que o Brasil possa investir mais em educação?
Jorge Werthein — Não há um pedido de perdão da dívida. Não existe, tampouco, a intenção de não pagar a dívida. Não é a atitude de um país devedor, como o Brasil, a Argentina ou outros. O que se faz é uma negociação com credores. No geral, estas negociações são bilaterais, em que o país devedor, geralmente um país em desenvolvimento, solicita ao credor, geralmente um país desenvolvido, uma troca da dívida. Este movimento teve início nas décadas de 1960, 1970, com êxito para muitos países.

Folha Dirigida — Qual país é pioneiro neste movimento?
Werthein — A Costa Rica, na área do meio ambiente. Havia como credores vários países desenvolvidos, que aceitaram trocar parte da dívida, ou de juros da dívida, para aplicar em projetos de meio ambiente. Países como o Brasil, a Argentina, o México ou como o Equador negociaram e conseguiram aprovar na Conferência Geral da Unesco, como foi aprovado antes, na Conferência da Organização dos Estados Ibero-Americanos, que os países adotem esta postura, e estão adotando. É um mecanismo importante, um mecanismo eficiente que permite que mais recursos sejam destinados à educação.

Folha Dirigida — A economia brasileira justifica este tipo de negociação? Afinal, a economia do Brasil não está tão mal e o Brasil, com seus 4,8% do PIB, não investe tão pouco em educação assim.
Werthein — É claro que sim. O Brasil não tem hoje recursos suficientes para destinar as suas necessidades. Necessidades que são históricas, de décadas. A mim me causa muita estranheza quando ouço argumentos do tipo: "O Brasil não precisa. O Brasil é um país em desenvolvimento, com recursos muito grandes aplicados na área social e educacional". Claro que precisa! Não são os recursos que são importantes somente. Não importa se os recursos são de, no caso da Argentina, 60 milhões de euros, ou venham a ser 50 ou 100. Primeiro princípio: todo recurso que se consiga para ser aplicado em educação, e que tem que ser bem aplicado, bem direcionado como, por exemplo, na educação básica, é importante. Segundo: estão esquecendo um aspecto fundamental, que é o simbólico. É muito importante que os países credores assumam o que se comprometeram e não estão cumprindo, que é destinar parte do Produto Interno Bruto na cooperação internacional. O percentual determinado pelos próprios países não está sendo cumprido. E mais: quando o Brasil ou Argentina negociam com os credores os encargos da dívida por educação, está mostrando dentros de seus próprios países que a educação tem que ser prioritária, que precisa de mais recursos e que os recursos hoje destinados por países em desenvolvimento são insuficentes.

Folha Dirigida — Mas os quase 5% do PIB investidos pelo Brasil estão próximos do que investem, comparativamente, países do bloco rico. A Itália e o Japão são dois exemplos.
Werthein — Duas respostas para isto. A primeira é que não está aplicando quase 5%... Não estão chegando nem a 4% do PIB os recursos que o Brasil destina à educação. E não esqueça que muitos recursos do PIB que aparecem como destinados à educação são destinados às responsabilidades que tem o Ministério da Educação. Um exemplo são os hospitais universitários. Segundo, a Unesco tem mostrado que o mínimo que deveria ser aplicado na educação é 6% do PIB. Porém, o aspecto mais importante de sua pergunta, é que é impossível comparar quanto o Brasil aplica, comparativamente com outros países, porque aqueles países fizeram uma revolução na educação há 30, 40 anos. Algo que o Brasil ainda não fez. São países que, hoje, como a Coréia, que aplica 4,5% ou pouco mais de 5%, ou países como Malásia, Irlanda, que não têm a dívida educacional que tem o Brasil. Eles já fizeram essa mudança, já revolucionaram sua educação, a elegeram como prioridade e fizeram investimentos importantíssimos. Não há como comparar um país educacionalmente desenvolvido, como Finlândia, Itália, Coréia, Espanha, com um país como o Brasil, que ainda está por definir uma política de Estado para a educação. O Brasil ainda não definiu que a educação não tem que ser só importante, mas prioritária. Os países que citamos definiram uma política de Estado para a educação e definiram que a educação é prioritária. Por isso, são necessários mais recursos. Mas é também certo o argumento de que não só precisa de mais recursos, mas precisa de que esses recursos sejam bem alocados, bem executados, bem aproveitados. O fato de aplicar melhor e mais eficientemente os recursos, não significa que não precisamos de muito mais recursos para a educação.

Folha Dirigida — A educação brasileira sempre teve a presença forte do Estado e diz-se que ela não tem qualidade. Como explica a defesa do ensino público?
Werthein — A presença do Estado na educação é fundamental, mas acontece que no Brasil a diferença em relação a países vizinhos, como a Argentina, que em 1853 definiu uma política de Estado para a educação, definiu que a educação é prioritária. O Brasil não fez isso. O Brasil começa a definir políticas públicas importantes para a educação em meados de 1980. Países da região, como Argentina, Uruguai, Chile e Costa Rica, que um século antes se preocuparam em universalizar o acesso, em democratizar o acesso à educação básica. Mas o Brasil tem um histórico de tentativas de se recuperar e tem avançado muito. Mas, todavia, o Estado não consegue compensar todas as grandes dívidas que tem com a população brasileira. Estas dívidas são percebidas pela porcentagem, ainda muito alta, inaceitável, de analfabetos no Brasil. Ainda existe uma porcentagem enorme de analfabetos funcionais, porque temos um sistema educacional sem qualidade. Não sabemos capacitar, formar e reconhecer a importância que tem o professor. O Brasil está pagando estas dívidas, mas lamentavelmente tem que pagar um pouco mais rapidamente, porque o tempo passa e porque este mundo de hoje é tão rápido e tem como principal capital o conhecimento. Você não pode ficar esperando, senão fica muito atrás dos países que estão se desenvolvendo rapidamente... E, para produzir conhecimento, você tem que ter uma população bem educada. Isso ainda está faltando na educação brasileira. Uma política de Estado é o principal responsável, tanto federal, quanto estadual, quanto municipal, junto com a sociedade civil também, pode promover uma transformação fundamental para a educação.

Folha Dirigida — O que é preciso para que isso ocorra?
Werthein — De um pacto pela educação. É preciso determinar que o Brasil tenha, pela primeira vez, um pacto pela educação.

Folha Dirigida — O que elegeria como o principal problema educacional do Brasil, o acesso ou a qualidade?
Werthein — Os dois. Universalizou-se o acesso à educação fundamental no Brasil e se avançou muito neste sentido. Tem-se, no Brasil, matrícula inicial em torno de 96%. Mas, ao mesmo tempo, não se consegue reter o aluno, porque o sistema educacional não tem qualidade, nem atrativos para retê-lo. Se formos ao ensino médio, veremos que a matrícula aumentou também de forma significativa, mas a matrícula no ensino médio é extremamente baixa em relação a qualquer dos países vizinhos. Talvez ainda não se consiga incorporar tantos jovens que ficam fora do ensino médio, que tem certas deficiências. Os que entram não ficam e os que ficam não aprendem e continua havendo uma divisão muito grande entre o público e o privado. Ou seja, o ensino privado continua sendo de muito melhor qualidade que o público. Isto não deveria ser assim e o Estado tem que entrar com muito mais força para elevar significativamente a qualidade do ensino público brasileiro.

Folha Dirigida — Voltando ao tema da dívida, há grupos que defendem uma auditoria, sob o argumento que a sociedade não sabe de fato quanto o país deve. Isto não torna injustificável a negociação para trocar a dívida?
Werthein — Não. Primeiro que o Brasil deve e deve bastante e a população em geral, não só no Brasil, mas na maioria dos países do mundo, não sabe extamente qual o montante da dívida. Há acesso à informações que mostram a dívida bilateral, a dívida multilateral, a dívida com os bancos, com o Banco Mundial, com o grupo de países do Clube de Paris. É claro que as informações existem, mas aqui no Brasil não devemos confundir algo que percebo que às vezes se confunde. O Brasil não está dizendo que não vai pagar sua dívida. O Brasil é um país que está honrando o seu compromisso. O que o Brasil está dizendo é o seguinte: "Cooperem, façam a sua parte na cooperação internacional e troquem minha dívida por educação, que eu vou investir esses recursos que devo a vocês em educação."

Folha Dirigida — Qual interesse mobilizaria os credores nesta negociação?
Werthein — O interesse de grande parte dos países desenvolvidos é apoiar para que os que estão em desenvolvimento melhorem sua situação econômica, social e política. Para ter democracias fortes, estáveis, é preciso que a população tenha educação, saúde, emprego, moradia. Quando a população tem isto, é uma população que consome mais, é um mercado que consome, tanto internamente quanto produtos importados. Por um lado, é porque o país quer ajudar um outro a desenvolver-se e, por outro, porque é importante que haja possibilidade de maior ingresso para ter mais educação e capacitação que dê acesso à informação, a ser muitomais eficiente na produtividade. Mas também por ter a possibilidade de dizer que é parte deste país, ter direito de acesso a este bem, que é a educação. Isto está acontecendo na cooperação multilateral e bilateral faz 60 anos e não é nenhuma surpresa que os países, hoje desenvolvidos, queiram apoiar através deste mecanismos, países em desenvolvimento que são sérios e que estão se comprometendo a cumprir as metas. O ministro da Educação do Brasil hoje tem responsabilidade e seriedade suficientes para dizer: "Se vocês trocarem a dívida, eu realmente vou cumprir o que estou dizendo."

Folha Dirigida — Como vê o apelo de alguns países ricos para que estudantes brasileiros se desloquem para estudar no exterior?
Werthein — Eu acho importante que estudantes brasileiros tenham a oportunidade de estudar fora. O Brasil tem uma política importante de desenvolvimento de recursos humanos e sempre enviou estudantes brasileiros de graduação e também de pós-graduação ao exterior, aos Estados Unidos ou Europa. E nós deveríamos incentivar, mas ainda não estamos fazendo isto devidamente. O Brasil e a Argentina começaram, mas ainda timidamente, o intercâmbio dentro dos países do Mercosul, países que têm sistemas educacionais importantes, como o Uruguai, Chile, Argentina, Brasil, que deveriam intercambiar e poder dar acesso para que estudantes de seu país estudem nos outros países. Na Europa existe um programa muito exitoso chamado Erasmus, através do qual estudantes espanhóis podem estudar na Itália por um ano e vice-versa. Por que não podemos fazer o mesmo? Fazendo isto, estaremos fortalecendo o conhecimento de nossa sociedade e da identidade de nossa América Latina e permitindo fortalecer os mecanismos de integração. Deveríamos fazer isto entre nossos países e não somente entre os países desenvolvidos.

Folha Dirigida — Estudiosos afirmam que a troca da dívida por melhores serviços educacionais estaria vinculada à realização de reformas no sistema educacional atendendo a interesses do Banco Mundial. No seu modo de ver, qual reforma interessaria ao Banco Mundial e aos demais credores?
Werthein — Depois de trabalhar tantos anos na educação e à frente da Unesco, posso dizer que este argumento não tem absolutamente nenhum fundamento. Quando o ministro da Educação da Argentina negocia com a Espanha e faz com que 60 milhões de euros sejam destinados para a educação básica, não existe nenhuma política do Banco Mundial que esteja determinando ao ministro argentino que faça isso. Qual a proposta do ministro Fernando Haddad para o Brasil? Sua proposta, por exemplo, é de em troca da dívida, usar seus recursos na formação de professores de espanhol. Isto é uma proposta do Banco Mundial? Como desconhecerautonomia de países soberanos como o Brasil, ou como a Argentina, para determinar o que fazer com esta estratégia de troca da dívida? Colocar isto como uma iniciativa do Banco Mundial, que não é, está realmente muito errado.

Folha Dirigida — Foram, de fato, as negociações entre Espanha e Argentina que inspiraram o Brasil a propor o acordo?
Werthein — Sim. Brasil e Argentina começaram esta iniciativa faz alguns anos e o primeiro país que conseguiu trocar a dívida foi a Argentina com a Espanha. Obviamente o Brasil está seguindo o exemplo argentino e está fazendo isso com outros países credores do Clube de Paris, que são países europeus com empréstimos feitos ao Brasil. Acho excelente a idéia de que o Brasil possa fazer esta negociação com estes países.

Folha Dirigida — O fato de o Brasil ser credor de outros países, como os africanos, não torna injustificável o pedido de troca?
Werthein — Não. Além de ser credor da África, você deve lembrar também que o Brasil oferece cooperação a estes países em algumas áreas. Na educação, na saúde, na agricultura. O Brasil vem fazendo com países africanos endividados ou pobres o que está pedindo que seja feito com ele também, não porque o Brasil seja um país pobre, mas porque o Brasil é um país com grandes carências, profundamente desigual e precisa de mais recursos.

Folha Dirigida — O senhor disse que os principais problemas da educação são a qualidade e o acesso. As cotas vão resolver o problema do acesso?
Werthein — As cotas nunca vão resolver o problema do acesso e não foram pensadas para isto. Não foram pensadas nos Estados Unidos e não foram pensadas aqui no Brasil. Com as cotas, o que está se tentando é uma medida paliativa que permite melhorar a situação de exclusão de certos setores da população, que através das cotas poderão ingressar na universidade. É como a política da Fome Zero e da Bolsa Família, que não vão resolver o problema da pobreza no Brasil, mas vão ajudar a diminuir o problema da pobreza. O que se precisa são de meios estruturais para resolver o problema da pobreza e o que precisa são de medidas estruturais para resolver o problema educacional do Brasil, que precisa de um sistema público eficiente, de qualidade. E é preciso possibilitar a redução das desigualdades no Brasil, para que as pessoas marginais à educação possam receber seus benefícios, e que hoje não podem. Hoje, se você é negro, nordestino, obviamente pobre, sua vida está determinada de uma maneira diferente, e a educação reproduz estas desigualdades, porque não estamos conseguindo dar mais e melhor educação, sobretudo aos mais excluídos e às regiões mais atrasadas.

Folha Dirigida — Como a Coréia fez?
Werthein — Claro! A Coréia é um país muito menor e um país que não tinha problemas tão grandes como o Brasil. O que a Coréia fez, há 30 ou 40 anos, quando seus indicadores educacionais eram iguais ou piores que os brasileiros, como os espanhóis, como na república da Irlanda. Estes países decidiram fazer um investimento importante, porque viram que, se não fosse por um investimento maciço em educação, não saíriam da situação em que se encontravam. Claro que não foi só na educação. Nunca é só na educação. Mas a educação é fundamental, é um dos instrumentos mais importantes para o processo de crescimento de um país.

Folha Dirigida — Há grupos que dizem que, com o Pro-Uni, o governo privilegia as instituições privadas. O senhor concorda?
Werthein — Não. É uma estratégia para utilizar vagas existentes no setor privado, para dar acesso a alunos que não teriam condições. De nenhuma maneira vejo, na política educacional brasileira, que se esteja privilegiando o setor privado.

Folha Dirigida — Reforma Universitária. Ela está de fato referenciada no Acordo de Bolonha, como dizem?
Werthein — A reforma vem tentando incorporar diferentes posições e discussões na reunião mundial da Unesco sobre educação superior e eu acho que é uma discussão que não está acabada. A Reforma Universitária ainda vai requerer, vai produzir e vai provocar muito mais debate. É um tema difícil e é uma simplificação dizer que está calcada neste acordo.

Folha Dirigida — Acredita que a terceira versão seja a definitiva?
Werthein — Não. Acho que a terceira versão vai entrar em debate e quando começar o debate no Congresso, obviamente vai haver muito mais discussões e seguramente bastante modificações, o que é natural.

Folha Dirigida — A Comunidade Européia mudou o conceito de universidade?
Werthein — Mudou para uma universidade mais integradora, uma universidade que está muito mais desenvolvida que a nossa, uma universidade mais dinâmica, mais inclusiva, mais pluralista e, sobretudo, uma universidade que aceita, recebe e se enriquece com a diversidade cultural dos países que formam a comunidade. Nós não estamos conseguindo fazer isso. Por que não temos um Erasmus na América Latina, recriando o trânsito de professores e estudantes no Mercosul?

Folha Dirigida — Voltando ao ensino básico, acredita na aprovação do Fundeb ainda este ano?
Werthein — Creio que é difícil, porque também vai ser objeto de muitas discussões e está menos difícil conseguir os recursos necessários. Eu acho que é um avanço importante, é necessário que os recursos existam e que os estados possam ser beneficiados por isto. Seguimos discutindo um problema também de educação infantil e da necessidade que se cubra da educação infantil ao ensino médio. E se não temos os recursos necessários para não formar um fundo, não vamos poder cumprir o que estamos querendo. E este fundo é importante e, para que seja eficiente, tem que ter os recursos necessários.

Folha Dirigida — Como vê a repercussão na América Latina da crise que o partido do governo, o PT, está enfrentando?
Werthein — As crises políticas na América Latina são constantes. Os países já estão acostumados. Afortunadamente, esta crise está se desenvolvendo fundamentalmente dentro de uma democracia, sem as intervenções como sucediam no passado, quando havia intervenções armadas de ditaduras militares que tomavam o poder. É uma discussão que, sem dúvida, preocupa a América Latina, que acompanha com muita atenção. E essa é uma discussão que também está ocorrendo em algus outros países que enfrentam situações similares. Quando vivemos democracias muito adolescentes, muito jovens como a argentina, como a brasileira, não é raro que isto ocorra, mas estou seguro que o processo democrático num país como o Brasil é muito mais forte que esta crise e, obviamente, vejo com otimismo o futuro do Brasil.

Folha Dirigida — Sobre a lei recentemente sancionada pelo presidente Lula, tornando obrigatório o ensino da língua espanhola no Brasil. O Mercosul sairá fortalecido com ela?
Werthein — Muito. Foi uma decisão muito importante, muito inteligente por parte do presidente, porque está criando um mecanismo de fortalecimento da integração através do aprendizado do espanhol. Já há, há dois ou três anos, na Argentina, escolas que ensinam português. Ao tornar obrigatório o ensino do espanhol no ensino médio, ao mesmo tempo que significa um esforço importante, porque terá que formar e capacitar quase 2 mil professores em espanhol, é uma ação muito importante. A iniciativa que está se desenvolveno aqui no Brasil chama-se TAL, Televisão de América Latina, para que 20 países hoje associados tenham programação educacional, cultural, e através desta programação se fortaleçam mecanismos de integração. A programação brasileira tem legendas em espanhol, e a produção dos países que falam espanhol será legendada em português. São mecanismos fundamentais para fortalecer a integração de nossos países e os blocos sul-americanos, mercosurianos, latino-americanos, como está acontecendo no bloco europeu.

Folha Dirigida — Em um de nossos debates para o Suplemento do Professor, foi dito que a Unesco fala a mesma língua do Banco Mundial. O senhor confirma?
Werthein — Quem disse isso não conhece a Unesco. E me preocupa que não conheça. Foi dito por uma pessoa importante, uma acadêmica importante, de grande formação, mas dizer que Banco Mundial e Unesco falam a mesma língua significa realmente não conhecer as posições da Unesco e do Banco Mundial.

Folha Dirigida — São antagônicas?
Werthein — Em algumas coisas sim e noutras não.

TRIBUNA Escolaridad, democracia y ciudadanía ¿una relación fallida?

Lo que antes se daba por sentado, que con solo escolarizar mejora la calidad de la ciudadanía, ahora tiene que ser abordado tomando en cuenta otros factores


Los resultados del Brexit, el plebiscito en Colombia, el avance del Frente Nacional en Francia o la victoria de Trump, han introducido en la discusión pública serias dudas sobre la relación que existe entre los niveles de escolaridad, la emergencia de una ciudadanía de alta intensidad y los grados de participación política y cívica, y que puede resumirse de la siguiente manera: el pensamiento convencional decía que, como regla general, una sociedad, mientras más educada, toma decisiones más sensatas y racionales. Pero a juzgar por lo visto en 2016, en países y culturas muy distintas, esto dejó de ser cierto o, por lo menos, automático. ¿Por qué?
En agosto pasado, por ejemplo, la UNESCO presentó el Informe de Seguimiento de la Educación en el Mundo 2016 (Informe GEM) que mide la velocidad a la que todos los países se están acercando, o no, al cumplimiento de los Objetivos de Desarrollo Sostenible de la ONU, en especial el que identifica a la educación, además de bien público en sí mismo, como precondición para alcanzar, según sugiere Jeffrey D. Sachs, que asesoró el estudio, una democracia de calidad, un alto capital social o una vida política robusta. La realidad sin embargo, habría dicho Talleyrand, parece sugerir que el encanto de aquel mundo donde todo estaba en su sitio, no existe más.
El Informe GEM pretende inferir en qué medida los años de escolaridad arrojarían otro tipo de satisfactores sociales y políticos y predecir los vínculos entre la educación y la equidad, la democracia, la participación o el crecimiento, entre otras variables. Pero hay por lo menos dos aspectos en los que esas relaciones pueden estar resultando fallidas.
El primero tiene que ver con la verdadera contribución de la educación al crecimiento. Por un lado, como principio general parece cierto, pero llama la atención la creciente distancia que hay entre el mundo de la educación superior tradicional y el de la innovación económica y el empleo; dicho de otra forma: ya no basta con la adquisición de una determinada calificación o un título universitario para insertarse eficazmente en el mercado laboral. Por ejemplo, en América Latina si bien la tasa de matrícula en educación terciaria está alrededor del 45% (Banco Mundial), se empieza a producir eso que se llama "devaluación educativa", que consiste en la pérdida de importancia de ciertos grados académicos cuando se expande la cobertura y se generaliza su obtención, lo que significa que las personas deben cursar más años de estudios formales para acceder a ocupaciones crecientemente mediocres o para alcanzar salarios similares a los que la generación precedente tenía con menos escolarización.
Pero, por otro, algunos análisis para los casos de Argentina, Brasil, Chile y México, indican que el incremento de la matrícula universitaria parece haber tenido poco impacto (cuando no nulo) en el crecimiento del PIB entre 1970 y 2012. En el caso de México, desde mediados del siglo XX la oferta de educación superior se duplica cada 9 años y la matrícula aumentó 145 veces desde 1950; no obstante, el crecimiento promedio del PIB ha sido de 2.2% anual en las últimas tres décadas.
En suma, contra la suposición habitual que repite la UNESCO, el reto ya no es solo que más personas alcancen educación superior sino más bien en qué especialidades, de qué instituciones o qué tan vinculada está esa educación a las nuevas exigencias de la economía. No es que el aumento de la matrícula no contribuya al crecimiento económico sino que esta relación ahora depende de factores mucho más sofisticados.
El segundo aspecto es en torno a la afirmación del Informe GEM de que la educación es el motor central de la participación política y la democracia. Tampoco esta correlación parece ser ya automática. Por ejemplo, en diversos países de América Latina —Argentina, Chile o México— los años de escolaridad han ido en aumento pero esto no se ha traducido en niveles mayores de participación político-electoral, de valoración democrática o de cultura cívica. La encuesta Latinobarómetro reportó que el apoyo a la democracia no mejora sustancialmente en la región: en 2016 alcanzó apenas un discreto 54%, porcentaje nueve puntos más bajo que hace 21 años cuando empezaron estos estudios y cuando en varias partes la normalidad democrática no era el común denominador.
Pero aún en países con escolaridad alta también hay declive o bien, en otros, una grave distorsión de la noción clásica de democracia. El caso más problemático es Venezuela, que con apenas 6.2 años de escolaridad registra, surrealismo puro, un porcentaje de apoyo a la "democracia" del 77%. En Brasil, los escándalos de corrupción y la decapitación de Dilma Roussef, llevaron a que, pese a contar con 7.2 años de escolaridad, apenas el 32% de la población respalde la democracia. En cambio, en Perú, Chile y México que tienen entre 9.2 y 10 grados de escolaridad, el apoyo a esa forma de gobierno alcanza tan solo 53%, 54% y 48%, respectivamente. Y en Estados Unidos, parece revivir el escepticismo de Tocqueville: de los graduados universitarios que votaron el ocho de noviembre, 45% lo hizo por Trump (49% por Clinton) y de quienes tienen un posgrado el 37% hizo lo mismo frente al 58% que prefirió a la candidata demócrata.
Tampoco está tan claro, como cree la UNESCO, que la educación impulse mecánicamente la participación. Un ejemplo es México, donde un estudio reciente (INE-El Colegio de México) sobre calidad de la ciudadanía muestra que, después del 2000, año en que concluyó la larga hegemonía del PRI, la abstención electoral ha oscilado entre 40% y 50%, lo que contrasta con las elecciones presidenciales de 1994 cuando la tasa de participación fue de 76%, sin haber vuelto a estos niveles tras la alternancia a pesar de que sí ha habido aumentos en el promedio de escolaridad. Lo mismo pasa en otras partes: un estudio de The Economist (16-05-2016) calculó que los referendos celebrados en Europa, donde las años de escolaridad son los más altos en el mundo, tenían en los años 90 una participación de 71%, pero en el último lustro ha sido de 41%.
El informe UNESCO también considera que "la educación hace más probable que los ciudadanos descontentos encaucen sus inquietudes a través de movimientos no violentos como protestas, boicots, huelgas, etc.". Tampoco parece ser el caso, al menos en México. El mismo estudio del INE reporta que es bajísimo el porcentaje de quienes concurren a actividades políticas no electorales: solo 11% y, peor aún, entre este reducido universo es más elevada la participación de quienes tienen solo secundaria completa (24.5%) que de los graduados universitarios, que es de 14%.
Las razones de este fenómeno que mezcla el descontento, la desilusión y la pasividad como expresión cívica son sin duda variadas e incluso contradictorias (desigualdad, bajo crecimiento, desempleo, oposición a la globalización, pérdida de control, odio a los políticos, etc.) pero lo cierto es que ha creado condiciones de irracionalidad muy peligrosas donde el ciudadano, como dice Daniel Innerarity, más que elegir, deselige: "hay mucho más rechazo que proyecto... no se vota para solucionar sino para expresar un malestar. Y, en lógica correspondencia, son elegidos quienes prefieren encabezar las protestas contra los problemas que ponerse a trabajar por arreglarlos. Por eso la competencia o incompetencia de los candidatos es un argumento tan débil. Lo decisivo es representar el malestar mejor que otros".
En cualquier escenario, lo que antes se daba por sentado, que con solo escolarizar mejora la calidad de la ciudadanía, la democracia y la política, ahora tiene que ser abordado tomando en cuenta otros factores sicológicos, mediáticos, sociales y culturales sin cuya comprensión fina será imposible construir una vida pública razonablemente coherente e inteligente.

Building More Affordable Housing Nearby (Mareesa Nicosia) by larrycuban

Think about this, the same reality as in the poorest areas of Latin America

Mareesa Nicosia is a senior reporter at The 74. This post appeared December 4, 2016
This post offers another way to improve schooling for minority and poor children that acknowledges the strong links between neighborhood, housing, social services, and academic progress in schools. Patterned on a charter school in Atlanta, Kennedy Elementary School in Omaha needs not only additional funds (which they are receiving from donors) bu also a holistic (and generous) vision of what schools serving children of color require.
Class doesn’t start until 8 a.m. at Howard Kennedy Elementary School, but students line up an hour early every day, intent on getting in the doors in time for breakfast.
That’s how it’s been since school started in August, when Principal Tony Gunter poked his head out the front door around 7 a.m. and was startled to see a few dozen students standing on the steps, itching to get inside.
They’ve waited every morning since, Gunter told The 74 in a recent interview, until the doors open and staff welcomes them warmly inside, trading handshakes and high-fives as music courses through the halls.
Not long ago, though, there was little enthusiasm from students, their families — and staff, for that matter. The pre-K–5 school is located in North Omaha’s Highlander neighborhood, for decades one of the poorest, most segregated and most violent areas in the city of 440,000.
Roughly 97 percent of students qualify for free or reduced-price lunch; about 22 percent are English-language learners, and 29 percent are refugees, higher than the district average in each case, according to 2015–16 data. While students have made gains on state test scores in recent years, the school had long been one of the worst-performing in Omaha, which serves about 52,000 students, and one of the lowest-ranked in Nebraska.
Enrollment has dwindled since the city tore down two thirds of deteriorating public-housing projects nearby. Its population of slightly more than 200 students is well below the building’s 600-student capacity, officials said.
But this year, Omaha Public Schools officials and their nonprofit partners are pushing the reset button — and drawing on the success of a charter school in Atlanta for inspiration.
Kennedy Elementary is at the center of an ambitious neighborhood-redevelopment project run by the 75 North Revitalization Corp., an Omaha nonprofit backed by Susan “Susie” Buffett, of the Sherwood Foundation, and her father, Warren Buffett. The organization and its donors are pouring about $10 million over the next five to 10 years into an initiative to transform the school, said Othello Meadows, 75 North’s executive director.
Gunter, the principal, said it’s the beginning of a long-term effort at Kennedy Elementary to raise standards for academic success and provide the resources students and staff need to meet those higher standards.
In the months since students returned, they’ve seemed to welcome the new level of rigor, Gunter said.
“[The kids] are just so hungry for knowledge. They are enjoying school, and it’s not like it’s easy,” he said. “We’re pushing them to really persevere through the things that they don’t know … or in areas of weakness in literature and math. When they say, ‘I don’t know it,’ or ‘I can’t do this,’ we’re really pushing them through to keep trying, and once they get it, we celebrate.”
At the same time, a $90 million construction project is underway to create hundreds of new mixed-income apartments and homes within walking distance of Kennedy Elementary. A community recreation center, dubbed “The Accelerator,” is also in the works. The idea is to surround the school with safe and affordable housing, recreational space and access to job training and health care for adults. A holistic approach to supporting families, with a high-performing school as the hub, is how the neglected Highlander community can begin to thrive, Meadows said.
“The best neighborhoods are the ones that kind of catapult you to success, [to] self-actualization,” Meadows said. “Whatever it is that somebody brings for themselves or wants to pursue, the neighborhood is actually an asset to pursuing that, and a lot of times that starts with a high-quality early-learning and preschool experience, followed by high-quality K-12 and college experience.”
The project is modeled on the work of Atlanta’s Purpose Built Schools, a national nonprofit network of neighborhood redevelopment projects with schools at their core. The organization opened its flagship K-5 Drew Charter School in Atlanta in 2000 (it recently added grades 9–12); since then, it has spawned similar efforts in cities like New Orleans, Houston, Charlotte and Birmingham. Most recently, it partnered with a group in Tulsa, Okla.
Students at Drew Charter School largely outperform their peers in Atlanta Public Schools and throughout Georgia, state data from 2013–15 show. That success hasn’t gone unnoticed — in fact, it led the Atlanta Public School district to seek out the organization’s help. Purpose Built Communities started managing several of the district’s lowest-performing schools this year.
In Omaha, changes at Kennedy Elementary began with a staffing overhaul this summer. Just 23 percent of certified staff were rehired for the 2016–17 year, a district spokesperson said.
Seven new positions have been created, including a social worker, a school psychologist, reading and math intervention specialists and a dean of literacy, according to a district spokeswoman. Another dean oversees science, technology, engineering, arts and mathematics (STEAM) instruction, which is the focus of the new, project-based curriculum.
The 75 North funding primarily supports salaries for Kennedy teachers to work extended hours this year under a contract variance approved by the union. Classes started August 10, a week earlier than other elementary schools in the district, and the school day runs 45 minutes longer.
Ashley Hawthrone, one of the handful of employees who stayed at Kennedy Elementary amid the transition this year, said the new layer of support staff will intervene earlier when the most vulnerable students show signs of distress — and not just with academics.
Many students come to class having witnessed violence in their homes and their community, said Hawthrone. She’s spent the past six years teaching first grade and sixth grade and started a new role as school counselor this year.
“I think we’ve created a climate conducive for learning. We’re teaching to the whole child,” Hawthrone said. “We recognize that our students come with a lot of baggage, and we’re able to address those academic needs as well as those social and emotional needs.”
The district is working with outside partners to set up a health center at the school next year so students can get vision screenings and dental services.
Outside the school, plans call for construction of 300 rental and for-sale units, including multi-family apartment buildings, single-family homes and townhouses to be completed by 2020. The first 30 rental units are expected to be ready for occupancy in early 2017, Meadows said, with dozens more opening later in the year.
Meadows, who grew up in Omaha and was practicing law in Atlanta when he learned about Purpose Built Communities, said his community’s collective challenge in the coming months and years will be to remain focused on improving student achievement — and keep complacency at bay when the “honeymoon phase” at Kennedy inevitably fades.
“We really want to focus on trying to build up this well of resolve so that when those disappointments happen, when things don’t go exactly as planned, the attitude, the belief, the strength that is there right now remains,” he said in an interview in October.
The Omaha teachers union is a key player in the buy-in. The Omaha Education Association was initially “very reluctant and very nervous” about the prospect of the charter-school-inspired changes, said Chris Proulx, a physical education teacher who was union president from 2010 through the summer of 2016.
(Nebraska is one of the handful of states that has no charter law — the result of sustained resistance by teachers unions and state school board members — though some parent advocacy groups are now pushing lawmakers to support a bill in 2017. Republican Gov. Pete Ricketts has also indicated his support for charter schools.)
After Proulx visited the Drew Charter School in Atlanta last year and shared his observations with colleagues, the 2,600-member organization eventually signed off on a one-year contract variance to cover the longer work hours, Proulx said.
For now, donors are providing $1 million to $1.5 million annually to cover the added labor costs, Meadows said. If all goes as planned, the contributions will trickle off over time and the school district will be fully responsible for sustaining the changes, should they prove to be successful.
“Kennedy only has the flexibility that the district’s willing to give it,” Proulx said.
During the past three and a half years under Superintendent Mark Evans, the district has largely supported reform initiatives like the Kennedy school partnership: In 2015, the board approved the project in an 8–0 vote, the Omaha World Herald reported.
How the tone from the top may change next year remains to be seen. Evans announced he will retire at the end of this school year, and several newly elected board members will help to select a new superintendent in the spring.
Gunter, meanwhile, is navigating the sometimes tricky task of making sure Kennedy’s veteran educators and the new, young teachers hired this summer learn from one another and work as a team, in an environment where differences in race and socioeconomic status might easily spark friction.
Gunter worked at Omaha Public Schools for 16 years before leaving to work as a development executive for K-12 education at Apple. He returned to the community he calls home when the principal position at Kennedy became available and spent much of the 2015–16 school year observing how Drew Charter educators worked in Atlanta.
In creating a new school plan, he drew on his own experience growing up in North Omaha, he said, where many of his classmates had absentee parents, caught up in drugs, alcohol and violence, who didn’t bother to ensure that their children made it to school each day.
His own parents valued education and pushed him to excel in school, Gunter said, but “it wasn’t easy.”
“As a kid, every choice that I made every moment every day [could] determine the outcome of my future.”
The odds still aren’t great for Omaha’s black youth. Far fewer black male students in Nebraska graduate from high school (50 percent) than white males (86 percent), according to a 2015 report by the Schott Foundation.
But there’s optimism about the future, in Gunter’s view. And he makes that known every morning as he and his staff cultivate the high-energy atmosphere that students walk into as they head to the cafeteria for breakfast.
“We set the pace,” Gunter said. “We set the tone, and everyone that’s walked in this building [this school year] has told me that ‘Man, this place is different.’ There’s just a sense of excitement here, that people want to be here.”
larrycuban | January 1, 2017