TOMAZ LANGENBACH Criar um genoma artificial e viabilizar sua reprodução certamente é um grande feito científico. Toda tecnologia nova de grande potencialidade em benefícios trás consigo possíveis riscos indesejáveis. Preocupado com isto, o cientista Craig Venter propôs nova legislação de controle. A história de usos e maus usos de tecnologia coloca a pergunta se é possível controle eficiente? O desenvolvimento tecnológico é, sobretudo, determinado pelos interesses econômicos, como a obtenção de patentes que monopolizam tecnologias, interesse explicitado por Venter. Vivemos hoje numa "sociedade de risco" em que a sociedade responde reativamente e por isto tardiamente com muitas dificuldades as consequências negativas dos avanços tecnológicos. A aplicação de novas tecnologias até agora sempre ocorreu antes da identificação ampla dos seus efeitos negativos. A legislação de controle é posterior, e países como os EUA só permitem restrições com provas científicas dos malefícios enquanto outros, como o Brasil, consideram o conceito de precaução restringindo o uso de tecnologias enquanto há dúvidas. Os riscos das novas tecnologias podem ser parcialmente conhecidos com cenários utilizando-se experiências anteriores com situações similares. Mesmo assim abriga incógnitas geralmente minimizadas ou ignoradas para o emprego mais rápido das inovações. Uma das preocupações é a falta de legislação de controle antes do uso comercial do produto como é exigido com os agrotóxicos. As nanomoléculas estão sendo produzidas com toda a liberdade sem passar por controles antes de sua comercialização. Os sólidos dados científicos que geram novas tecnologias geralmente não são acompanhados com a mesma preocupação, com o conhecimento dos desdobramentos sociais e ambientais condicionados a grande número de variáveis. As mudanças climáticas, decorrentes da queima de combustíveis fósseis em larga escala há mais de um século, eram desconhecidas até 20 ou 30 anos atrás. Nos anos 40 introduziram-se os agrotóxicos, e só recentemente verificouse que muitos destes produtos atuam sobre os hormônios. Muitos efeitos precisam de longo período para ser percebidos. A legislação de controle é formulada mais rapidamente quando os problemas são claramente detectados pela ciência e é retardada quando há evidências científicas contraditórias, como aconteceu na discussão sobre o aquecimento global. A diversidade de legislação - muitos países não têm legislação - permitiu que a pesquisa com células-tronco se desenvolvesse mais nos países sem restrições. Assim, a pesquisa não é controlada em escala mundial porque se desloca geograficamente. Melhor seria liberar o desenvolvimento científico com exceção de situações limites como clones humanos, ganhando em contrapartida mais informações necessárias ao seu controle. O respeito à legislação de controle é relativo. No Brasil, a experiência com a ilegalidade mostra as dificuldades em coibi-la. Há grupos radicais de seitas ou ativistas de contestação política interessados em tecnologias a serem utilizadas para seus fins. Os exércitos são interessados em desenvolver tecnologias para uso em guerras químicas ou biológicas. Com o tempo, o acesso a estas tecnologias torna-se mais fácil, além do risco de serem pirateadas em centro de pesquisas. Outro problema é o vazamento acidental permitindo a contaminação ambiental. Como precaução, o desenvolvimento de vida artificial deve ficar confinado, e mesmo assim sabese que é difícil evitar vazamentos. Os interesses de desenvolver tecnologia de "vida artificial" para fins de saúde, e outros, como energia, vão se sobrepor aos seus riscos. Portanto é imprescindível pesquisar todos os riscos, incluindo aqueles apresentados por grupos de contestação na elaboração da melhor legislação de controle possível. A experiência mostrou que a pesquisa dos riscos é mais extensa e demorada do que o desenvolvimento tecnológico. Assumir riscos no uso de tecnologias destinadas ao nosso bem-estar deveria ocorrer somente quando pudermos reduzi-los ao máximo, apesar de sabermos que não serão eliminados O Globo | |
31 de maio de 2010
O risco nas pesquisas
Diga não à legalização das drogas
Redução drástica do crime?
Os defensores da legalização afirmam que o problema é que "a droga custa muito caro"! O problema então da droga é que ela "custa muito caro?"
O outro argumento no texto do Le Monde divulgado por Emir Sader seria que a legalização "permitiria regular o mercado e determinar um preço muito mais baixo acabando com a necessidade dos usuários de roubar para conseguir dinheiro"!
Isso é uma ficção! Recomendo ao Sr Emir Sader e aos editores do Le Monde Diplomatique lerem o livro baseado na tese de doutorado do professor da UFPE, Adriano Oliveira (Tráfico de Drogas e Crime Organizado: peças e mecanismos, 2007). Oliveira conclui de seus estudos empíricos (estudos de operações da Polícia Federal; do Polígono da Maconha; do Rio de Janeiro e de Portugal) que o Estado deve ser considerado uma peça estratégica e necessária na interação e no florescimento dos atos ilegais, seja através de proteção estratégica, seja através de grupos criminosos oriundos do próprio aparelho estatal.
Oliveira afirma que a tese de que a proibição das drogas possibilita o fortalecimento do crime organizado carece de evidências empíricas, revestindo-se de argumentações ideológicas e não científicas. O referido autor afirma que não se conhece estudos que analisam as consequências da descriminalização do usuário com a redução da criminalidade. Estudos empíricos realizados em Portugal, que descriminalizou o consumo de drogas em 2001, realizados por Oliveira revelam que a política de descriminalização do porte de drogas neste país resultou num aumento do consumo e fortaleceu os mecanismos do crime organizado.
O comércio de drogas esteve vinculado à expansão internacional do capitalismo e também à sua expansão colonial-militar. Desde as guerras do ópio (1840-1860) que foram introduzidas pelos portugueses e depois pelos ingleses. Em 1729, o ópio é proibido pelo governo chinês. A Inglaterra obtinha lucros na época através da East Indian Company. Tudo isso aconteceu com a aprovação declarada e, documentalmente registrada, do parlamento inglês.
O uso generalizado de drogas apenas é possível quando esta se converte em mercadoria, e de alta rentabilidade. A agricultura industrial voltada à produção para mercados externos dá lugar à produção massiva de drogas.
A partir dos anos 1970 e 1980, a economia da droga (a droga como mercadoria) desenvolve-se a partir do processo de "narco-reciclagem das economias agrárias" e de liberalização dos mercados com a queda dos preços das matérias primas no mercado mundial afetando camponeses que passaram à dedicar-se ao cultivo de drogas pela sua rentabilidade desenvolveu-se a narco-economia.
Essa narco-reciclagem das economias é a expressão direta das políticas de ajuste estrutural impostas pelo FMI e o Banco Mundial. A privatização de diversos setores das economias em muitos países resulta na supressão de milhões de empregos. Tudo isso provoca uma transferência maciça de mão de obra para a economia dita "informal" e, em particular, para a produção de drogas.
Usuários de droga estão aumentando
Emir Sader divulga o texto que diz "os usuários de droga estão aumentando". Realmente, mas qual deve ser a conclusão? O consumo de droga é algo inevitável, um fato social imutável?
Segundo a OIT em 2003, 88 milhões de desempregados no mundo eram jovens. Esse número correspondia a 47,3% do total de desempregados do mundo mesmo sendo os jovens (de 15 a 24 anos) apenas 25% da população mundial (FSP, 11/08/2004). Diante desse fato, o aumento das atividades criminosas aparece como a única saída. Relatório da ONU em 2005 apontava que 18% dos jovens (entre 15 e 24 anos) vivem com menos de US$ 1 por dia. A cifra sobe para 45% (!) se considerarmos os jovens que vivem com menos de US$ 2 (515 milhões de jovens) por dia.
Sem perspectiva de emprego, os jovens nas periferias e favelas encontram no tráfico uma alternativa de sobrevivência.
Em 2002, estudo da OIT e do governo federal demonstrava que ocorreu um aumento no número de crimes na década de 1990 e ao mesmo tempo a redução da idade do ingresso das crianças no narcotráfico (a média de 15-16 anos nos anos 1990 caiu para 12-13 anos em 2000). Os jovens são em sua maioria pobres, negros e com baixa escolaridade (média de 6,4 anos). As drogas também invadem as escolas. Pesquisa realizada com estudantes por Miriam Abramovay e Mary Garcia Castro em 2002, apontou que, em 14 capitais brasileiras, 54,9% declararam ter presenciado o uso de drogas perto de casa; 33,5% afirmam ter presenciado o consumo de drogas ao redor da escola e 23% informaram a existência de drogas dentro da escola.
A proibição não funciona?
A proibição baseada na repressão contra a juventude e a classe trabalhadora explorada realmente não funciona. Porém defender a legalização das drogas pois "a proibição não resolve" corresponde a dizer que combater o desemprego seria impossível, pois ele não seria produto de um sistema agonizante, mas um mal inevitável. Se há desemprego é preciso dividir o trabalho, se há droga é necessário atacar as causas da demanda.
Uma plataforma mínima contra as drogas a ser defendida pelos trabalhadores, a juventude e suas organizações significaria: fazer a reforma agrária nas terras em que se produz droga e incentivar a política de substituição de cultivos; confiscar todo o dinheiro e as propriedades oriundas do tráfico e da lavagem; acabar com o sigilo bancário e centralizar o crédito nas mãos do Estado (nacionalização dos bancos); defender um tratamento público, eficaz e humanitário aos dependentes de drogas com recursos suficientes bancados integralmente pelo Estado; por fim, uma política que gerasse emprego para todos, começando pela redução da jornada sem redução de salário.
Incapaz de cortar a oferta, o que exigiria atacar a fundo o direito de propriedade e os lucros do capital financeiro o capitalismo é mais impotente ainda para enfrentar a demanda, já que é absolutamente incapaz de abrir uma via progressiva para o desenvolvimento social.
Combater as drogas não é uma questão "moral", pois a droga é um instrumento de dominação dos capitalistas se alimentando das políticas de destruição dos serviços públicos e da negação dos direitos sociais. Ademais, as drogas alienam os trabalhadores e os jovens politicamente, fazendo-os fugir dos seus problemas ao invés de tentar resolvê-los.
Por outro lado, combater a produção de drogas exigiria que fossem completamente questionadas as políticas de "ajuste estrutural" sob a qual o tráfico encontra seu sustento (privatizações, demissões, sub-emprego, questionamento de direitos trabalhistas, corte de gastos nos orçamentos sociais). A luta contra a lavagem exigiria um ataque a todo o sistema mundial de circulação de capitais.
O problema da droga não é moral, assim como a liberdade das pessoas não é uma questão abstrata, individual, mas resultado da ação coletiva. E é só a ação coletiva da classe trabalhadora que pode libertar a humanidade da exploração. Lutar contra a droga é parte da luta da classe trabalhadora - e de suas organizações - contra sua própria destruição física e sócio-econômica
E ainda temos que assistir a SGPA ir à contra mão dessa luta que é de todos; uma vez que nos últimos 7 (sete) anos, pela primeira vez não foi autorizado estande de exposição de drogas, que a Polícia Militar em parceria com o ex-secretário de Estado e Juventude Leandro Sena levam ao evento. Peço aqui empenho e solidariedade das autoridades competentes na divulgação e apoio ao combate deste mal que assola o planeta.
Seja consciente: Diga não às drogas!
Paulo Arantes
30 de maio de 2010
A educação como meio de inclusão social
Diversos temas científicos e entraves ao desenvolvimento da ciência no país foram debatidos no fórum, com a manifestação de vários especialistas. Para Luiz Davidovich, físico e secretário-geral do evento, o peso de alavancar o desenvolvimento das pesquisas do país não pode ficar somente restrito à comunidade especializada, se entendida como um segmento minoritário, ainda que de elevado valor qualitativo. Ele revelou que é preciso desde cedo melhorar a educação geral dos brasileiros para que eles também possam descobrir potencialidades próprias, gerando um patrimônio intelectual próprio. A partir do desenvolvimento de uma cultura científica no cotidiano, mais e mais pessoas poderão ter acesso a um mundo inexplorado, contribuindo para colocar o Brasil no elenco das nações com maior número de pesquisas e experimentos inovadores, garantindo os pré-requisitos para o desenvolvimento.
Para que se tenha uma ideia dos gargalos em que ora nos encontramos em relação ao desenvolvimento da ciência, basta lembrar que estamos enfrentando uma grande carência de professores em disciplinas importantes como química, física, matemática e biologia. Em geral, nessas disciplinas, para ingressar em uma faculdade, dado ao desinteresse geral, o candidato pode ingressar com uma nota mínima de 3,0. Já para o curso de Medicina, por exemplo, seu desempenho não poderá ser inferior a 8,3.
Um outro problema paralelo está no fato de que temos no país um apartheid educacional. Pequena parcela da população recebe uma educação de qualidade. Já à grande maioria é destinada uma educação em tudo insuficiente.
A conferência de Brasília reafirmou que educação e ciência devem andar juntas. Para que o país possa se reinventar a tempo de aproveitar as oportunidades que ora se abrem na economia mundial, é preciso remover obstáculos históricos. Investimentos pesados em educação é um deles, formando técnicos capazes de estar à frente dos desafios prévios para se atingir o crescimento econômico.
Escolas para mudar o amanhã
0 DESENHO de um aluno do Complexo da Maré mostra a casa de um morador na linha de tiro durante confronto entre policiais e bandidos
Prefeitura implantou projeto de educação diferenciada em 150 colégios em áreas de risco para atender 109 mil crianças
Ruben Berta e Sérgio Ramalho
Entre os cerca de 1,5 milhão de moradores de favelas do Rio, a prefeitura identificou, no ano passado, 109 mil crianças e adolescentes que estudam em 150 escolas municipais localizadas em comunidades afetadas pela violência. Pela primeira vez, não só admitiu que esses alunos merecem atenção especial, como desenvolveu um projeto específico para eles: o Escolas do Amanhã, que completa em agosto um ano de existência.
- Não é um projeto como o dos Cieps foi na época de sua criação, com etapas claramente definidas. Ele é um olhar diferenciado, que tem de ser customizado para cada realidade local. Há oficinas no contraturno que a diretora escolhe; o educador comunitário que se articula no bairro; atividades fora da escola. É muito mais desafiador: um diretor que é um bom gestor se mobiliza, faz contatos - explica a secretária municipal de Educação, Claudia Costin.
Projeto de ciências é um dos destaques
Mozart Neves Ramos, presidenteexecutivo do movimento Todos Pela Educação, que reúne representantes da sociedade civil na luta pela educação de qualidade, ressalta a importância de projetos voltados para comunidades que sofrem com a violência: - Há uma frase que diz "quando falta educação, sobra violência". A escola é o vetor mais importante para a sustentabilidade, principalmente como instrumento de agregação social, quando se alia, por exemplo, a elementos de arte e cultura.
Um dos destaques do projeto tem sido o Cientistas do Amanhã, que já é cobiçado inclusive pelas outras unidades da rede municipal.
O programa levou experiências científicas para dentro das salas de aula. Há até material para que as crianças possam fazer, com a ajuda do professor, um aquário ou mesmo um minhocário. A iniciativa tem surtido efeito, principalmente nas turmas do 2° segmento do ensino fundamental (6° ao 9° ano), nas quais há docentes específicos para cada disciplina.
As Escolas do Amanhã também contam com a parceria de mães voluntárias, que recebem uma ajuda de custo da prefeitura para atuarem nas unidades. Outra iniciativa foi a contratação de estagiários. É dada preferência aos universitários que estudam na região perto das escolas para que tenham uma maior identificação com o cotidiano do local onde estão atuando. Existe ainda o projeto Bairro Educador, que serve para incorporar a comunidade ao cotidiano da escola, com a realização de atividades fora do ambiente dos colégios. Para Claudia Costin, tantos projetos não são um exagero: - É impossível imaginar que essas crianças que passam pela experiência de viver em áreas violentas tenham a tranquilidade necessária para o processo de aprendizado.
À época da implantação do Escolas do Amanhã foi realizado um estudo minucioso para a definição das unidades participantes. Foram analisados critérios como taxa de evasão, analfabetismo funcional, localização em áreas conflagradas e de risco social sob o domínio do tráfico ou de milícia. Dos 150 colégios, 127 estão localizados em comunidades carentes nas zonas Norte, da Leopoldina e Oeste. Na Zona Sul, o programa funciona em oito escolas em comunidades como Rocinha, Vidigal e arredores do Dona Marta (Botafogo) e do Cerro-Corá (Cosme Velho).
Further Thoughts of a Novice E-Reader
I have been reading a lot on my iPad recently, and I have some complaints — not about the iPad but about the state of digital reading generally. Reading is a subtle thing, and its subtleties are artifacts of a venerable medium: words printed in ink on paper. Glass and pixels aren’t the same.
When I read a physical book, I don’t have to look anywhere else to find out how far I’ve gotten. The iPad e-reader, iBooks, tries to create the illusion of a physical book. The pages seem to turn, and I can see the edges of those that remain. But it’s fake. There are always exactly six unturned pages, no matter where I am in the book.
Now, a larger problem. Books in their digital format look vastly less “finished,” less genuine. And we can vary their font and type size, making them resemble all the more our own word-processed manuscripts. Your poems — no matter how wretched or wonderful they are — will never look as good as Robert Hass’s poems in the print edition of “The Apple Trees at Olema.” But your poems can look almost exactly as ugly — as e-book-like — as the Kindle version of that collection.
All the e-books I’ve read have been ugly — books by Chang-rae Lee, Alvin Kernan, Stieg Larsson — though the texts have been wonderful. But I didn’t grow up reading texts. I grew up reading books. The difference is important.
When it comes to digital editions, the assumption seems to be that all books are created equal. Nothing could be further from the truth. In the mass migration from print to digital, we’re seeing a profusion of digital books — many of them out of copyright — that look new and even “HD,” but which may well have been supplanted by more accurate editions and better translations. We need a digital readers’ guide — a place readers can find out whether the book they’re about to download is the best available edition.
And finally, two related problems. I already have a personal library. But most of the books I’ve ever read have come from lending libraries. Barnes & Noble has released an e-reader that allows short-term borrowing of some books. The entire impulse behind Amazon’s Kindle and Apple’s iBooks assumes that you cannot read a book unless you own it first — and only you can read it unless you want to pass on your device.
That goes against the social value of reading, the collective knowledge and collaborative discourse that comes from access to shared libraries. That is not a good thing for readers, authors, publishers or our culture.
VERLYN KLINKENBORG
The New York Times
The Doctor Will See You Now. Please Log On.
ONE day last summer, Charlie Martin felt a sharp pain in his lower back. But he couldn’t jump into his car and rush to the doctor’s office or the emergency room: Mr. Martin, a crane operator, was working on an oil rig in the South China Sea off Malaysia.
He could, though, get in touch with a doctor thousands of miles away, via two-way video. Using an electronic stethoscope that a paramedic on the rig held in place, Dr. Oscar W. Boultinghouse, an emergency medicine physician in Houston, listened to Mr. Martin’s heart.
“The extreme pain strongly suggested a kidney stone,” Dr. Boultinghouse said later. A urinalysis on the rig confirmed the diagnosis, and Mr. Martin flew to his home in Mississippi for treatment.
Mr. Martin, 32, is now back at work on the same rig, the Courageous, leased by Shell Oil. He says he is grateful he could discuss his pain by video with the doctor. “It’s a lot better than trying to describe it on a phone,” Mr. Martin says.
Dr. Boultinghouse and two colleagues — Michael J. Davis and Glenn G. Hammack— run NuPhysicia, a start-up company they spun out from the University of Texas in 2007 that specializes in face-to-face telemedicine, connecting doctors and patients by two-way video.
Spurred by health care trends and technological advances, telemedicine is growing into a mainstream industry. A fifth of Americans live in places where primary care physicians are scarce, according to government statistics. That need is converging with advances that include lower costs for video-conferencing equipment, more high-speed communications links by satellite, and greater ability to work securely and dependably over the Internet.
“The technology has improved to the point where the experience of both the doctor and patient are close to the same as in-person visits, and in some cases better,” says Dr. Kaveh Safavi, head of global health care for Cisco Systems, which is supporting trials of its own high-definition video version of telemedicine in California, Colorado and New Mexico.
The interactive telemedicine business has been growing by almost 10 percent annually, to more than $500 million in revenue in North America this year, according to Datamonitor, the market research firm. It is part of the $3.9 billion telemedicine category that includes monitoring devices in homes and hundreds of health care applications for smartphones.
Christine Chang, a health care technology analyst at Datamonitor’s Ovum unit, says telemedicine will allow doctors to take better care of larger numbers of patients. “Some patients will be seen by teleconferencing, some will send questions by e-mail, others will be monitored” using digitized data on symptoms or indicators like glucose levels, she says.
Eventually, she predicts, “one patient a day might come into a doctor’s office, in person.”
Although telemedicine has been around for years, it is gaining traction as never before. Medicare, Medicaid and other government health programs have been reimbursing doctors and hospitals that provide care remotely to rural and underserved areas. Now a growing number of big insurance companies, like the UnitedHealth Group and several Blue Cross plans, are starting to market interactive video to large employers. The new federal health care law provides $1 billion a year to study telemedicine and other innovations.
With the expansion of reimbursement, Americans are on the brink of “a gold rush of new investment in telemedicine,” says Dr. Bernard A. Harris Jr., managing partner at Vesalius Ventures, a venture capital firm based in Houston. He has worked on telemedicine projects since he helped build medical systems for NASA during his days as an astronaut in the 1990s.
Face-to-face telemedicine technology can be as elaborate as a high-definition video system, like Cisco’s, that can cost up to hundreds of thousands of dollars. Or it can be as simple as the Webcams available on many laptops.
NuPhysicia uses equipment in the middle of that range — standard videoconferencing hookups made by Polycom, a video conferencing company based in Pleasanton, Calif. Analysts say the setup may cost $30,000 to $45,000 at the patient’s end — with a suitcase or cart containing scopes and other special equipment — plus a setup for the doctor that costs far less.
Telemedicine has its skeptics. State regulators at the Texas Medical Board have raised concerns that doctors might miss an opportunity to pick up subtle medical indicators when they cannot touch a patient. And while it does not oppose telemedicine, the American Academy of Family Physicians says patients should keep in contact with a primary physician who can keep tabs on their health needs, whether in the virtual or the real world.
“Telemedicine can improve access to care in remote sites and rural areas,” says Dr. Lori J. Heim, the academy’s president. “But not all visits will take place between a patient and their primary-care doctor.”
Dr. Boultinghouse dismisses such concerns. “In today’s world, the physical exam plays less and less of a role,” he says. “We live in the age of imaging.”
ON the rig Courageous, Mr. Martin is part of a crew of 100. Travis G. Fitts Jr., vice president for human resources, health, safety and environment at Scorpion Offshore, which owns the rig, says that examining a worker via two-way video can be far cheaper in a remote location than flying him to a hospital by helicopter at $10,000 a trip.
Some rigs have saved $500,000 or more a year, according to NuPhysicia, which has contracts with 19 oil rigs around the world, including one off Iraq. Dr. Boultinghouse says the Deepwater Horizon drilling disaster in the Gulf of Mexico may slow or block new drilling in United States waters, driving the rigs to more remote locations and adding to demand for telemedicine.
NuPhysicia also offers video medical services to land-based employers with 500 or more workers at a site. The camera connection is an alternative to an employer’s on-site clinics, typically staffed by a nurse or a physician assistant.
Mustang Cat, a Houston-based distributor that sells and services Caterpillar tractors and other earth-moving equipment, signed on with NuPhysicia last year. “We’ve seen the benefit, ” says Kurt Hanson, general counsel at Mustang, a family-owned company. Instead of taking a half-day or more off to consult a doctor, workers can get medical advice on the company’s premises.
NuPhysicia’s business grew out of work that its founders did for the state of Texas. Mr. Hammack, NuPhysicia’s president, is a former assistant vice president of the University of Texas Medical Branch at Galveston, where he led development of the state’s pioneering telemedicine program in state prisons from the mid-1990s to 2007. Dr. Davis is a cardiologist.
Working with Dr. Boultinghouse, Dr. Davis and other university doctors conducted more than 600,000 video visits with inmates. Significant improvement was seen in inmates’ health, including measures of blood pressure and cholesterol, according to a 2004 report on the system in the Journal of the American Medical Association.
In March, California officials released a report they had ordered from NuPhysicia with a plan for making over their state’s prison health care. The makeover would build on the Texas example by expanding existing telemedicine and electronic medical record systems and putting the University of California in charge.
California spends more than $40 a day per inmate for health care, including expenses for guards who accompany them on visits to outside doctors. NuPhysicia says that this cost is more than four times the rate in Texas and Georgia, and almost triple that of New Jersey, where telemedicine is used for mental health care and some medical specialties.
“Telemedicine makes total sense in prisons,” says Christopher Kosseff, a senior vice president and head of correctional health care at the University of Medicine and Dentistry of New Jersey. “It’s a wonderful way of providing ready access to specialty health care while maintaining public safety.”
Georgia state prisons save an average of $500 in transportation costs and officers’ pay each time a prisoner can be treated by telemedicine, says Dr. Edward Bailey, medical director of Georgia correctional health care.
With data supplied by the California Department of Corrections and Rehabilitation, which commissioned the report, NuPhysicia says the recommendations could save the state $1.2 billion a year in prisoners’ health care costs.
Gov. Arnold Schwarzenegger wants the university regents and the State Legislature to approve the prison health makeover. After lawsuits on behalf of inmates, federal courts appointed a receiver in 2006 to run prison medical services. (The state now runs dental and mental health services, with court monitoring.) Officials hope that by putting university doctors in charge of prison health, they can persuade the courts to return control to the state.
“We’re going to use the best technology in the world to solve one of our worst problems — the key is telemedicine,” the governor said.
WITHOUT the blessing of insurers, telemedicine could never gain traction in the broader population. But many of the nation’s biggest insurers are showing growing interest in reimbursing doctors for face-to-face video consulting.
Starting in June, the UnitedHealth Group plans to reimburse doctors at Centura Health, a Colorado hospital system, for using Cisco advanced video to serve UnitedHealth’s members at several clinics. And the insurer plans a national rollout of telemedicine programs, including video-equipped booths in retail clinics in pharmacies and big-box stores, as well as in clinics at large companies.
“The tide is turning on reimbursement,” says Dr. James Woodburn, vice president and medical director for telehealth at UnitedHealth.
Both UnitedHealth and WellPoint, which owns 14 Blue Cross plans, are trying lower-cost Internet Webcam technology, available on many off-the-shelf laptops, as well as advanced video.
UnitedHealth and Blue Cross plans in Hawaii, Minnesota and western New York are using a Webcam service provided by American Well, a company based in Boston. And large self-insured employers like Delta Air Lines and Medtronic, a Blue Cross Blue Shield customer in Minneapolis, are beginning to sign up.
Delta will offer Webcam consultations with UnitedHealth’s doctor network to more than 10,000 Minnesota plan members on July 1, says Lynn Zonakis, Delta’s managing director of health strategy and resources. Within 18 months, Webcam access will be offered nationally to more than 100,000 Delta plan members.
Dr. Roy Schoenberg, C.E.O. of American Well, says his Webcam service is “in a completely different domain” than Cisco’s or Polycom’s. “Over the last two years, we are beginning to see a side branch of telemedicine that some call online care,” he says. “It connects doctors with patients at home or in their workplace.”
Doctors “are not going to pay hundreds of thousands of dollars for equipment, so we have to rely on lower tech,” he adds. The medical records are stored on secure Web servers behind multiple firewalls, and the servers are audited twice a year by I.B.M. and other outside computer security companies, Dr. Schoenberg says.
In Hawaii, more than 2,000 Blue Cross plan members used Webcams to consult doctors last year, says Laura Lott, a spokeswoman for the Hawaii Medical Service Association. Minnesota Blue Cross and Blue Shield started a similar Webcam service across the state last November.
Doctors who use the higher-tech video conferencing technology say that Webcam images are less clear, and that Webcams cannot accommodate electronic scopes or provide the zoom-in features available in video conferencing. “If they are not using commercial-grade video conferencing gear, the quality will be much lower,” says Vanessa L. McLaughlin, a telemedicine consultant in Vancouver, Wash.
Last month, Charlie Martin, the crane operator, was back in the infirmary of the Courageous for an eye checkup. In Houston, his face filled the big screen in NuPhysicia’s office.
After an exchange of greetings, Chris Derrick, the paramedic on the oil rig, attached an ophthalmological scanner to a scope, pointed it at Mr. Martin’s eye, and zoomed in.
“Freeze that,” Dr. Boultinghouse ordered, as a close-up of the eye loomed on the screen. “His eyes have been bothering him. It may be from the wind up there on the crane.”
The New York Times
29 de maio de 2010
Cutting the knot
Plans to give excellent schools the freedoms already enjoyed by dire ones
May 27th 2010 | From The Economist print edition

A SILVER thread of accountability runs through the fabric of education in England. Schools are held to account through a regime of inspections introduced almost two decades ago. The previous Labour government used the system to take over schools that fell short, reorganising and reopening them as “academies” that have greater control over what they spend their money on and how doggedly they pursue the national curriculum. On May 27th the new education secretary, Michael Gove, was due to introduce legislation to let schools deemed outstanding by inspectors join the ranks of these favoured few.
Academies were a pet scheme of Tony Blair’s, introduced in 2000 to redeem failing state secondary schools in poor inner-city areas by handing over their management to sponsors who could appoint excellent head teachers and give them the freedom to do much as they pleased. Once a school had repeatedly failed to impress inspectors, a sponsor—usually a charity or philanthropist—was allowed to take it over. The sponsor controls the governing body of an academy, which holds some power over admissions, decides how to deal with bad behaviour and what, outside the core curriculum, is taught.
The powerful teaching unions dislike academies because they need not hire staff registered with the General Teaching Council, as other state schools do, and they can opt out of national pay agreements. There are now more than 200 of them, and exam pass-rates are far better than at the schools they replaced.
The thread of accountability that informs parental choice has now been picked up by Mr Gove. In the expectation that his bill will be passed, he has written to the governing bodies of the 2,200 state primary and secondary schools that have won inspectors’ top rating, asking them whether they would like to become academies. Hundreds are expected to accept the offer at once. Separate legislation in the autumn will allow parents, teachers, charities, other schools and religious groups to set up new state-funded schools, the most radical reforming policy espoused by the Conservatives before the election. But the move to let schools turn themselves into semi-autonomous academies is likely to prove far more popular.
The creation of academies has already tempted new providers into establishing schools. Kunskapsskolan, a Swedish for-profit company, is due to open two academies in London in September. University College London is in the process of setting up an academy intended to boost the numbers of teenagers who study science and modern languages in the capital.
Other universities might be advised to follow suit, for the government is ring-fencing spending in this financial year on schools. Universities are not so lucky. English institutions had already had their budgets chopped by £1.3 billion over three years by the previous government; they learned on May 24th that they are losing a further £200m this year. Plans for an extra 20,000 places for students anxious to avoid the dole queues have been slashed to 10,000, and these will be limited to budding scientists and mathematicians.
The creation of more academies will increase parents’ choice of where their children are educated. Mr Gove intends to provide more information on how schools compare with one another. Any school that starts to slide down the league tables will be inspected promptly. So will those where a suspicious proportion of the teachers quit. Inspections will be directed away from fluffily measuring how much a school contributes to community cohesion and the like and focused sharply on the actual teaching and learning that takes place in the classroom.
Whether having more academies will close the growing gap in academic performance between rich and poor children is moot; the new academies are more likely than existing ones to end up teaching well-off ones. Patricia Sowter, head of Cuckoo Hall primary school in north London, reckons that if her school becomes an academy, as she intends, she could ditch prescriptions on providing one-to-one tuition to certain children in favour of supplying more of it to the neediest, for example. It would be a start.