25 de agosto de 2011

Cursos técnicos são antídoto contra o apagão da mão de obra


25 de agosto de 2011
Educação no Brasil | Brasil Econômico | Especial -  BR



CLAUDIO SILVA, Gerente de desenvolvimento do Senac São Paulo Graduado em administração de empresas pela FEA/USP e mestre em administração pela PUC/S




CLAUDIO SILVA, Gerente de desenvolvimento do Senac São Paulo Graduado em administração de empresas pela FEA/USP e mestre em administração pela PUC/SP
FORMAÇÃO
Por muito tempo o país viveu a sina de promessa que não correspondia às expectativas da economia mundial e às previsões que os analistas desenharam. Por isso, esse é um momento incomum de nossa história: comparada à de muitos países, a economia brasileira demonstra ótimos indicadores.
Nossa taxa de desemprego gira em torno de 6,2%, em queda se comparada à de 2010, de 7,9%. Para ter uma ideia do que isso significa, de acordo com dados do FMI, Eurostad e Instituto Nacional de Estadística y Geografia (México), neste momento de instabilidade mundial a taxa da Espanha é de 20,5%; a da França, 9,1%; a da Grécia, 15,9%; a de Portugal, 11,8%; e a dos EUA, 9,1%.
O país cresce a um índice anual de 4,5% e, apesar de não estarmos imunes à crise estampada no cenário internacional, temos hoje uma economia forte, sustentada pelo agronegócio e pelas descobertas de petróleo em nossa costa. As atividades industrial e comercial também demonstram dinamismo. Realizaremos, ainda, a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e seremos os anfitriões dos Jogos Olímpicos de 2016, eventos que fazem girar um montante significativo de recursos em investimentos voltados para a infraestrutura do país.
Tudo isso compõe um cenário de paraíso, não fosse o chamado apagão de mão de obra. Temos vagas em áreas estratégicas que não conseguimos preencher pela falta de pessoas qualificadas para atender às novas demandas. A situação deixa clara a necessidade de investir em educação e no preparo de profissionais para ocupar esses espaços e posicionar o país de vez na economia mundial como ator de primeira linha. Um protagonista, não mais um coadjuvante.
O que deveria ser uma solução (o aumento das vagas de emprego formal, com carteira assinada) parece ter se tornado um problema (a falta de quem ocupe esses postos e, consequentemente, a trava no desenvolvimento que isso representa).
Uma boa notícia é que as esferas públicas têm olhado para essa situação. Com políticas que estimulam a formação de técnicos e buscam incluir indivíduos sem capacitação nesse mercado, o governo federal acaba de encaminhar ao Congresso Nacional um amplo programa de investimento na criação de vagas para formação de profissionais. O governo do Estado ampliou a rede de escolas técnicas e tem criado projetos de inclusão de pessoas em programas de capacitação.
A intensificação desse movimento de formação profissional não é fato novo.
Nos últimos três anos, pudemos observar nas estatísticas o crescimento do número de matrículas em cursos técnicos. Segundo números do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do Ministério da Educação (Inep - MEC), de 2009 a 2010, o número de matrículas em cursos técnicos passou de 861 mil para 924 mil no Brasil, e de 314 mil para 329 mil no Estado de São Paulo. Ainda é pouco se compararmos com os dados do ensino superior, em que as matrículas em cursos de bacharelado em 2009 foram, no Brasil e no Estado de São Paulo, 4,08 milhões e 1,04 milhão, respectivamente.
Um elemento novo que se soma ao estímulo e ao investimento do poder público é o valor atribuído ao profissional técnico.
Antes relegado pelas empresas a um segundo plano e subestimado pelos que valorizam a formação no ensino superior como única via para se adquirir formação para a vida e o trabalho, o profissional técnico vem encontrando cada vez mais seu espaço no ambiente empresarial.
É a oportunidade de consolidar um caminho eficiente, menos oneroso e mais ágil de preparar o país e sua economia para a posição que pode ocupar entre as nações. É apenas uma questão de ajustar o foco.
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O que deveria ser uma solução (o aumento das vagas de emprego formal) parece ter se tornado um problema (a falta de quem ocupe esses postos).
Com ajuste de foco, o país pode se preparar para ocupar espaço que lhe cabe entre as nações

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