14 de novembro de 2011

Mulheres reivindicam direitos em marcha


VANEZA TARGINO
Em entrevista ao programa Agenda da Semana, na Rádio Folha 1020, ontem pela manhã, as organizadoras da I Marcha Pelo Fim da Violência Contra a Mulher informaram que a concentração será na terça-feira, 22 de novembro, na praça do Centro Cívico, a partir das 8h. Dilciane Ribeiro, representante da União Brasileira de Mulheres (UMB), explicou que a marcha pretende alertar a população e autoridades para o fato de que, diariamente, são praticados dezenas de atos de agressão contra mulheres no Estado de Roraima.
Ela lembrou que as mulheres são vítimas de violência doméstica em todas as suas formas, sendo ela física, psicológica, moral e sexual. Um dos destaques de violência citados a ser apresentado na marcha será a violência institucional. Na medida em que não são implantadas ações concretas que garantam dignidade à mulher e não são implantadas políticas para mulheres. As políticas públicas devem ser respeitadas , disse ao lembrar o apoio que as mulheres recebem da delegada Giuliana Castro.
A coordenadora da UMB-RR, Dilciane, lembrou que Roraima está em segundo lugar no ranking nacional de casos registrados de violência contra a mulher e diariamente são sete novos casos. Segundo dados, no ano de 2010 foram registrados 7.523 ocorrências de crimes contra a mulher em Roraima. No ano de 2009 foram 7.539 e no ano de 2008 foram 7.108.
Diante desse quadro, de violência e o grande números de homicídios contra mulheres em Roraima, segundo Mapa da Violência do Instituto Sangari, mulheres, homens e a sociedade civil organizada se uniram para juntos realizar o ato público com uma marcha que também recebe o apoio de outras instituições.
Glória Rodrigues, coordenadora da União de Negros pela Igualdade (Unegro), explicou que a marcha pretende mobilizar toda a sociedade para protestar contra a violência e cobrar das autoridades a efetivação das políticas públicas e sociais que as mulheres vêm conquistando ao longo dos anos.
Essa marcha é um aviso sobre essa violência por que passa principalmente as mulheres do interior e das profissionais que trabalham em órgãos que sofram algum tipo de violência moral. Chamo a atenção dos educadores das escolas, que venham para essa marcha, porque são primordiais, pois são multiplicadores desse enfrentamento para fortalecer a visibilidade e cobrar políticas públicas de enfrentamento , justificou.
A marcha, segundo as organizadoras, tem o propósito de demonstrar publicamente que todos estão contra a violência em todas as suas formas. E também chamar a atenção tanto da população quanto da classe política sobre esse fenômeno e sobre a importância de erradicá-lo. Repudiar todas as formas de violência contra a mulher, em especial as praticadas por autoridades. Além de cobrar a implantação de políticas públicas para mulheres pelo Poder Executivo estadual, como as ações do pacto pelo fim da violência contra a mulher , destacou Dilciane.
Ela lembrou que algumas entidades perderam instituições importantes, que hoje não atendem mais as mulheres, como o Centro Humanitário de Apoio à Mulher (Chame). Contávamos com certa organização do Chame e hoje não temos mais esse atendimento cidadão. Funciona, porém não está com a mesma característica de antes. Isso também será pauta de reivindicação da nossa marcha, porém são políticas que precisam estar trabalhando e construindo para as mulheres , revelou.
DELEGACIA Glória lembrou que uma das reivindicações e que foi uma conquista das mulheres será a exigência da volta de delegadas à frente da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). O atendimento que era para ser especializado hoje é complicado. Delegado homem inibe a mulher. Vamos cobrar do Executivo que a especializada tenha mulheres à frente e com atendimento de qualidade . Ela citou que hoje o atendimento é feito por um delegado e dois policias.
CARTA Após a marcha, as mulheres irão editar uma carta de intenção que vai ser direcionada para o Executivo e Legislativo, solicitando e reivindicando a reativação das políticas públicas. Queremos que nos olhem com responsabilidade , destacou Glória, ao lembrar que em breve haverá uma audiência publica para falar às representantes estaduais e municipais sobre uma pauta política da marcha. Mais informações pelos telefones 9127 6513 e 9115 9148.

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