» JORGE GUILHERME FRANCISCONI
Urbanista, consultor, Ph.D. em ciências sociais
A missão da Unesco chegou para inspecionar as condições urbanísticas do modernista Plano Piloto - Patrimônio da Humanidade. Notícia que o cidadão escuta e se pergunta: Para que serve isso? Já o urbanista analisa e pensa no que acontecerá com o legado de Lucio Costa e Oscar Niemeyer. Hoje, paralisado e esquecido no tempo e no espaço, o Plano Piloto tem grandes potenciais para fomentar a cultura nacional, o lazer, a qualidade de vida, o emprego, a economia local, o turismo internacional e o turismo cidadão.
A missão da Unesco chegou para inspecionar as condições urbanísticas do modernista Plano Piloto - Patrimônio da Humanidade. Notícia que o cidadão escuta e se pergunta: Para que serve isso? Já o urbanista analisa e pensa no que acontecerá com o legado de Lucio Costa e Oscar Niemeyer. Hoje, paralisado e esquecido no tempo e no espaço, o Plano Piloto tem grandes potenciais para fomentar a cultura nacional, o lazer, a qualidade de vida, o emprego, a economia local, o turismo internacional e o turismo cidadão.
Constatar carências urbanas não é nada original. O relatório Janicot, que o governo francês acaba de publicar, trata das carências de Paris para ser metrópole global. Na base do "Il ne faut pas s"endormir" (algo como "não podemos ficar dormindo") e de que "entramos na era da competição entre metrópoles", o relatório constata que Paris precisa fortalecer a cultura para atingir o nível de Londres e Nova York, principais metrópoles mundiais.
Fortalecer a diversidade cultural é fator estratégico básico para atrair investidores, visitantes, turistas e estudantes. Sem isso, os habitantes de Paris perderão a qualidade de vida que o dinheiro dos "visitantes" traz. E Paris irá para o patamar de Barcelona, de Sidney, de Berlim, de Amsterdã e de Singapura. No mundo ibérico, Barcelona e Madrid lutam para sediar a construção da Euro Vegas, a futura galinha dos ovos de ouro da Espanha, que Sheldon Adelson, dono da Las Vegas Sands, quer construir para abrigar congressos, reuniões, shoppings, etc.
Ter a Euro Vegas é fortalecer-se no cenário mundial, com mais renda e melhor qualidade de vida. São Paulo adota estratégia semelhante quando reúne técnicos, membros da comunidade e especialistas de nível mundial para criarem os cenários de 2040. Motivado pelos Jogos Olímpicos e pela Copa do Mundo, o Rio de Janeiro se reconstrói, se reestrutura e se rejuvenesce ao ampliar e aperfeiçoar serviços e transporte público e ao promover qualidade de vida em favelas.
Com ações integradas do poder público e da sociedade organizada, São Paulo e Rio de Janeiro estão na "competição entre metrópoles" de Janicot. As estratégias envolvem projetos para o meio urbano e turismo, inovações e tecnologias, museus interativos e eventos (feiras, congressos, festivais). O que fortalece a economia, o ambiental-urbano e a cultura local.
Mas nada disso aterrissou por aqui. Ainda que JK tenha imaginado Brasília como "centro irradiador com todos seus elementos voltados para o futuro". Do Planalto Central, não decolam propostas. O Brasil que não pensa no futuro do Brasil urbano. O Ministério das Cidades aprova emendas parlamentares e o PAC, sem propostas para o país. O Plano Piloto, galinha dos ovos de ouro do DF, está abandonado e se deteriora, imobilizado por Brasília revisitada e sem novos projetos, onde a Esplanada dos Ministérios, genialmente desenhada por Lucio, está cercada por ocupação confusa e desordenada.
Com a área monumental desorganizada e o setor gregário árido e inóspito, tudo está ao contrário do que propôs Lucio Costa. É por tudo isso que o Plano Piloto deve ser revisto. Faz falta novo projeto urbano-ambiental de qualidade, que permita candangos, brasilienses e visitantes usufruírem os atributos simbólicos do urbanismo modernista da capital nacional. Como ocorre em Canberra, Ottawa e Washington, quando renovam as áreas do monumental e do gregário com projetos inovadores de qualidade.
Frente a esse cenário, cresce a importância do parecer da Unesco sobre o Plano Urbanístico, que deve ser elaborado para fortalecer e consolidar as funções administrativas e simbólicas da capital federal, para manter a qualidade e os valores do projeto de Lucio Costa e indicar projetos urbanos, ambientais e econômicos, que atendam novas atividades esportivas, culturais e de lazer.
O objetivo é definir a personalidade diferenciada do Plano Piloto no cenário mundial e trazer orgulho, renda e emprego para sua população. Dessa forma, Brasília deixará de ser cidade/metrópole sem rumo e sem missão. O Projeto Síntese de JK é lembrada por candangos e por pioneiros como sonho mágico que se perdeu ao longo do tempo, mas que pode renascer como Brasília - capital nacional, Patrimônio da Humanidade. Futuro que está nas mãos do poder distrital, Iphan e Ministério das Cidades. E da Unesco.
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