11 de junho de 2012

FALTA DE QUALIFICAÇÃO COBRA SEU PREÇO

Zero Hora, 11/6/2012


O DESAFIO DA CONTRATAÇÃO Com baixo nível de escolaridade, boa parte dos jovens é preterida pelas empresas A resistência do mercado de trabalho em recrutar jovens vem se mantendo mesmo com o aquecimento da economia e a alta no ritmo das contratações nos últimos anos. Há pelo menos uma década a distância entre a taxa de desemprego geral e a entre os jovens se mantém constante (veja gráfico acima).
Há 10 anos, a desocupação entre pessoas até 24 anos passava de 19%, enquanto a média total era de 9,8%. Embora os números atuais sejam mais favoráveis do que os da Europa, por exemplo (na Espanha metade dos jovens não têm trabalho), seria possível reduzi-los com maior escolarização, afirma José Marcio Camargo, professor de Economia da PUC-Rio. Cerca de 45% da força de trabalho brasileira não tem Ensino Médio completo, portanto, tem mais dificuldade em estudar e aprender um novo ofício, analisa. Quase 14% dos brasileiros abandonam a escola no primeiro ano, aponta a Unesco, e quem prossegue muitas vezes têm dificuldades em absorver o conteúdo: o índice de repetência no Ensino Fundamental brasileiro é o maior da América Latina: 18,7%. O quadro se reflete diretamente na dificuldade de boa parte dos novatos em gerar os resultados que as empresas esperam.
Jovens com baixa escolaridade são também menos produtivos e demandam mais investimento em treinamento. As empresas, então, preferem contratar alguém já pronto, mesmo pagando salários maiores explica Camargo.
Outro entrave é o pouco comprometimento do jovem com o batente, apontam especialistas. Os mais novos costumam permanecer menos tempo em um mesmo posto e faltam mais ao trabalho. São riscos que nem todas as empresas assumem, em especial as pequenas, que geram 86% dos empregos formais no Brasil.
As grandes e médias empresas investem em novos talentos de olho nos resultados no longo prazo, mas as pequenas precisam pensar no lucro imediato diz Lúcia Garcia, coordenadora no Estado da pesquisa de Emprego e Desemprego, realizada por um grupo de entidades liderado pelo Dieese.
experiência é vista como ganho de competitividade
Fator que poderia favorecer a captação maciça de pessoas mais novas pelo mercado de trabalho, o aquecimento da economia embute um efeito contrário, alerta Lúcia. Para garantir competitividade imediata em um cenário favorável aos negócios, muitas companhias preferem chamar profissionais com vivência no ambiente corporativo.
Evidentemente, os mais novos não chegam prontos ao trabalho, e poucas empresas se dedicam a prepará-los analisa Lúcia.
No caso dos jovens com curso superior, a segmentação do mercado de trabalho muitas vezes fecha as portas para quem tem conhecimento genérico e limita os caminhos para quem se especializou em determinada área, diz Ligia Nery da Silveira, vice-presidente de eventos científicos da ABRH.
Os jovens entram cada vez mais cedo no mercado, muitas vezes sem ter certeza do que querem. Isso se traduz em uma postura de pouca atitude perante os empregadores explica Ligia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário