11 de junho de 2012

Pai da economia verde diz que é preciso cobrar desenvolvimento sustentável de países ricos



— O desafio da sustentabilidade é que queremos todos, não só os países em desenvolvimento, mas também os países ricos, no caminho do desenvolvimento verde, reduzindo a pegada ecológica, investindo para aumentar a eficiência energética. Historicamente, se pegarmos uma linha de 1975 para cá, vamos reparar que os países em desenvolvimento caminharam no sentido do desenvolvimento sustentável, mas o mesmo não aconteceu com os países ricos. Mostrem para os governos que há muita diferença entre Objetivos do Desenvolvimento Sustentável dos países ricos e dos países em desenvolvimento — disse Sukdhev, fundador e CEO da Gist Advisory, consultoria especializada em ajudar governos e empresas a valorizar e gerenciar seus impactos sobre o capital humano e natural.
O economista está relativamente otimista com relação aos resultados da Rio+20. Para ele, a grande diferença entre este encontro e o que reuniu líderes mundiais no Rio em 1992 é que a Cúpula da Terra (como foi chamada a Rio 92) foi um ponto onde os líderes chegaram com três rascunhos e foram embora com três convenções:
— Nasceram os grupos da ONU, as convenções sobre mudança de clima, sobre biodiversidade. As pessoas chegaram com um plano e foram embora com documentos assinados. O embaixador Figueiredo disse-me, em Nova York, que a Rio+20 não é um ponto de chegada e sim de saída. As pessoas estão vindo com ideias para seguirem em frente. O desafio é pegar o ônibus certo, ouvir as várias ideias. Só se sabe se vai dar certo se nós pensarmos em algum momento: "Gostei, isso é bom". As ideias que vão nortear esse caminho, em primeiro lugar, serão aquelas que enxergarem o desenvolvimento sustentável como um desafio para os países em desenvolvimento e os desenvolvidos.
Para Sukdhev, há responsabilidades comuns e diferenciadas porque os países em desenvolvimento têm que fazer o desenvolvimento verde, mas os outros, os ricos, têm que reduzir sua pegada:
— E todos têm que alcançar o caminho respectivo para o seu próprio país. Os países em desenvolvimento terão como desafio o clima, a produtividade, a agricultura e os desenvolvidos terão que focar na tecnologia, n a eficiência energética. Como fazer? A natureza da solução para os ricos está toda criada para desenvolver lucros numa macroeconomia, dar lucro aos acionistas.
O economista falou ainda sobre o desejo de que a Rio+20 produzisse um documento que falasse em cooperação, a meta número oito dos Objetivos do Milênio que até agora não foi alcançada, e que também não é muito comentada. O indiano dá valor a esta proposta porque, segundo ele, dessa forma a diferença que ele quer ver na superfície será mais vista:
— Que transferência de tecnologia a China pode obter dos Estados Unidos? Nenhuma. Aliás, pelo contrário, a China é que pode transferir alguma tecnologia para os Estados Unidos — disse Sukdhev
Sukdhev comentou ainda sobre as críticas que tem ouvido a respeito dos tópicos considerados na expressão economia verde. Para ele, as críticas vêm por conta de falha na comunicação, pela dificuldade em se traduzir determinados termos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário