7 de novembro de 2012

Igualdade racial é pra valer



Ministra da Igualdade Racial participa de ação conjunta com o Senado na campanha "Igualdade Racial é pra Valer"


Com a presença da ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, do senador Paulo Paim (PT-RS), e das deputados Benedita da Silva (PT-RJ) e Janete Rocha Pietá (PT-SP), o presidente Sarney assinou plano de trabalho do acordo de adesão do Senado Federal à campanha "Igualdade Racial é pra Valer". A diretora-geral do Senado, Dóris Peixoto, também participou do evento.

No seu discurso, José Sarney destacou, já como resultado do trabalho conjunto com a Secretaria de Igualdade Racial, os dados da pesquisa do Data Senado sobre a percepção da violência a partir do fato revelado já em 2010 de que no Brasil, a maioria dos homicídios atingiu jovens entre 15 e 29 anos e 75% desses jovens eram negros. 

Para investigar a opinião popular sobre as causas da violência - quem são as pessoas mais vulneráveis e qual é a experiência pessoal dos entrevistados em relação ao racismo, o DataSenado entrevistou 1.234 pessoas de 123 municípios do país, incluindo todas as capitais, de 1º e 11 de outubro último. 


"Os resultados desse levantamento permitem identificar discrepâncias entre as opiniões captadas e as estatísticas oficiais", explicou a ministra Luiza Bairros.

De acordo com a pesquisa, segundo o Mapa da Violência no Brasil, foram mortos, em 2010, 33.264 afrodescendentes, contra 13.668 brancos, uma diferença de mais de 140%. Entretanto a pesquisa revela como percepção dominante que brancos e negros morrem na mesma proporção, enquanto apenas uma pequena minoria — 2,4% — atribui a violência contra o negro à discriminação racial. 

No seu discurso, José Sarney destacou alguns dos principais fatos na sua militância pela causa dos negros. Ele lembrou que, como Presidente da República, criou a Fundação Palmares, tombou (declarou sob proteção do Estado por seu valor histórico) a Serra da Barriga e rompeu relações culturais e esportivas com a África do Sul enquanto lá existisse o apartheid. Contra o regime de apartheid da África do Sul, Sarney recordou que fez pronunciamento na Assembleia Geral da ONU como representante brasileiro. 

O senador registrou que desde seu primeiro mandato no Congresso Nacional, apoiou todos os movimentos a favor da igualdade racial. Ressaltou sua participação na aprovação da Lei Afonso Arinos, a primeira a criminalizar a discriminação racial no Brasil. 


Pesquisa

Ao comentar o trabalho do Data Senado, coordenado pela pesquisadora Elga Teixeira Lopes, Sarney disse que os dados desse trabalho revelam como a sociedade brasileira não se dar conta da seriedade da situação do racismo. "Apenas metade da população acredita que ser negro ou ser branco afeta a vida de uma pessoa no Brasil. Menos de 22% dos negros declara que se sentiu discriminado por sua cor ou raça."

E prosseguiu: "Infelizmente sabemos que a realidade conflita com esta percepção. É verdade que a exclusão dos negros e da comunidade negra coincide em grande parte com a dos pobres. Mas, mesmo que superpostas, elas não podem ser confundidas. Os negros, entre os pobres, são os mais pobres; entre os que têm dificuldade de acesso à educação, os que têm mais dificuldade; entre os doentes, os mais graves; entre os que morrem vítima de violência, a ampla maioria."

A pesquisa é a primeira ação da parceria entre o Senado e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), motivada justamente pela violência revelada nos números oficiais e parte da campanha "Igualdade Racial é Pra Valer". Lançada em março de 2011 pela ministra da SEPPIR, Luiza Bairros, a campanha quer reforçar – ou despertar - a consciência social para o problema da discriminação e incentivar iniciativas do Estado, do setor privado e da sociedade civil que contribuam para o respeito às diferenças.

Nenhum comentário:

Postar um comentário