5 de setembro de 2012

O foco nas dificuldades de aprendizado

O Globo, 5/9/2012
Oaperfeiçoamento de políticas educacionais tem sido uma preocupação suprapartidária, por sobre governos. No plano federal, é visível uma linha lógica de evolução entre as administrações FH e Lula, nas quais se sucedem avanços na universalização da matrícula no ensino fundamental e na definição estratégica da necessidade de melhorias substanciais na qualidade da escola pública do ciclo básico. É essencial o consenso na sociedade brasileira em torno da prioridade à Educação. Mas não basta para os objetivos, na área, serem alcançados.
Nos últimos quatro mandatos presidenciais, houve, ainda, o desenvolvimento de uma série de testes, exames nacionais e indicadores, ferramentas imprescindíveis em diagnósticos e definição de metas. O que, no passado, se inferia — a baixa qualidade do ensino —, hoje é mensurado, bem como os alvos a serem atingidos.
À medida que novas informações são processadas, melhoram os diagnósticos e, em alguns aspectos, o quadro se mostra mais grave do que parecia. Exemplo recente é a constatação, feita a partir do Ideb (Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico), de que o rendimento do aluno cai enquanto ele se aproxima do ensino médio, a fase final do ensino básico.
As metas de 2011 para o ciclo básico como um todo foram atingidas, mas o último Ideb aconselha mais atenção com o ensino médio. Não parece pequeno o impacto negativo provocado nele por alunos mal formados no ensino fundamental. Estatísticas colhidas pelo GLOBO junto ao Inep, instituto de pesquisa do MEC, sobre o aprendizado de matemática e português, e não apenas na rede pública, dá a medida do problema: apenas 17% dos alunos terminam o fundamental com um domínio adequado na ciência dos números e 27%, na língua nacional.
Por estado da Federação, os índices referentes à matemática ficam mais expressivos: varia de preocupantes 27% e 25% a proporção de estudantes com razoável formação no fim do ensino fundamental, em Minas Gerais e Brasília, as melhores taxas, a irrisórios e dramáticos 6% e 5% no Maranhão e no Amapá, os piores estados.
Conclui-se que existe uma necessidade crucial de secretários de Educação enfrentarem a questão. É necessário tratar para que não haja perda de rendimento escolar no decorrer da primeira parte do ensino básico e, ao mesmo tempo, acelerar o aprendizado dos alunos que já se encontram no ensino médio.
A tecnologia para isto está disponível. Organizações de cunho social como a Fundação Roberto Marinho e o Instituto Ayrton Senna têm experiência no ramo. A cidade do Rio de Janeiro obtém bons resultados neste tipo de trabalho.
Combater a queda no rendimento escolar parece requerer ações específicas. E quanto mais cedo, melhor, para que os estudantes mais velhos não fiquem condenados a pagar o alto preço de uma formação deficiente.

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